Exclusivo: Fifa não dá data e diz que Mundial de Clubes feminino não depende só dela

Sem dúvidas, 2019 tem sido o ano do futebol feminino. A Copa do Mundo deixou claro o quanto o jogo é não apenas de alto nível, mas também rentável. Tendo isto em vista, o presidente da Fifa Gianni Infantino apresentou cinco propostas para desenvolver a modalidade logo após a competição.

E após o título do Corinthians na Libertadores, novamente os questionamentos sobre um Mundial de Clubes feminino voltaram à tona. Algumas ‘propostas’ foram feitas pelo público, como um possível confronto entre o campeão da Copa Libertadores e o campeão da UEFA Women’s Champions League, o Lyon, da França.

Dentre as propostas divulgadas por Infantino, uma delas era de fato o desenvolvimento da competição. Além de trazer o assunto na coletiva de imprensa após a Copa do Mundo, também reiterou a questão durante a Conferência da Fifa, que aconteceu em setembro.

“Achamos que não tem como desenvolver o futebol feminino apenas com as seleções, temos que ter clubes também e devemos dar a estes clubes mais razões para investir. Mais uma razão, é dar a eles um cenário para que possam mostrar sua performance”, afirmou o presidente.

O espnW.com.br entrou em contato com a Fifa, que confirmou que o assunto está sendo debatido e desenvolvido. “Faz parte de um pacote de propostas que a Fifa está fazendo, incluindo por exemplo o investimento de 1 bilhão de dólares no futebol feminino entre 2019 e 2022”, disse um porta-voz da entidade em contato telefônico.

Segundo ele, não há uma data específica para que a competição comece, principalmente pelo fato de não ser algo que dependa só da Fifa. “Não temos a posição de data porque é algo que precisa ser planejado e não decidido apenas pela Fifa, mas envolve os clubes e as federações”, explicou.

Durante a conferência de setembro, porém, Infantino mostrou-se otimista e disse acreditar não ser tão difícil assim desenvolver o Mundial de Clubes, achando possível que aconteça já em 2020 ou 2021.

Investimento

Além da possível criação de um Mundial de Clubes feminino, a Fifa confirmou o investimento de 1 bilhão de dólares ao longo do ciclo 2019-2022.

“É um resultado de um acordo sobre um financiamento extra, de um fundo de 500 milhões de dólares. O valor será retirado das reservas da Fifa como um complemento ao valor de 500 milhões já aprovados pelo Congresso da Fifa para serem investidos no futebol feminino, de acordo com o orçamento do atual ciclo de quatro anos”, disse porta-voz.

Gianni Infantino defende que o futebol feminino não deve ser tratado como o masculino, já que há suas diferenças, e durante o congresso, reconheceu que a falha também vem da entidade.

“Temos que comercializar de forma diferente e agora temos uma desculpa, porque a Copa do Mundo da França mostrou o quanto vale a pena investir”, disse o presidente, lembrando as metas alcançadas e os recordes de audiência quebrados.

Cabe destacar que a premiação da disputa na França foi de 30 milhões de dólares, 15 milhões (logo, 50% maior) a mais do que o mundial anterior, no Canadá.

Gianni Infantino também quer aumentar o número de seleções participantes para a edição de 2023, ainda sem sede definida, de 24 para 32 seleções.