Após o fim da parceria de 3 décadas, EA e FIFA se armam com licenças para atrair o jogador, mas a entidade máxima do futebol pode ter alguns trunfos.
Por muito tempo, Winning Eleven, da Konami, e Fifa, da Electronic Arts, disputaram a atenção do fã de futebol virtual. O primeiro reinou em boa parte do início do século, mas viu o crescimento do seu concorrente, que acumulou um série de licenças de jogadores e torneios ao longo dos anos. Para conter esse avanço, a Konami até tentou acordos com clubes europeus, mas teve um tropeço gigante com o lançamento do eFootball.
Enquanto isso, Fifa cresceu graças à suas atrações (conteúdo), à falta de outros concorrentes a altura e apesar de seus problemas crônicos, como foco em microtransções e a falta de uma evolução mais profunda.
Acontece que a linha do tempo de Fifa, como vimos nos últimos anos, não existirá mais a partir de setembro de 2023. Após 3 décadas de uma lucrativa parceria entre a Electronic Arts e a entidade máxima do futebol, a FIFA, o ano de 2023 será um marco para o futebol virtual. De um lado, a EA anuncia seu EA Sports FC. Do outro, a FIFA, ainda sem data definida, terá seu jogo próprio. Acrescente a esse cenário a tentativa da Konami de voltar a ser competitiva com eFootball e o lançamento de novos games, GOALS e UFL.
Se os jogadores esfregam as mãos para saber qual jogo escolher, afinal concorrência estimula evolução, vamos nos focar no embate que promete monopolizar o cenário: EA Sports FC e o game da FIFA. Os dois games se apresentam como os principais agentes dessa luta pela atenção do jogador e um fator já conhecido será essencial para estar a frente: as licenças de uso.
EU TENHO, VOCÊ NÃO TEM... OU TEM?
O cronograma da EA Sports é um pouco mais conhecido que o game da FIFA. Enquanto Gianni Infatino, presidente da entidade, diz que mais informações do seu game serão divulgadas em breve, a EA já confirmou o acordo com mais 19.000 atletas, 700 times e 30 ligas e o lançamento já em 2023. Resumindo: a luta pelo jogador já começou e vai além do desenvolvimento do game.
Como entidade máxima do futebol, a FIFA tem certa vantagem em dialogar com entidades e associações na busca por licenças. UEFA, CONMEBOL, FIFPRO e outras entidades precisam ser consultadas para estarem no mundo virtual, ou o game se torna algo genérico, como é o caso do futebol brasileiro em Fifa. Aliás, o Brasileirão pode vir a ser uma novidade no EA Sports FC.
EA Sports FC se movimenta nesse sentido, mas há alguns eventos pelo mundo que podem ser exclusivos no game da FIFA – e exclusividade vale ouro nesse tipo de disputa.
A EA manter sob suas asas, mesmo sem exclusividade, torneios como LaLiga, Premier League, Libertadores, torneios femininos e outras licenças é uma grande vitória na disputa que se avizinha. Porém, há eventos que serão verdadeiros trunfos para o game da FIFA: aqueles organizados pela própria entidade.
TORNEIOS DE RENOME
A FIFA está atrás na corrida com a EA, já que todo o know-how ficou com a Electronic Arts após o fim da parceria. A entidade terá que fazer algo do zero ou buscar algo já em produção, mas essa é uma conversa para outra oportunidade. Por hora, além dos torneios que a EA tem, a FIFA possui licenças que podem ser fundamentais: os torneios que ela própria organiza.
Sob seu comando, a FIFA terá a disposição em seu game mundiais de base, a Copa do Mundo masculina e feminina e o Mundial de Clubes, incluindo a versão turbinada com 32 equipes. São marcas importantes, de eventos que reúnem a nata do futebol mundial. É difícil de imaginar que a FIFA compartilhe com a concorrência as poucas licenças que ela tem poder de decisão. Por mais dinheiro que a EA coloque na jogada, a escassez de exclusividade tem um valor ainda maior.
Se bem usada, licenças como Copa do Mundo e Mundial de Clubes, mesmo com uma sazonalidade espaçada, são um enorme trunfo. Dito isso, que essa “guerra” que surge no horizonte force EA, FIFA, GOALS, UFL, eFootball ou qualquer outro game de futebol a evoluir e apresentar um conteúdo de qualidade. O jogador que gosta de futebol no mundo virtual agradece.
