A dança das cadeiras do Dota 2 sul-americano mexeu com praticamente todas as equipes da região. Agora, enquanto jogadores brasileiros se preparam para disputar as qualificatórias regionais fechadas da América do Sul do Major de Kuala Lumpur, um deles encara um novo desafio: competir nas qualificatórias da América do Norte.
Ex-integrante da SG e-sports, Guilherme Silva “Costabile” Costábile se uniu aos veteranos norte-americanos Eric “Ryoya” Dong, Braxton “Brax” Paulson, Jason “Newsham” Newsham e Michael “ixmike88” Ghannam e disputará as qualificatórias fechadas da região pela equipe Team Team.
Em conversa com o ESPN Esports Brasil, Costabile contou como tudo aconteceu. Segundo ele, após a derrota para a paiN Gaming nas qualificatórias sul-americanas do The International 2018, os jogadores da SG ficaram abalados e ele retornou para casa.
“Dei um tempo de Dota e fiquei longe de tudo”, lembra ele. “Quando voltei, o Lelis e o 4dr estavam montando um time e até me chamaram, mas seria na posição de offlane, e eu gostaria de continuar jogando como um hard carry”.
O convite para participar da nova equipe veio por acaso. “Eu apenas conhecia os jogadores de pubs [partidas públicas] e tinha algum deles na lista de amigos, mas nunca havia falado sobre jogar juntos”, afirma. “Eu recebi o convite e resolvi aceitar a testar [as qualificatórias] com eles”.
Além do desafio de jogar com a nova equipe em uma nova região, Costabile enfrentará mais um: disputar as qualificatórias com um ping alto por jogar do Brasil. “Infelizmente, nessa primeira qualifier de major jogarei de casa, pois não há patrocinadores para o nosso time e não posso sair voando pros EUA na loucura”, explica. “Então vou jogar com 150 de ping. Vai ser uma loucura e um desafio ao mesmo tempo”.
Como diversas outras escalações que foram montadas às pressas para as qualificatórias do major, a Team Team também está em busca de uma organização para patrociná-la. “Principalmente para que eu não jogue com ping”, brincou Costabile.
O jogador também confessa que o time foi montado “sem muitas pretensões” e que disputarão essa primeira qualificatória sem promessas de continuar. Entretanto, Costabile afirma que o time está confiante com os treinos “e pelo menos a chance de uma vaga não parece tão irreal assim”.
Para ele, sua chegada pode indiretamente “revitalizar” o time. “Eu acho que quando uma equipe está desacreditada com um ou mais de seus jogadores, [ela] está fadada a não jogar tão bem como deveria”, opina. “Então, independentemente de eu ser sul-americano ou não, sou como um ‘sangue-novo’ para a equipe, que estava jogando com o BananaSlamJamma (BSJ), o que indiretamente revitaliza a equipe como um todo e também traz novas ideias de como deve ser jogado o jogo, etc.”
Por ser um dos primeiros representantes brasileiros em uma escalação majoritariamente internacional, perguntamos a Costabile sua opinião sobre o aumento de interesse do mundo pela América do Sul. O jogador, no entanto, diz achar que esse movimento é global.
“Times do mundo inteiro estão começando a procurar jogadores de todas as nacionalidades, contanto que eles joguem bem e não exista uma barreira linguística”, comenta. “Mas sim, com certeza com a aparição da paiN no último Dota Pro Circuit e de um grau menor da SG e Infamous, a América do Sul está ganhando mais olhares. No entanto, ainda é a região mais fraca do DPC”.
As qualificatórias fechadas da América do Norte para o Major de Kuala Lumpur acontecem entre 19 e 21 de setembro. As equipes Evil Geniuses, Quincy Crew, compLexity Gaming e Team Team foram convidadas diretamente, enquanto as outras quatro vagas estão sendo definidas por qualificatórias abertas.
O Major de Kuala Lumpur é o primeiro da nova temporada do DPC e será realizado pela PGL na capital da Malásia de 9 a 18 de novembro. O torneio terá uma premiação de US$ 1 milhão e distribuirá 15 mil pontos para os times participantes.
