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Fenômeno do basquete, Wlamir Marques chega aos 84 anos eternizado no Hall da Fama pelo COB

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Um presente para Wlamir Marques: fenômeno do basquete entra para o Hall da Fama do COB no aniversário de 84 anos (8:10)

Wlamir Marques foi bicampeão mundial e duas vezes medalhista em Olimpíadas. Agora está eternizado no esporte nacional também pelo Comitê Olímpico Brasileiro (8:10)

Era para ser mais uma sexta-feira comum, sem novidades, na vida de um senhor que completava, exatamente naquele dia 16 de julho de 2021, 84 anos de vida. Mas, não foi.

A data foi minuciosamente escolhida pelo ex-jogador de basquete Wlamir Marques para receber uma da mais relevantes homenagens e, o mais importante, em vida: ser eternizado no Hall da Fama do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

A cerimônia, que contou com 12 presentes, dos quais três da própria família de Wlamir, ocorreu na área de lazer do prédio onde reside o ex-jogador, no bairro do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, no último dia 16.

Representando o COB estava o medalhista de ouro nos Jogos de 1992, em Barcelona, Rogério Sampaio. Ex-atleta de judô e atualmente diretor geral da entidade, ele homenageou Wlamir falando por 15 minutos sobre as conquistas do Diabo Loiro.

“Não tem como não homenagear um homem que conquistou o que ele conquistou: quatro medalhas em mundiais [dois ouros], duas medalhas olímpicas [bronze em Roma, em 1960, e em Tóquio, em 1964], vários Pan-Americanos, Sul-Americanos, enfim, Wlamir é um vencedor dentro e fora das quadras, pois também foi bem sucedido como técnico de grandes times no masculino e no feminino e professor de educação física, além de comentarista de televisão,” enfatizou o segundo homem mais forte do COB.

Em contrapartida, Wlamir enalteceu os companheiros de Tumiaru, XV de Piracicaba e Corinthians e também da seleção. Deu destaque também aos adversários que, segundo o eterno camisa 5, fizeram com que ele buscasse ser cada vez melhor.

“Cada prêmio que recebo em vida, eu destaco o conjunto da obra. No basquete a gente não vence sozinho, é o coletivo que ganha. Eu não seria capaz de conquistar os títulos que conquistei se não tivesse ao meu lado jogadores espetaculares. Não teria recebido dois apelidos [Disco Voador e Diabo Loiro, ambos no mundial de 1954 no Rio de Janeiro] se não tivesse enfrentado grandes adversários. Todos me fizeram buscar algo mais em quadra”, declarou o jogador com mais títulos da história do basquete brasileiro.

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Também um talento da televisão

Depois de deixar as quadras como jogador e treinador, Wlamir tornou-se comentarista de televisão. Trabalhou na extinta TV Manchete e desde 2002 faz parte do time de comentaristas dos canais esportivos da Disney.

Nessas últimas duas décadas, a reportagem da ESPN sempre participou da vida do ídolo em sua trajetória na televisão, como a primeira vez que o narrador Rogério Vaughan estreou no comando dos microfones de uma partida de basquete nos Jogos Abertos do interior, ocasião em levou Wlamir para o último degrau da arquibancada para simular como seria a estreia dele ao vivo na ESPN Brasil.

São muitas histórias e reportagens com o mestre e contestador Wlamir. Sim, doce como pessoa, mas nada omisso como comentarista. Wlamir sempre combateu a má gestão no esporte olímpico, principalmente na era Nuzman e nos tempos em que a Confederação tinha à frente gestores capazes de andar de mãos dadas com a corrupção e incapazes de homenageá-lo, como estão fazendo agora.

Acompanhamos também o mestre do basquete em celebrações humildes, mas épicas, como a que aconteceu no ginásio Tumiaru, em São Vicente, um clube colado à casinha onde ele nasceu, na quadra onde ele virou Wlamir e se apresentou para o mundo.

Por lá, o ginásio principal leva o nome do maior de todos da modalidade desde 2015.

Wlamir se emocionou demais com a então mais importante homenagem recebida até agora, a do Corinthians, que, em 2016, rebatizou o ginásio poliesportivo como ginásio Wlamir Marques.

A um passo do paraíso

Aí você, querido leitor, pode pensar: “Não está bom?”

Desde 2019, os jornalistas Ricardo Zanei e Marcelo Gomes travam uma luta para convencer a Fiba (Federação Internacional de Basquete) que Wlamir já deveria fazer parte, há muito tempo, do Hall da Fama da entidade.

A campanha começou em 29 de maio daquele ano em uma intensa troca de mensagens. O apelo também foi feito à CBB, (Confederação Brasileira de Basquete), que abraçou a causa.

Incrivelmente, a Fiba nos informou que Wlamir não havia sido homenageado no Hall da Fama porque nunca a CBB havia encaminhado a indicação e o pedido.

Tal postura só reforça a irresponsabilidade dos antigos gestores que recebiam críticas de Wlamir e, como resposta, desdenhavam da grandiosa história no basquete mundial do Disco Voador.

Agora, segundo o secretário geral da CBB, Carlos Fontenelle, tudo está encaminhado para que a tão sonhada homenagem esperada por Wlamir e pelos fãs dele aconteça.

Só não foi realizada ainda por causa da pandemia, mas, cá entre nós, que ele aconteça logo, como a do COB, pois homenagem não adianta ser feita de forma póstuma, não é mesmo?

Um mestre reconhecido

Quem hoje, aos 84 anos, tem um emprego assegurado no Brasil? Wlamir Marques tem.

Recentemente, próximo de ter seu contrato para vencer, Wlamir Marques recebeu um telefonema do diretor de conteúdo dos canais esportivos da Disney, João Simões.

Na ligação, o executivo, velho companheiro de Wlamir na emissora, lhe deu provavelmente o melhor presente que o mestre poderia receber no dia do aniversário.

“Eu achava que não iria trabalhar mais, que a pandemia iria me aposentar de vez de alguma maneira. Mas, pra minha surpresa, o João me ligo dizendo para eu ficar tranquilo que o meu contrato seria renovado e que eu continuaria a comentar na empresa. Fiquei muito emocionado com o telefonema dele, pois entendi que ainda sou importante com o meu trabalho e pelo meu conhecimento do esporte. Foi um presente maravilhoso, mesmo com as dificuldades que a idade me trouxe. Hoje já não consigo andar muito, me canso rápido e as pernas doem, mas irei honrar demais mais essa oportunidade que me deixa cada vez mais vivo”, contou o Mestre do basquete e da vida Wlamir Marques.

Bastidores de uma homenagem

Foi emocionante para os familiares, para os cinco funcionários do COB e para nossa equipe ver de perto o maior de todos do basquete nacional eternizar suas mãos no Hall da Fama do COB.

Ao mesmo tempo, foi triste ver moradores do mesmo prédio do aniversariante passando pela portaria, ao lado do local onde ocorreu a homenagem, sem saber quem estava ali sendo homenageado e por quê.

Decepcionante foi confirmar o desdém da imprensa esportiva nacional pelos nossos ídolos em geral. Não só do futebol, que não sai das telas e jornais, mas de esportes que deram respeito olímpico ao Brasil.

Frustrante é estar ali como único veículo de comunicação a olhar, homenagear e aplaudir o gigante Wlamir Marques, 84 anos de vida e muitas lições para passar para atletas, técnicos e principalmente para os jornalistas que olham só para os grandes clubes do futebol.