<
>

RafaP e Tierwulf são confiantes sobre KLG no Mundial: "a gente pode ganhar de todos"

Junto com KLG, Tierwulf disputou o MSI 2018 Riot Games

A missão de representar o servidor sul da América Latina no Campeonato Mundial de League of Legends, mais uma vez, ficou nas mãos da Kaos Latin Gamers (KLG).

A equipe dominou a região de ponta a ponta nesta temporada, conquistando as duas etapas da Copa Latino-americana Sul (CLS) e participando dos outros torneios internacionais: Mid-Season Invitational (MSI) e Rift Rivals.

Olhando para o desempenho da equipe neste ano o analista brasileiro Rafael “RafaP” Pinheiro avalia bem a temporada da KLG na CLS. “Na primeira etapa tínhamos muita informação e pouco trabalho direcionado, enquanto na edição seguinte tínhamos a quantidade certa de informação e um trabalho bem direcionado”, contou o profissional em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

O analista aponta o MSI como o “fator de mudança” da KLG. De acordo com o brasileiro, “o jogo contra a Gambit [pela Fase de Entrada] nos ensinou muito, já que eles tinham todos os nossos padrões muito bem estudados e eles, simplesmente, sabiam tudo o que fazíamos. Nessa segunda etapa a comissão técnica da KLG conseguiu fazer um trabalho muito bom no sentido de preparar as informações e usá-las da melhor forma”.

A melhora da KLG também foi sentida pelo caçador chileno Sebastián "Tierwulf" Mateluna. Segundo o próprio jogador, o time “evoluiu muito na rota do topo”. Mesmo estando em seu ano de estreia, Damian "Nate" Rea teve um bom desempenho na opinião de Tierwulf: “o Nate era um jogador que chegou do cenário semiprofissional, sem ter jogado o Desafiante, ao time mais vencedor do LAS para substituir um jogador bastante renomado na posição”.

O CAMINHO ATÉ O MUNDIAL

A KLG se classificou para o Mundial após vencer a segunda etapa da CLS. O desempenho da equipe na competição foi fora de série: 86% de aproveitamento na Fase de Classificação, com apenas três derrotas em 21 séries disputadas, e duas vitórias categóricas no mata-mata sobre Furious Gaming e Rebirth eSports.

Tierwulf revela que, para a segunda etapa, a equipe "melhorou todos os quesitos que gostaríamos de melhorar". Está é a mesma opinião de RafaP: "fizemos o que tínhamos de ter feito para terminarmos a temporada regular em primeiro e ganharmos o mata-mata dropando a menor quantidade de jogos possíveis". Ainda segundo o analista, a equipe acertou a "maneira de trabalhar a semana em relação a um adversário".

Mas isso não quer dizer que a Kaos Latin Gamers chega ao Mundial sem precisar evoluir. RafaP aponta que, para o Mundial, a equipe tem "que melhorar a rapidez em relação ao contra-ataque das jogadas. Basicamente temos que falar sobre o que vamos fazer e ter um plano B em relação as jogadas que tomamos. Temos que melhorar muito isso porque as equipes que disputam torneios de nível mais elevado respondem melhor as jogadas que sofrem".

Já Tierwulf afirma que a KLG "tem que trabalhar com a mentalidade nos treinos e a comunicação dentro do time”. Categórico, o caçador aponta que se a KLG trabalhar esses pontos "a gente chega preparado para fazer um bom papel no Mundial".

APRENDIZADO DO MSI

Nesta temporada a Kaos Latin Gamers teve a oportunidade de disputar outra grande competição internacional de League of Legends: o MSI. No torneio de meio de temporada, para o qual se classificou com o título da primeira etapa da CLS, a equipe até fez bons jogos, mas não conseguiu passar da Fase de Entrada. Foram duas vitórias em seis séries e a lanterna do Grupo A.

Dessa participação no MSI, Tierwulf revela que a KLG "aprendeu que é bem importante se preparar para o time que vai jogar contra" porque esses times "também são campeões". "No LAS, no Brasil e em qualquer servidor você pode tentar ser um time mais completo na própria região. Mas quando você jogar contra uma equipe melhor e que é de fora, outra campeã, os caras vão ser muito bom em algumas coisas e em outras, não. Então, o que você tem que fazer é atacar esse ponto fraco dos adversários e se preparar bem para jogar contra cada oponente", aponta o caçador.

RafaP é sucinto: "o mais importante é se preparar o melhor possível usando as informações da melhor forma possível durante a semana".

EM BUSCA DE UM LUGAR AO SOL

A América Latina é uma das regiões consideradas emergentes pela Riot Games. Desde 2013, quando ainda não havia a divisão de servidores norte e sul, equipes deste cenário vêm lutando por um lugar ao sol nas competições internacionais.

