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RafaP: o brasileiro que fincou a bandeira do Brasil no topo do cenário latino de LoL

RafaP conquistou duas etapas da CLS e disputou torneios internacionais pela KLG Riot Games

Ronaldinho Gaúcho, Cairo Santos, Leandrinho e Paulo Orlando são exemplos de brasileiros que fizeram bonito fora do País competindo nos esportes tradicionais. Já no esport, mais precisamente no League of Legends, desde 2015, um carioca vem conseguindo o mesmo: o analista Rafael “RafaP” Pinheiro.

Vestindo a camisa da organização chilena Kaos Latin Gamers (KLG), o brasileiro foi duas vezes campeão da Copa Latino-americana Sul (CLS), a liga profissional destinada ao servidor sul da América Latina, e representou a região na edição deste ano do Mid-Season Invitational (MSI).

Como muitos outros brasileiros amantes dos esportes eletrônicos, RafaP deu o primeiro passo pelo Counter-Strike. Ao ESPN Esports Brasil, o analista revela que decidiu “investir mais” tempo no CS após perder o emprego e que a descoberta do League of Legends aconteceu após um convite feito por um amigo. “De início achei difícil, mas jogar comunicado com amigos deixava o jogo divertido. Jogava LoL algumas horas por dia para sair um pouco da rotina do CS, que era pesada”, conta.

O COMEÇO

O sonho de se tornar um jogador acabou se diluindo após o próprio RafaP cair “na real sobre a minha condição tanto no Counter-Strike e, principalmente, no League of Legends”. “Decidi estudar o jogo para ajudar os amigos que ainda queriam seguir nesse sonho. Foi assim que iniciei o melhor na parte teórica”, afirma.

RafaP conta que a primeira competição presencial que disputou foi um dos famosos “torneios de bairro”. “Éramos o único time com alguém fazendo o draft. Perdemos na semifinal, porém o time que foi campeão trocou uma ideia comigo. Fiquei ajudando os caras com o draft também, jogamos algumas Go4LoL e conseguimos chegar nos confrontos finais”, relembra

O primeiro grande teste pelo qual passou foi com a 5UniT. RafaP acabou conhecendo o meio da equipe, que o convidou para participar de um treino contra o antigo Santos Dexterity, time este que o analista “conhecia muito” por ter o assistido muito.

”Eu já tinha em mente um draft perfeito para ganhar dos caras. O time só aceitou e ganhamos o treino contra um time mais forte. Isso me abriu as portas e fiquei com a 5UniT”, revela.

AS PRIMEIRAS CONQUISTAS

O analista lembra que os primeiros títulos aconteceram ainda junto o primeiro time, que se chamava Z-Fire. “Por dois meses ganhamos um torneio online e terminamos duas edições da Go4LoL na segunda colocação”. Já na 5UniT “melhoramos ao ponto de sempre estarmos nas semifinais de Go4LoL” e, por conta disso, “decidimos ingressar juntos numa outra organização, a Infinity, que ia nos pagar uma ajuda de custo, algo para auxiliar com a conta da internet”.

RafaP surpreende ao revelar que “pedi para não ganhar nada e que contratassem um treinador”. O brasileiro explica a decisão “porque eu queria ter uma ideia de outra pessoa trabalhando”. Foi aí que o analista encontrou seu “mentor”: Matheus "Capia" Meira, que chegou a comandar a INTZ Red.

Com a chegada do técnico, RafaP deixou “a parte de pensar draft e treinar o time para a captação de dados e análise pós-partidas, com uso de replays”. Categórico, o brasileiro afirma que se apaixonou pela função: “fazia planilha de dados e essas coisas, achei mais divertido do que ser treinador”.

