Um dos maiores nomes da história do MMA feminino está fazendo uma mudança.
O Bellator anunciou na última terça-feira que assinou um contrato de muitos anos e para muitas lutas com Cris Cyborg. Ela rompeu com o Ultimate após fazer a última luta do contrato no UFC 240 contra Felicia Spencer, em julho.
A saída estava praticamente oficializada, depois de três duros anos no UFC, quando o presidente Dana White disse que ele estava ‘fora do negócio de Cris Cyborg’ alguns dias depois.
As coisas nunca funcionaram muito bem entre UFC e Cyborg. Haviam muitos ressentimentos entre Cyborg e Dana White antes de Cyborg terminar o contrato. Conforme o esperado, ela seguiu em frente e o Bellator (e seu ex-promotor Scott Coker) é o destino.
O que o futuro trará? O quanto Cyborg perdeu o gás depois de ser nocauteada por Amanda Nunes em dezembro? O que isso significa para a já estreita divisão feminina de pesos-pena do UFC?
Respondemos as essas e muitas outras questões abaixo.
Contra quem Cyborg vai lutar?
A escolha mais clara é uma luta contra a campeã dos pesos-pena Julia Budd. Essa é realmente a única escolha, dada a posição de Cyborg como uma das maiores lutadoras do planeta. Budd venceu 11 lutas seguidas e é uma digna oponente para Cyborg, que continua sendo temida. Ninguém mais na lista do Bellator taria tanto cachê para lutar contra Cyborg em sua estreia como Budd, que finalizou três de suas quatro últimas oponentes e tem um ótimo backgrond de trocação.
Se Cyborg conseguir sobreviver a Budd, fica muito mais difícil encontrar uma adversária adequada a ela. No anúncio de Cyborg pelo Bellator, foram mencionados nomes como Olga Rubin, Arlene Blencowe, Janay Harding e Leslie Smith na divisão dos penas.
É um pouco mais robusto do que o UFC tem hoje na categoria, mas não tanto. Cyborg seria favorita contra todas elas. O presidente do Bellator, Scott Coker disse que o time está absolutamente interessado em assinar com Cat Zingano, que pode ser uma futura luta a paranaense caso seja feito o acordo.
Por que o Bellator assinou com ela?
Cyborg é indiscutivelmente a melhor lutadora de todos os tempos e o argumento não mudou depois que ela foi nocauteada por Amanda Nunes no UFC 232. Cyborg permanece uma excelente lutadora aos 34 anos e segue como um grande nome.
Fora Chael Sonnen, ela pode ser considerada um dos maiores nomes que fechou com o Bellator após finalizar o contrato com o UFC, principalmente aos olhos dos fãs.
Bellator teve um grande ganho nos últimos anos. De acordo com uma reportagem do Bloody Elbow, baseado em projeções, estima-se que o Bellator gere 80 milhões de dólares em receita este ano e até US 100 milhões em 2020.
Cyborg é outro grande nome que dá credibilidade a promoção, junto com outros ex-lutadores do UFC como Ryan Bader, Rory MacDonald e Gegard Mousasi. A Viacom ainda parece estar comprometida em fazer do Bellator uma alternativa legítima ao UFC.
Foi a decisão certa para Cyborg?
Pareciam ter outras opções atraentes para ela. ONE Championship está com muito dinheiro e poderia oferecer uma revanche contra Jorina Baars, a mulher que a venceu em uma luta de muay thai em 2014. Professional Fighters League (PFL) está pagando os lutadores decentemente, incluindo uma premiação de 1 milhão de dólares no final da temporada anual. PFL também está pronto para um confronto com a bicampeã olímpica Kayla Harrison contra Cyborg. E também tem o Rizin, que ainda poderia estar em jogo considerando a relação entre o Bellator e a companhia japonesa.
No fim, o Bellator foi provavelmente a aposta mais segura. Cyborg é conhecida de Coker há anos. Ele a promoveu no Strikeforce e os dois sempre tiveram uma relação forte. Coker disse que o contrato de Cyborg é o maior de todos os tempos na história do MMA feminino, embora não esteja claro o que isso significa.
Outro ponto positivo para Cyborg: ela tem habilidade de se aventurar em outros esportes de combate, como boxe, kickboxing ou wrestling, de acordo com seu agente Audie Attar. Coker disse a Ariel Helwani no MMA Show que Cyborg estava muito interessada em competir boxe e ele estava totalmente de acordo com isso. A flexibilidade é boa e Cyborg expressou seu desejo de passar por diversas coisas diferentes.
Quanta gasolina Cyborg ainda tem no tanque?
O suficiente para ter uma dominância em sua corrida pelo Bellator. Cyborg foi nocauteada por Amanda Nunes, o que foi um choque. E não limpou completamente o terreno contra Spencer, mas ela a venceu com bastante facilidade e não está claro ainda se o Bellator terá alguém melhor do que Spencer para desbanca-la, fora Budd.
Coker disse que espera a aposentadoria de Cyborg no Bellator e completou dizendo que acredita que ela ainda tem três ou quatro anos. Isso parece razoável. Cyborg tem 34 anos e provavelmente não está mais em seu auge atlético. Mas ela também reforçou sua técnica e tática perspicaz ao longo dos anos com seu treinador Jason Parillo.
Será interessante ver a astuta Cyborg, em meados dos seus 30 anos em ação no Bellator e compará-la com a brasileira feroz de 20 e poucos anos que foi, na época, notada na Chuteboxe.
Esse será o fim da categoria peso-pena no UFC?
Se esse não é o fim, com certeza está correndo riscos. A revanche entre Cyborg e Amanda Nunes traria muito dinheiro ao UFC e às duas brasileiras. Se Cyborg vencesse, abriria a porta para uma trilogia. Amanda não se mostrou tão interessada em lutar na categoria até 66kg. Ela tem o cinturão da categoria até 61kg, onde é dominante. Não dá para colocar a culpa nela, já que existem poucos confrontos convincentes no peso pena.
Na terça-feira, o site do UFC lista seis lutadoras do peso pena da lista da companhia. Uma é Cyborg. Zingano é outra. Restaram quarto. O ‘Ultimate Fighter 28’ contou com mulheres da categoria, mas as duas finalistas (Macy Chiasson e Pannie Kianzad), agora competem pelo peso galo. Então mesmo com Cyborg, não tinha muita gente na categoria. E o fato dela partir, não melhora em nada.
