Esta quinta (14) não será como outra qualquer para o competitivo de Dota 2. Isso porque ela marca o início das qualificatórias abertas e regionais para o The International 8, o ‘Mundial’ do jogo que acontecerá em agosto no Canadá.
Equipe brasileira (e sul-americana) com o melhor resultado em um torneio internacional e oficial do jogo até hoje, a paiN Gaming é uma das favoritas para garantir a única vaga da região para o TI8. Entretanto, o caminho não será fácil.
Por ter adicionado o romeno Omar “w33” a sua escalação, a paiN foi impedida de receber um convite direto para as qualificatórias fechadas e terá que passar pelas abertas - o que acaba sendo um risco, já que os jogos são md1.
O mesmo fato é verdadeiro para todas as outras equipes da região. Nenhum time foi convidado diretamente para as qualificatórias fechadas, assim como não é só a paiN que possui um estrangeiro em sua escalação. O veterano Fear (ex-EG) e o amigo Kyle se uniram a três peruanos para jogar como a GDV, enquanto a SG e-sports contratou dois norte-americanos que vieram ao Brasil treinar e disputar a vaga.
A paiN, no entanto, está usando a recente conquista do terceiro lugar na ESL One Birmingham para manter sua confiança, mas sem deixar a vitória subir à cabeça. “Tendo em mente nossos resultados nos últimos torneios, é claro que estamos bem confiantes em relação à classificação para a closed. Mesmo assim, continuamos nos preparando com o mesmo afinco de antes”, afirmaram Danylo “Kingrd” Nascimento e Otávio “Tavo” Gabriel ao ESPN Esports Brasil.
PREPARAÇÃO, COMUNICAÇÃO E EMOÇÃO
Enquanto a chegada de um estrangeiro à paiN causou dúvida aos fãs por conta de problemas de comunicação, a equipe conseguiu provar o contrário em sua participação no Epicenter XL e no próprio ESL One Birmingham. Neste último torneio, inclusive, o apresentador perguntou a w33 como era jogar com os brasileiros, e ele respondeu que o time falava português e ele apenas “jogava um pub”.
Perguntamos para os jogadores da paiN sobre a resposta de w33 e se o fator da comunicação realmente é algo que preocupa o time. Segundo Kingrd e Tavo, w33 fez uma brincadeira, “mas é óbvio que às vezes ele acaba ficando um pouco de fora nas discussões acaloradas que começamos em time”.
No entanto, a dupla garante que a equipe já está muito melhor no quesito comunicação. “ Colocamos o nosso inglês para trabalhar todos os dias, e com o tempo estamos melhorando não só a comunicação em jogo, mas também a fluência do idioma nos players”, afirmam. “O Omar até já entende várias coisas que falamos apenas em português, e já sabe falar algumas coisas também, como palavrões e dizer que está com fome”.
Além da comunicação, a paiN também está caprichando na preparação para os torneios. Antes da ESL One Birmingham, a equipe fez um bootcamp na Polônia, e o suporte Heitor "Duster" Pereira frisou bastante que a paiN seguia o plano e os picks preparados.
Kingrd e Tavo se aprofundaram no tema, afirmando que o fato da equipe ter ficado tanto tempo sem um mid permanente a deixou “extremamente adaptável”. “Treinar contra times de diferentes regiões também deixa o nosso Dota bem versátil, mas não adianta realmente se preparar e planejar uma coisa e chegar na hora dos picks ter ideias diferentes demais do nosso estilo de jogo por causa das escolhas dos adversários”, explicam.
Eles complementam: “É uma ciência muito sensível. É uma mistura entre se adaptar ao inimigo porém manter o estilo que estamos acostumados e nos preparamos”.
Outra ciência sensível é a das emoções, e a paiN também trabalha para melhorar cada vez mais a calma da equipe durante situações difíceis em busca de uma virada - como a alcançada no terceiro jogo contra a Fnatic na ESL One Birmingham pelo terceiro lugar da competição.