LAS, AÍ VOU EU

De acordo com o brasileiro, Capia foi o responsável pela primeira oportunidade que recebeu do cenário latino: “ele recebeu uma proposta da KLG e fez questão de me levar junto”. O primeiro desafio junto à organização chilena aconteceu em outubro de 2015. Foi o Logitech G Challenge realizado na Argentina, competição a qual a Kaos Latin Gamers terminou em segundo lugar após derrota para a mexicana Lyon Gaming.

Apesar de Capia ter deixado o clube do Chile, RafaP continuou defendendo a KLG. “O dono da organização decidiu me manter justamente pelo poder de gerar dados”, explica.

“Foi tudo muito rápido, sair do ‘tier madeira’, da lan house do bairro até o LAS. Demorou coisa de três meses para chegar à 5UniT e outros dois até a KLG”, afirma.

Se muitos acreditam que vencer uma competição regional e ter a oportunidade de representar uma região no torneio internacional é o suficiente para um profissional chegar ao topo daquele cenário, para RafaP não: “definitivamente não cheguei no topo", afirma o analista.

"Sinto que não ter ido bem na minha região natal, o Brasil, é uma dor grande, algo que terei que solucionar no futuro. Na trajetória do LAS, sim estou numa posição destacada. Estive na equipe campeã em três dos últimos quatro campeonatos. Caso a gente ganhe agora, seria quatro de cinco e fechando o ano participando de todos os campeonatos possíveis: as duas etapas da CLS, o MSI, Rift Rivals e o Campeonato Mundial", analisa.

Apesar do sucesso conquistado junto com a KLG, RafaP não teve muitas oportunidades em equipes de grande porte do Brasil. O analista chegou a participar do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) junto ao Remo Brave, com o qual acabou sendo rebaixado para a 2ª divisão.

Sobre esse período, RafaP sente que não transitou bem entre as funções de analista e auxiliar técnico: "eu não cheguei pronto, fui ficando durante o campeonato e o CBLoL é um tiro muito curto". O analista afirma ainda que conseguiu "trabalhar bem o Cabuloso e o 4LaN, mas tinha muita dificuldade em atacar erros dos solo laners, por exemplo, algo que hoje eu consigo fazer sem problemas".

DESEJO DE VOLTAR

Questionado pelo ESPN Esports Brasil sobre uma possível falta de oportunidades no cenário nacional, o analista fala que isso não aconteceu. "Eu estava vindo do zero e somente agarrei a chance de um time profissional. Foi uma subida bastante rápida. Não deu para ninguém do âmbito profissional brasileiro ter me conhecido e, sem esse network, é realmente impossível chegar", analisa.

RafaP acredita que "hoje é mais fácil transitar e também é mais fácil para alguém na gerência de um projeto saber a minha função na KLG e me contactar".

O analista revela o desejo de voltar a trabalhar com equipes brasileiras. Perguntado em quais, o analista enumera Razer Pichau Gaming (antiga IDM Gaming), Vivo Keyd e paiN Gaming, já que tratam-se de times que possuem uma grande base de fãs e uma maior pressão.

RafaP cita ainda o Flamengo, clube para o qual torce no futebol: "sou flamenguista fanático e o Flamengo realmente se encaixa no que eu disse sobre times com muitos torcedores e muita pressão".

RAFAP E KLG: PARCERIA DE SUCESSO

Por tudo o que já conquistou defendendo a Kaos Latin Gamers (KLG), RafaP acredita que já entrou para a história da organização chilena.

Olhando por tudo o que passou junto ao clube, o brasileiro diz que, "em em 2016, estava começando e o pessoal foi muito paciente comigo, principalmente o Piroxz. Formamos um laço de amizade muito forte. Éramos como unha e carne, tanto a comissão técnica quanto os jogadores".

Já sobre a atual passagem, RafaP diz ser "um Rafael já com certa experiência, já sabendo exatamente a minha função e tendo muito espaço para transitar entre auxiliar técnico e analista. Esse grupo de trabalho também é muito intenso e nós temos uma cobrança interna muito grande, o que nos força a melhorar".