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"Não sinto que o nível tenha baixado", diz Plugo sobre união das ligas da América Latina

Joaquín José "Plugo" Pérez, mid laner da All Knights na Liga Latinoamérica de League of Legends (LLA) Riot Games

Quando pensamos em Joaquín “Plugo” Pérez, a primeira imagem que vem à mente é a de um jogador jovem, sorridente, dedicado à equipe e à comunidade. Com um nome concebido em uma das casas mais antigas do esporte eletrônico da América Latina, a Kaos Latin Gamers, o atual mid laner da All Knights (AK) amadureceu e quer tentar se tornar o jogador que sempre quis ser.

“Eu queria e precisava mudar de ares. Estava muito cômodo no mesmo ambiente de sempre. Não melhorava como jogador nem como pessoa. Há mais razões para ter saído da KLG, mas essa foi a principal, não queria estagnar como jogador”, disse Plugo.

Antes de se unir à All Knights, Plugo recebeu ofertas de outras equipes; era quase certo que ele faria parte de outra organização, cujo nome ele prefere não citar.

“Por questões pessoais, o processo se complicou e eles chamaram outra pessoa. Então, eu tive de escolher entre a AK e outra opção. Ambas eram muito profissionais, mas o que me atraiu foi o fato de eles serem novos. Caso eles sejam orientados da maneira correta, podem chegar longe, diferentemente de uma equipe que já se estabilizou”, afirma.

Entrar na organização chilena também significou ser colega de equipe de jogadores da Coreia, algo jamais visto na região. “Era um desafio jogar com pessoas de outras culturas, assim como não saber como serão esses jogadores. Nós tivemos sorte, pois eles se adaptaram muito rápido, mas sempre fica a dúvida: ‘O que acontecerá se eles não conseguirem se adaptar e quiserem voltar ao seu país? O que acontecerá se não gostarem da nova região e se sentirem desmotivados ou algo assim?’”, comenta.

Para o jogador chileno, a disposição da All Knights em oferecer todas as ferramentas para assegurar o bem-estar de seus membros desempenhou um grande papel. “Os jogadores e o treinador conversam uns com os outros, e assim eles não se sentem tão longe de casa. A dúvida sobre se isso seria um bom projeto que funcionaria sempre esteve presente, como está acontecendo agora, mas poderíamos ser uma equipe de um só split sem ter muito o que fazer”, confessa.

Sobre o treinador, Son “Stardust” Seok-hee, Plugo afirma que o mais importante é a forma como o coreano trabalha. “Ele não é tão rígido; nos deixa muito livres, mas nos faz trabalhar todos os dias. Depois do primeiro jogo de scrim, analisamos a partida; jogamos o segundo jogo e o analisamos também. Às vezes deixamos para depois por falta de tempo, e por já termos que jogar contra a equipe seguinte”, explica. A chave está em ter a certeza de que, por menor que seja o erro, Stardust vai te alertar sobre ele.

“Não é que ele nos explore”, disse o jogador entre risadas, “mas se o treinador sentir que você cometeu um erro por excesso de confiança ou devido ao cansaço por falta de sono, ele deixa claro que isso não pode continuar acontecendo e que deve ser arrumado. Eu quase não jogo solo queue porque revisamos muito nossas partidas, e isso me fez crescer muito como jogador nesse split. A maneira dele de analisar os jogos é tão efetiva que podemos analisar uma partida de 20 minutos por uma hora sem ficar pensando: ‘por favor, pare, já quero ir embora’. Ele sempre tem material para todos nós, e a sua dedicação o diferencia de qualquer outro treinador com quem eu já tenha jogado”.

Ao pensar sobre uma equipe com jogadores de outros países, o idioma foi a primeira questão levantada. Não basta saber o básico, é necessário ter fluência para poder dar instruções à equipe e para que todos estejam na mesma página.

“O mais difícil é querer dar uma instrução mais avançada. Stardust identificou o problema da comunicação, e tem buscado que façamos as coisas básicas ao pé da letra para que não necessitemos de tanta comunicação, para que não precisemos dizer tudo”, conta. “Se você já escutou nossas conversas, deve ter percebido que falamos de maneira muito tranquila, não gritamos, não buscamos composições em que a comunicação exerça tanta prioridade e deixamos isso como uma meta final para a evolução da equipe”.

Além do idioma, outra crítica recebida pela equipe tem sido sobre seu estilo de jogo. Eles foram chamados de unidimensionais, com uma forte sinergia entre Lee “Parang” Sang-won” e Kim “Hoglet” Gwang-hyeop, mas com pouca compatibilidade nas outras rotas, além do fato de repetirem a mesma seleção de campeões.

“Minha Zoe”, já adianta Plugo enquanto ri. “Eu penso que em parte eles podem estar certos, mas isso também é um problema das outras equipes. Eles buscam mostrar muitas coisas nos jogos, enquanto Stardust quer que nós joguemos em um certo estilo a tal nível que, mesmo trocando de campeões, o estilo siga intacto. Então, por que não escolher Zoe ou Ezreal se estão abertos? Nós queremos dominar nosso estilo, independentemente do campeão. Não queremos mostrar que sabemos jogar com muitos campeões. Já baniram Ezreal ou Zoe e nós vencemos rapidamente com Lucian e Lissandra, o que mostrou que a questão não é o campeão. Não é necessário mostrar mais que isso”.

“Em relação a Parang e Hoglet, as pessoas exageram um pouco”, continua o jogador. “Sim, em nosso primeiro jogo pelo campeonato isso aconteceu muito, mas no dia seguinte jogamos pelo outro lado do mapa; temos muitas maneiras de jogar”.