“Quando estamos perdendo em uma desvantagem de 10 mil aos 20 minutos de partida, pedir calma ou mesmo tentar manter a calma é muito difícil. A adrenalina bate alta e o time começa a perder o foco”, dizem os jogadores. “Acho que o que mais conta na hora de lidar com esses momentos é a experiência como jogador, saber que as situações, principalmente no Dota, são reversíveis, mesmo quando está aparentemente tudo perdido. Ter participado de tantas lans [presenciais] nos últimos meses com certeza trouxe essa ‘maturidade’ pra dentro do nosso jogo”.
MEU DEUS
— ESL Brasil (@eslbrasil) May 27, 2018
MEU DEEEEEEEEEEEEUS CLÃ
GRITA COM A GENTEEEEEEEE!@PaiNGamingBR LEVA O 3º LUGAR DA #ESLOne EM CIMA DA @FNATIC!
AAAAAAAAAH! 🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷#ESLOne#GOpaiN pic.twitter.com/OVNYsZfNJr
O NOVO DOTA PRO CIRCUIT
A semana passada viu a Valve anunciar mudanças para a próxima temporada do Dota Pro Circuit, como a diminuição de minors e majors, a retirada da “trava” de escalação para equipes e o fim de convites para minors e majors.
Kingrd e Tavo também deram sua opinião sobre o assunto: “Referente a trava de escalações, era evidente que não estava dando certo. Ter a liberdade de trocar de time a qualquer momento é muito bom, mas trocar de time acaba saindo mais ‘caro’ do que antes, uma vez que os DPC points são da organização e não do player. Alguns podem se dar bem, outros mal”, alertam.
Em relação aos convites, os jogadores consideram que pode ser um pouco prejudicial, pois dizem que certamente conseguiriam um convite direto para um evento na próxima temporada. Entretanto, o sistema é bom para regiões menores.
“Isso dá uma força enorme para as regiões como CIS, SA ou SEA que têm vários times em ascensão finalmente ganharem visibilidade. Fortalecer a região da América do Sul (SA) é algo que a gente sempre lutou, então essas novidades foram bem vindas”, dizem. “Para os times grandes e já consolidados não deve mudar muita coisa, apenas o fato de terem que lutar todas às vezes pela vaga da região na Major, mas sendo times tão ‘superiores ‘ isso não deveria ser um problema, né?”
No geral, Kingrd e Tavo estão animados com as mudanças, principalmente pela possibilidade de mais investimento e visibilidade chegando à América do Sul. “Lá fora a gente vê como existe o preconceito contra o Dota SA. As oportunidades que a região tem são muito recentes. Ano passado enviamos o primeiro time sul-americano para o The International. O primeiro! Já era o TI 7!”, lembram.
“É uma loucura agora isso de ver o Brasil se destacando tanto, e o resultado já acontecendo tão rápido. Jogadores estrangeiros vindo para times nacionais, jogadores norte-americanos vindo jogar qualificatórias na região. Tudo isso soma pontos para visibilidade da nossa região”, complementam.
Os jogadores também acreditam que a região ser “barata” para organizações, se comparada à América do Norte e Europa, é outro fator para atrair investimentos. “Aqui, o investimento e manutenção da estrutura de um time são intermináveis em diversas frentes, não apenas estrutural. Sendo o Dota um esporte eletrônico não tão popular como o League of Legends ou CS:GO, mais equipes brasileiras ou sul-americanas no geral indo disputar lá fora gera o interesse tanto de público quanto de investidores”, garantem.
QUALIFICATÓRIAS PARA O TI8
A América do Sul terá duas qualificatórias abertas para o TI8. A primeira começa nesta quinta (14), a partir das 17h, e classificará três equipes para as qualificatórias fechadas. Já a segunda começa no sábado (16), no mesmo horário, e classificará mais três equipes para a próxima fase.
Ambas as qualificatórias têm espaço para um total de 512 times cada. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui para a primeira, e aqui para a segunda.
A qualificatória fechada regional da América do Sul valendo uma vaga no TI8 começa em 18 de junho.
