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Para Sheever, crescimento do cenário sul-americano de Dota 2 pode formar 'times assustadores'

Jorien "Sheever" van der Heijden, comentarista, analista e host de Dota 2. Reprodução

O Brasil, ou mais especificamente a cidade de São Paulo, recebeu uma visita especial nesta semana. A comentarista, analista, apresentadora e entrevistadora Jorien "Sheever" van der Heijden, famosa por suas participações em torneios de Dota 2, passou pela cidade para realizar filmagens e entrevistas com a paiN Gaming para o The International 8.

Em um meet & greet “de surpresa” realizado com os jogadores da paiN, a comentarista conversou com o ESPN Esports Brasil sobre sua história no Dota 2, o crescimento do cenário, a região da América do Sul e as expectativas para o TI8.

Terceira de quatro filhos, Sheever conta que se envolveu com videogames ainda criança. “Tínhamos um computador em casa, e cada irmão tinha uma hora para jogar”, lembra. “Jogamos jogos de DOS e depois passamos para títulos como Sim City. O primeiro jogo que eu comprei foi GTA, não lembro se foi o 2 ou o 3. E, em algum ponto, os jogos evoluíram e eu conheci Warcraft 3, e foi então que eu comecei a jogar DotA”.

Originalmente um mod de Warcraft 3, Defense of the Ancients (ou DotA) foi abraçado pela Valve e transformado em um novo jogo, Dota 2, em conjunto com o criador Icefrog. O novo título foi lançado em fase beta ao fim de 2011, e Sheever logo passou a “jogar sem parar”.

“Eu jogava praticamente o dia todo enquanto esperava abrir uma vaga em organização de eventos. Eu não tinha nenhuma experiência nisso, então comecei a participar de eventos amadores de Dota 2”, explica. “Passei a comentar nesses eventos porque queríamos mais exposição para as partidas, e foi assim que eu comecei a ser comentarista. Foi um hobby que se tornou algo muito maior”.

Em 2012, Sheever foi chamada para ser caster de um projeto do site GosuGamers que durou até o início do ano seguinte. Neste meio tempo, a comentarista participou do The International 2012 e não parou mais. Em 6 anos, Sheever já fez parte da equipe de transmissão de mais de 35 torneios de Dota 2, seja como comentarista, analista, apresentadora e/ou entrevistadora. Nos últimos tempos, Sheever ainda continuou fazendo seu ótimo trabalho enquanto tratava um câncer de mama que a fez perder cabelo e adotar um corte "pixie cut".

Com tanto tempo de cenário de Dota 2, Sheever é considerada uma especialista na área. Por isso, perguntamos o que ela acha do novo sistema do Dota Pro Circuit - que distribui pontos em eventos da temporada para convites diretos ao TI8 - e da expansão que o cenário vem tendo em regiões “menores”, como a América do Sul.

“Eu acho que o sistema é muito bom”, afirmou ela. “Acho que esse ano foi louco em questão da quantidade de eventos, mas acho que [o sistema] está indo na direção certa. Temos o International todo ano com uma premiação enorme, mas você quer conectar isso a eventos durante o ano para que os times queiram participar deles, evitando também um vazio depois do TI e que os times só liguem pra ele, então eu realmente gosto do sistema DPC. Ele traz mais significado para outros eventos além do TI e estou muito feliz que ele está sendo utilizado e que estão buscando a melhor forma para ele funcionar”.

Sobre a América do Sul, Sheever também é otimista. Apesar de acompanhar o cenário há pouco tempo, a comentarista acredita que o sistema DPC só tende a fazer a região crescer e formar “times assustadores”.

“Se você olha pra paiN agora, ela é uma equipe muito assustadora, e isso foi com apenas um ano jogando em eventos internacionais. Só consigo imaginar o que eles podem fazer com mais um ano jogando dessa forma”, comenta Sheever. “E ela é apenas uma equipe. Presumo que terão pelo menos três equipes na próxima temporada que serão muito assustadoras, e essa cena vai se tornar cada vez mais competitiva. Acho que a região pode crescer muito porque há muitos jogadores talentosos na América do Sul, e que nos anos a seguir teremos muito mais times assustadores saindo daqui”.

Além das conquistas recentes da paiN, como vitórias contra Na`Vi e Team Liquid e um terceiro lugar na ESL One Birmigham, Sheever vê as chegadas de estrangeiros como indicativo do crescimento da região. Enquanto a paiN contratou o romeno Aliwi "w33" Omar, a SG investiu na dupla norte-americana Francis "FrancisLee" Lee e Stanley "Stan King" Yang.

“No passado, as pessoas não queriam vir para a América do Sul porque estavam muito incertas do que poderiam conquistar aqui, mas agora que há qualificatórias para a região é óbvio o que você pode conquistar aqui e o quão bom você pode ser”, afirma ela. “O caminho para o TI - que é o que todo jogador percorre - está muito claro, não só para jogadores de outras regiões, mas também para os da América do Sul. Isso não estava tão claro antes, mas agora está”.

Enquanto a paiN aguarda para estrear no TI8 e Sheever prepara material para os vídeos do torneio, perguntamos a ela quais são as expectativas para o ‘Mundial’ do jogo. Para ela, os times mais fortes são óbvios, mas que isso não significa muita coisa na história do torneio.

“Sabemos que a Virtus.pro, a Team Liquid e a LGD são os times mais fortes, mas até agora, tirando o TI3, o time mais forte e favorito nunca ganhou. Posso dizer que esses são os times mais fortes, mas isso também coloca uma mira nas costas deles. Eles são os times que os outros vão querer derrotar e não sei se um deles será o campeão”, explica ela.

Por ser um ano par, a história do TI prevê que um time chinês será o vencedor do torneio, e Sheever pondera: “A LGD está forte e não ficaria surpresa se eles vencerem, mas acho que a competição neste TI está maior e que todo time que disputará o torneio tem uma chance”.

O TI8 acontece em Vancouver, Canadá, de 15 a 25 de agosto. Até o momento, a premiação do torneio já ultrapassou a casa dos US$ 20 milhões.