“Creio que o que devemos enfrentar agora é a tarefa de seguir com essa consistência que estamos tendo. Podemos ser uma equipe que tem bom desempenho no palco, mas perdemos nos treinos. Com o passar do tempo, as outras equipes podem nos punir por isso. Sabemos que equipes como a Isurus, a Infinity ou a R7 não estão perdendo tempo. Estamos todos remando para o mesmo lado; queremos ser uma equipe que dê o que falar, e o resto da liga também quer. Não há um claro favorito depois da derrota da Infinity. O maior desafio somos nós mesmos”, garante.

Em relação aos treinos, a frase “vamos bem em scrims, mas não conseguimos fazer o mesmo no palco” foi muito ouvida. “Somos apenas o contrário”, ele ri.

“Muitas equipes querem mostrar muito em scrims. A ideia não é jogar mal, mas as equipes têm que aprender mais com os treinos, e vencer o jogo nem sempre é aprender. Às vezes, vejo equipes fazendo jogadas scrims que nunca farão no campeonato. Isso não funciona”, afirma. “Jogamos scrims de uma maneira que não faríamos no palco, e isso pode nos afetar. A mesma coisa aconteceu conosco na KLG no passado, então eu sei do que estou falando”.

A nova liga está propensa a melhorar por conta própria. Não há acesso a outra região além do Brasil. Muitos têm criticado a falta de uma região “grande” para se treinar contra, como ocorria com a América Latina Norte (LAN) e a América do Norte (NA). Plugo sente que os jogadores não devem se sentir inferiores.

“Não sinto que o nível tenha baixado. Conseguimos nivelar as duas regiões e agora só podemos seguir crescendo”, crava. “Analisar as regiões de fora serve apenas para disputar alguns scrims contra eles. Eu já joguei contra eles, contra a Flash Wolves, contra a LGD, contra equipes da Europa, e não é nada de outro mundo. Somos bons e podemos dar o que falar lá fora”.

Sobre as equipes da LLA, Plugo já tem uma opinião formada: “É muito difícil jogar contra a Rainbow7. Nunca sabemos com quem vão jogar, já que Leza consegue jogar com todos [os campeões]. Nobody também. Nunca sei o que vou enfrentar. A Isurus vem passando por semanas difíceis, mas sinto que também estão crescendo, assim como a Infinity. Todos temos que jogar com 150% da nossa capacidade se quisermos chegar à Colômbia”, garante Plugo. Sobre a outra parte da tabela, ainda é cedo demais para o chileno dizer se a Pixel será uma surpresa, ou qualquer um dos outros times.

Com relação aos outros mid laners, a situação não muda muito. Após várias semanas de jogo, Plugo identificou bem as fraquezas e forças de seus rivais no Rift. “É necessário jogar com muito cuidado contra Leza. Ele pode conseguir uma vantagem muito maior do que Seiya ou Cotopaco. Isso para mim é ser melhor o melhor mid laner no momento. Você tem que ter cuidado com ele”, afirma.

Plugo continua: “Em lutas de equipe, ele também ganha sozinho. Leza primeiro, Cotopaco e Seiya depois. Seiya está melhorando seu nível, nós não o havíamos visto assim. Eu acho que ele está encontrando seu papel na equipe, e será como no R7, onde era o melhor de longe. Então eu colocaria Zelt. TopLop está deixando muito a desejar, mas é bom mecanicamente. Eu sinto pela primeira vez que estou jogando melhor a rota, de forma mais egoísta, para mim, ao contrário de como era na KLG. Eu já sei o que quero, e agora que sei jogar para o time ou para mim, posso usar ainda mais minhas vantagens ainda mais, essa é a minha força”.

Fora do jogo, Plugo é conhecido por ser uma pessoa muito aberta nas redes sociais. Ele gosta de rir, conversar com seus seguidores e ser uma figura pública que corresponde àqueles que o apoiam. “Plugod”, “Plugotaku”, “Plugo, o Executor”... ele recebe tudo com carinho e apreciação.

“Ser uma figura pública é ser amigo do ouvinte, que vem dar ‘oi’ na sua transmissão. Eu amo ser engraçado, não consigo ser sério. Não é apenas ‘trollar’, mas eu gosto de aborrecer a equipe, os espectadores, como uma piada, para fazê-los rir”, confessa.

O jogador também comenta sobre as responsabilidades de ser uma figura pública: “Saber como ser uma figura pública é lembrar que a crítica chegará. Quando você perde, você deve esperar por isso. A internet é um lugar onde as pessoas dizem o que querem e você precisa saber como lidar com isso. Você precisa reconhecer os problemas que tem, rir de si mesmo e agradecer às pessoas que o apoiam. Graças às pessoas que me apoiaram eu consigo ser tão extrovertido. É por isso que eu quero que eles se divirtam, porque eles estão lá para mim. Existem realmente pessoas que te apoiam 100% e querem que você ganhe. Isso é ser uma figura pública para mim”.

Para Plugo, jogadores que não sabem como aproveitar essa parte da profissão estão perdendo uma oportunidade. “Eles não aproveitam direito. Podiam ser muito maiores. Os melhores jogadores são aqueles que lidam bem com o público. Os que sabem o que está além do jogo, que nem tudo depende do resultado de um jogo”, crava.

Com o “Plugo Army” em seu coração, o jogador se despede brincando e com um sorriso: “Você tem que continuar jogando e esperar o melhor, porque hoje não há nenhum anime bom para ver”.