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"Estamos muito longe de ter lucro com esports", diz diretor da Riot Games

Disputado na Coreia, Mundial deste ano não contará com presença de equipes de transmissão estrangeiras Riot Games

No último fim de semana a Riot Games revelou que não vai enviar as equipes de transmissão norte-americana e europeia para acompanhar o Campeonato Mundial de League of Legends, que neste ano será disputado na Coreia do Sul.

De acordo com a desenvolvedora, tais equipes transmitirão os confrontos de dentro dos estúdios da empresa nos Estados Unidos. Porém, após esse anúncio a Riot vem sendo questionada sobre o assunto pela comunidade.

Numa publicação no Reddit, Derrick “FearGorm” Asiedu, líder global de esports na Riot Games, disse que a produtora está “muito longe de dar lucro”. De acordo com o executivo, a empresa investe cerca de US$ 100 milhões ao redor do mundo. “Em vez de apenas fazer os esports acontecerem e serem incríveis também queremos nos concentrar em tornar isso um esforço financeiramente sustentável que pode durar décadas ou mais", escreveu.

FearGorm revela ainda que a Riot está realizando medidas para cortar gastos no curto prazo, como cortar custos de viagens para as equipes de transmissão, enquanto implementa estratégias para aumentar a receita.

“Acreditamos que incrementar a receita vai nos ajudar muito a balançar as contas do que simplesmente cortar custos. Então ao redor do mundo estamos focando em aumentar essa receita”, contou. Nos últimos meses a Riot aumentou o número de patrocinadores da LCS NA firmando parcerias com State Farm, DXRacer e entre outras marcas locais.

Asiedu reforçou que a Riot pretende continuar a investir nos esports, mas tem que fazer isso e ainda manter o negócio principal sustentável. “No futuro queremos investir ainda mais do que investimos agora, mas isso só será possível se fizer sentido para os negócios (e se a receita continuar a ser incrementada)”.

O diretor disse que esse corte de custos “não tem nada a ver com nosso relacionamento com a Tecent”, mas que é algo que nós queremos fazer para durar em longo prazo”. A Tecent é um conglomerado de investidores chineses que adquiriu todas as ações da Riot em 2015.

Recentemente foi revelado em reportagem do site The Information que as relações entre Riot Games e Tecent estariam estremecidas tendo em vista a negativa da produtora em criar uma versão mobile de League of Legends, entre outros fatores.

CORTE DE GASTOS FOI GLOBAL

Além de todos os questionamentos sobre os narradores não estarem presentes no Mundial, a Riot foi pressionada a falar também sobre o local escolhido para receber as finais da primeira etapa da liga norte-americana (LCS NA): o Fillmore Miami, que tem capacidade para mil pessoas.

Chris “RiotChopper” Hopper, chefe de esports nos EUA, declarou na ocasião que, “enquanto o Fillmore possa ser bem menor que nossas finais anteriores, nós acreditamos que isso pode, na verdade, beneficiar nossos planos para eventos futuros”. Na época, porém, nada foi dito que a equação também envolvia corte de gastos.

Na Europa as finais da primeira etapa foram realizadas no Royal Arena, em Copenhagen, Dinamarca com 16 mil assentos. Já o Mid-Season Invitational as duas primeiras fases realizadas nos estúdios da Riot em Berlim, Alemanha e apenas as semifinais e a grande final foram realizadas no Le Zénith, em Paris – que há quatro anos foi casa do All-Stars 2014.

No Brasil o Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) também teve as finais não sendo realizadas num grande estádio ou local vultuoso. Todo o mata-mata da competição foi disputado no estúdio da Riot, em São Paulo, e o local escolhido pela empresa para realizar a final da segunda etapa também foi questionada pela comunidade nacional.

Segundo a companhia, o auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, tem capacidade para 3 mil pessoas, mas que o número de espectadores não era apenas um fator na equação para a escolha de local.

“Quando buscamos um espaço para fazer um evento, procuramos uma combinação de dois fatores: uma cidade onde haja uma comunidade engajada com League of Legends e também lugares que sejam icônicos para a comunidade local e que ofereçam infraestrutura necessária para que possamos produzir um show surpreendente”, explicou Carlos Antunes, diretor de esports da Riot Games Brasil para o ESPN Esports Brasil.

O diretor disse também que a Riot não buscava fazer eventos maiores, mas sim trazer a melhor experiência ao público. “O que podemos dizer é que estado e capacidade de público podem variar de acordo com a nossa proposta, conceito do evento e cidade-sede. O que conta é sempre a melhor experiência e isso nem sempre está relacionado com um evento maior, como ocorre em eventos de música, por exemplo”, afirmou.

Entretanto, com a declaração Asiedu, que avisa que o corte de gastos com esports foi global, a escolha de realizar eventos em locais com menor capacidade de público (e, com isso menor gastos no total) fica explícita.