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Análise | MLB The Show 23 finalmente salta para nova geração com mudanças no gameplay de defesa, som e gráficos

Veja o review do MLB The Show 23, que destaca melhorias técnicas e o Negro Leagues.


Algumas franquias de videogame enfrentam anualmente o desafio de soarem como uma “novidade imperdível”. Call of Duty tem essa ingrata missão a cada ano, assim como os jogos esportivos. Eis que entramos no dilema que sempre permeia este tipo de análise: MLB The Show 23, jogo de beisebol, mudou o suficiente para você pagar o valor de um Elden Ring ou Hogwarts Legacy “da vida” num jogo de esporte anual? Como sempre, eu venho com a mesma resposta: depende.

Você assiste a temporada 2023 da Major League Baseball nos canais ESPN e no Star+ a partir de 30 de março.

A maior parte das desenvolvedoras de jogos anuais tenta vender o contraste entre um ano o outro e a necessidade do jogador se atualizar. Melhores gráficos geralmente são uma justificativa plausível e, na medida que as desenvolvedoras vão se ambientando com uma nova geração, as coisas vão melhorando na mesma medida. Não é de se surpreender que The Last Of Us seja o jogo com os gráficos mais bonitos do PlayStation 3 e que Gran Turismo 4 tenha a mesma condição no PlayStation 2: ambos foram feitos no final do ciclo da geração de seus consoles.

Não usei os dois últimos exemplos por acaso. Ambos são de desenvolvedoras first party da Sony, a exemplo do MLB The Show (feito pela San Diego Studio). Estúdios “da casa” costumam “dar um salto” mais cedo e melhor.

A sensação da nova geração finalmente começa a aparecer nesta versão de MLB The Show. Os gráficos nitidamente estão mais limpos e bonitos; os uniformes, com texturas mais bem trabalhadas; a pele dos jogadores, idem. Houve a adição de mais animações em todos os setores do jogo, o que deixou a partida mais parecida com a vida real.

De toda forma, o grande acerto do San Diego Studio foi na questão do som. Quem já foi num jogo de beisebol ao vivo sabe como o barulho do bastão acertando a bolinha geralmente indica quão bom foi o contato – algo que não estava tão adequado nos jogos anteriores. O mesmo acontece com barulho da bolinha na luva. Estes detalhes fazem com que o jogo transmita algo diferente. É uma mudança que, quando analisada paralelamente com a edição 22, que fiz que questão de comparar, nos dá a tal sensação de “novidade imperdível”.

SAINDO DO PILOTO AUTOMÁTICO

Durante o último World Baseball Classic, vencido pelo Japão, tive uma vontade aleatória de descobrir se existia algum jogo da liga profissional de beisebol japonesa. Existe: é o Professional Baseball Spirits, feito pela Konami, mas sem distribuição no ocidente. Por aqui, temos MLB The Show 23, que joguei freneticamente por 10 dias. A primeira impressão? De maneira torta, The Show até parecia o jogo oriental, aquele da Konami. A semelhança não se dá por serem parecidos, mas diferentes.

A defesa no MLB The Show, até sua edição do ano passado, era um grande piloto automático. Para capturar a bolinha, uma barra aparecia, você pressionava o botão até a metade e estava tudo resolvido: bola perfeitamente lançada para a base e eliminação feita.

Era um grande piloto automático, algo que eu nem prestava atenção no que estava fazendo, já que tirava a sensação de imersão. Um videogame, de maneira intrínseca, deve ser algo interativo com o que está na tela.

Era o mesmo problema quando você controlava o pitching: o pulse pitching era demais e isso foi corrigido revivendo uma mecânica que já havia aparecido na indústria, com o pin point (desenhar na tela com o analógico).

O que mudou? A parte “verde” da barrinha agora é dinâmica em função da dificuldade do lançamento e, também, da habilidade do atleta que você controla. A quantidade de erros que tive por estar viciado na estrutura dos jogos passado foi gigantesca. Isso é um bom sinal. Nas três fases – arremessar, defender e rebater – o jogo requer sua atenção.

AINDA HÁ O “MAIS DO MESMO”

A campanha das Negro Leagues, bastante educativa e fundamental para entender uma faceta de preconceito e segregação que ocorreram nos EUA em meados do século passado, é uma grata adição. Culturalmente falando, é importante que esse passado não seja mais segregado. No mais, nada de novo no reino.

Houve uma mudança cosmética aqui e ali, como a melhora e um refino no sistema de olheiros para o Draft da MLB quando se joga o Franchise – um tanto quanto inspirado no Madden da EA, diga-se.

De toda forma, o MyNBA da NBA 2K segue imbatível em termos de profundidade. O MLB The Show tenta fazer sua parte, mas ainda falta bastante para que o modo fique satisfatório. Mudar regras do esporte de acordo coletivo de trabalho, por exemplo, dá uma camada maior de imersão e não está presente aqui. Idem para outras tantas questões que o NBA 2k já apresenta há bastante tempo, como temporadas históricas.

O Road to The Show é idêntico - nem a cena padrão do menu do vestiário foi mudada. A verdade é que esse foi um modo de jogo vilipendiado nos últimos anos e que perdeu recursos. O quê de “RPG”, com arquétipos, foi sumindo e na prática hoje você joga uma carreira com uma carta própria do Diamond Dynasty.

ESPERE UMA PROMOÇÃO, MAS NÃO MUITO TEMPO

Nos últimos meses, os preços dos jogos aumentaram e lançamentos dificilmente saem por menos de R$ 300 reais na atual geração. No caso de um jogo anual, essa é uma conta ainda mais importante.

MLB The Show 23 mudou o suficiente? Não, levando em consideração seu preço de lançamento. É fato que se trata de algo novo, mas não o suficiente, para desembolsar preço de lançamento.

Porém, temos mudança de regras no beisebol neste ano, um incentivo para essa transição. Agora é possível que Shohei Ohtani lance e rebate no mesmo jogo (aleluia), mas não há pitch clock no jogo. Em contrapartida, o calendário reflete a realidade de 2023, com todos os times enfrentando todos e os shifts estão regulamentados de acordo com a nova temporada. O jogo soa e parece melhor. Por conta disso e, lembrando que a temporada é longa, se fosse você, compraria na primeira promoção que rolar.

MLB The Show 23 possui versões para PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series S|X, Xbox One e Nintendo Switch.