Em seis temporadas participando dos torneios que também contam com a presença das outras regiões, os times latino-americano ainda não conseguiram despontar. A melhor campanha foi realizada pela mexicana Lyon Gaming - representante do servidor norte -, que no Mundial passado chegou até a segunda rodada da Fase de Entrada. Já as equipes do servidor sul nunca conseguiram chegar ao evento principal de MSI e Worlds.

O baixo rendimento das equipes latinas nas competições internacionais acontece porque "pelo nível de competição ser baixa no geral, e pelo pouco tempo de bootcamp antes dos torneios internacionais", diz RafaP. "Quanto antes tu saíres de um nível de jogo e começa a praticar em um nível mais alto, melhor pode ser seu desempenho nessa competição", avalia.

O nível baixo das filas ranqueadas, a falta de períodos de treinos fora da região e pouco investimento na comissão técnica por parte das equipes latinas são alguns dos problemas enumerados por Tierwulf. "Se você joga no LAS o ping é bom, mas o nível das filas ranqueadas é mais fraco. Mas se você jogar no servidor brasileiro, onde o nível é melhor, você pega uma alta latência, que é ruim para um profissional que quer melhorar mecanicamente. Além disso, a gente nunca fez um bootcamp e a comissão técnica de vários times no LAS é composta apenas por uma pessoa. Acho que é muito mais importante trabalhar com dois ou três", aponta o caçador.

Esperançoso, o jogador acredita que "é só questão de tempo para as coisas melhorarem no LAS. Os jogadores são bons, mas precisamos dessas coisas para jogarmos bem no Mundial, internacionalmente".

O MUNDIAL

A Kaos Latin Gamers iniciou a preparação para o Mundial logo após o título da segunda etapa da CLS. Mas antes de viajar para a Coreia do Sul a equipe teve um último compromisso, o duelo contra o vencedor da Liga Latino-americana Norte (LLN). Nesse confronto a KLG acabou sendo derrotada por 3 a 0 para a Infinity eSports.

A KLG pegou um avião rumo a Coreia nessa quinta-feira (20) e lá, conforme revela Tierwulf, a equipe fará um pequeno bootcamp antes da competição internacional. "A gente vai chegar seis dias antes do início do torneio, que é melhor do que chegar na hora. Vamos começar jogando as filas ranqueadas para evoluir nossas mecânicas e, nos dias seguintes, vamos treinar contra os outros times", afirma o caçador.

Tierwulf se mostra confiante quanto a preparação da equipe em solo coreano: "acho que os treinos vão ser muito bons”. “Vamos jogar num servidor que é bem melhor que o nosso. Os treinos vão ser mais divertidos porque, quando você joga contra times de outras regiões, você fica com mais vontade, mais motivado para jogar bem e aprender".

RafaP é claro quanto o objetivo da KLG no Mundial: "desde a última edição o nosso objetivo é chegar na Fase de Grupos. Focamos todo o nosso tempo e trabalho diário com isso em mente e temos que ir em busca disso. Sei que é difícil, podemos cair num grupo muito forte porque estamos no pote 3 no sorteio. Mas temos que acreditar que podemos", diz o analista

Para o caçador, se a KLG "pegar um grupo bom, acho que dá certo para a gente passar de fase". Lúcido, Tierwulf afirma que algumas coisas podem dificultar a vida do time no torneio, "como pegar a EDG". Mas o jogador salienta que "a gente vai treinar, a gente sempre vai jogar com a motivação de chegar longe. Nosso sonho é levar o LAS o mais longe possível nos torneios internacionais, fazer algo histórico e um legado", aponta.

Sobre os confrontos da KLG no Mundial, Tierwulf é confiante: "acho que a gente pode ganhar de todos. O caçador revela ter um pouco de medo de alguns times, como a chinesa Edward Gaming (EDG). "O resto da pra ganhar. A gente só tem que treinar, pegar muito foco no jogo e jogar o que sabemos. Se fizermos isso a gente tem oportunidade contra todos porque os confrontos são melhor de um. Então, dá pra qualquer coisa acontecer", aponta.

O mesmo pensa RafaP: "sinto que temos chances contra todos os times Wildcard. A única coisa que, se eu pudesse escolher, era pegar a EDG já na primeira rodada da Fase de Entradas para evitar um confronto contra eles na segunda rodada".

"Contra times Wildcard não importa quem venha. Somos todos Wildcard, cometemos os mesmos erros nos jogos e tudo será resolvido no momento. Claro que jogar contra Infinity e KaBuM ajudaria porque já temos muita informação, mas seriam jogos metade a metade com todos os outros. Talvez a SuperMassive esteja [em um nível] um pouco acima, mas eles também cometem erros", analisa o brasileiro.