Foi a pior derrota na lendária carreira em League of Legends de Lee "Faker" Sang-hyeok.
Dezesseis minutos e um segundo. Foi o tempo para a atual campeã mundial, a chinesa Invictus Gaming, derrotar Faker e a SK Telecom T1 na fase de grupos do Mid-Season Invitational 2019. A SKT escolheu uma composição especial para o late game em torno de Taric e Sona, mas nem chegou à metade da partida. Foi como ver um boxeador aposentado, multicampeão dos pesos pesados ao longo de sua carreira, entrar no ringue uma última vez com o atual campeão e, em seguida, ser esmurrado contras as cordas e cair desacordado no meio do ringue.
Faker não achou graça.
Três noites depois e com uma chance de se vingar, o maior de todos os tempos tratou de escolher sua assinatura, Ryze, para enfrentar novamente uma iG invicta até então. Os campeões da China se preparavam para se tornar o primeiro time em um Mid-Season Invitational a completar a fase de grupos sem sofrer derrotas, mas sua sequência de vitórias foi interrompida. Faker & Cia. trataram de não permitir que essa façanha acontecesse.
"Eu realmente não queria que a Invictus Gaming ganhasse as 10 vitórias em seuquencia", disse Faker em entrevista à ESPN, após a vitória de sua equipe.
Ao conversar com Faker, você nota que suas palavras carregam um desejo de resgate do jogador que ele costumava ser antes da noite em Pequim há quase dois anos, quando a Samsung Galaxy varreu a SK Telecom T1 e derrubar com a única dinastia que League of Legends já havia conhecido. Depois daquela noite, Faker experimentou o pior ano de sua carreira, passando por uma temporada inteira sem jogar em uma única final de torneio ou liga.
Durante o tempo de recuperação de Faker, a Invictus Gaming se colocou à beira de se tornar a segunda dinastia de League of Legends, na esperança de se tornar a primeira franquia não-SKT a ganhar torneios internacionais consecutivos com uma conquista de campeonato nacional no meio da jornada.
"Todos os times que enfrentei no passado tinham jogadores muito fortes e habilidosos", disse Faker quando perguntado se o Invictus Gaming foi o maior desafio que enfrentou em sua carreira. "Não acho que o iG seja diferente".
Embora tudo tenha mudado em torno dele, Faker ainda é Faker. Com as câmeras da imprensa estrangeira querendo tirar fotos espontâneas do jogador na sala de entrevistas, Faker tenta fazer o melhor para manter sua atenção na entrevista, meio sorridente, meio que desejando estar de volta ao seu quarto de hotel cinco estrelas, se preparando para a semifinal contra a G2 Esports.
A SKT mostrou que os campeões mundiais podem “sangrar”, mas a única equipe que os sul-coreanos não derrotaram na fase de grupos é justamente quem encontrarão em Taipei, Taiwan, para tentar chegar à final. Contra a SKT, a G2 agiu cedo e as composições escalonadas da equipe sul-coreana foram abandonadas em meados de 2010, quando essas táticas eram viáveis. Como fizeram no passado, porém, mais notavelmente em 2016 no MSI, a SKT se adaptou, e quando a última partida foi disputada no Vietnã e o National Convention Center fechado, a SKT estava em 7-3 e a G2 havia perdido sua potência.
"Na verdade, não mudamos nossa estratégia nem nosso estilo de jogo. Começássemos a tirar mais dos campeões que são fortes no início do jogo", disse Faker. "Perdemos porque estávamos cometendo muitos erros no early game".
No entanto, os jogos acelerados funcionaram com perfeição para a SKT. Ao falar do caçador hiperagressivo Kim "Clid" Tae-min, que foi a grande estrela do torneio até agora, da maneira mais “Faker possível”, o jogador elogiou seu novo companheiro de equipe, apontando que Clid gosta é de "gankar".
No último split doméstico, Faker chorou quando seu time varreu a Griffin para ganhar o título. Era um sinal visível de que ele estava voltando a ser o que esperava de si mesmo. Em muitas de suas respostas às minhas perguntas, ele foi breve, querendo deixar claro que, embora não se sinta próximo do "100% Faker", que o tornou um ícone mundial do esports há alguns anos, ele pode se aproximar de seu auge.
Quando perguntei qual Faker veríamos em Taipei, ele rapidamente respondeu "apenas Faker", reforçando que os altos e baixos fazem parte dele. Faker não é o “rei demônio” inabalável ou alguém que pode simplesmente ligar o interruptor a qualquer momento para mostrar todo seu valor. Ele é um humano imperfeito, como todos nós, trabalhando incansavelmente para voltar a um ponto em que ele possa dizer que esteja de volta, não vivendo de suas realizações passadas, mas visto apenas como sua situação atual - o melhor jogador do mundo.
"Eu não deixei a MSI escapar [mais] do que dois anos", disse o jogador. "Então, ganhar a MSI 2019 me faria sentir firme".
Para voltar à essa firmeza que ele tanto almeja, significa que a Invictus Gaming deve ser derrubada. Para qualquer outro jogador do mundo, chegar a uma grande final internacional seria um sonho realizado. Para Faker, perder para a Invictus Gaming em uma final seria um reforço que ele precisa continuar procurando o que falta para torná-lo inteiro novamente.
Faker não quer apenas olhar para a Invictus Gaming na final do MSI. Dois anos atrás, com lágrimas em seus olhos, Faker viu sua dinastia ser destruída na China. Se tudo se alinhar agora, ele terá a chance de impedir que uma equipe chinesa se torne uma dinastia bem diante desses mesmos olhos. É a chance de retornar à sua posição no topo do mundo.
"Vamos nos encontrar com a G2 na sequencia, mas estamos ansiosos para jogar [iG] a final", disse Faker. "Por eles serem os campeões mundiais, acho que seria muito mais significativo para nós vencê-los na final".
