NBB: armador de 16 anos do Minas Tênis Clube joga por 3 categorias, brinca sobre ENEM e é desafiado por companheiros

Guilherme Carvalho, do Minas Tênis Clube, em ação Reprodução

O dia se arrastava e a entrevista não saia. O horário marcado era próximo à hora do almoço, mas acabou não dando. Quando passou das 22h, conversamos. Afinal, com uma rotina dessas, quando mais seria possível?

Guilherme Carvalho dos Santos tem 16 anos. Acorda e vai para a escola. Da escola, almoça e então o primeiro treino às 14h, com a equipe da Liga de Desenvolvimento de Basquete, sub-21. Acaba às 16h, mesmo horário em que começa o do sub-16, categoria pela qual ele também joga.

Entretanto, no treinamento do sub-16 fica apenas até 17h, pois é nessa hora que a equipe profissional treina, e Gui está lá. Até 19h, na quadra. Das 19h às 20h (ou mais tarde), academia. Banho, jantar, casa, cama. Repete.

"É meio cansativo, mas é daora", respondeu ao primeiro susto causado por sua rotina.

Cansaço? "Então, próximo jogo contra o Mogi, certo?", perguntei. Sua resposta logo foi: "Não, próximo é Náutico! Quer dizer, pelo sub-16. No NBB é o Mogi mesmo, mas de noite."

Antes da entrevista - e dos treinos, Guilherme, com seu 1,97m, já havia jogado no mesmo dia contra o Internacional de Santos, pelo Brasileiro sub-16. "Vencemos por 4 pontos, jogo difícil", contou.

No final de semana, sua preocupação maior foi essa: se preparar para o jogo. O garoto, que está no segundo ano do Ensino Méido, ainda não fez o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). "Faço no ano que vem e olhe lá", brincou Guilherme.

Nascido em 22/06/2002, em Brasília, é "filho do basquete". Sua mãe, Lucineide, jogava na capital, e lá conheceu Deivisson, seu pai, que também jogava - e quando jovem, também representou o Minas Tênis Clube.

"Meu irmão mais novo também joga... tá no sangue", brinca o armador que sente falta da família.

O garoto mora sozinho desde fevereiro deste ano, quando foi convidado pelo Minas para representar o uniforme azul e branco.

"Agora moramos em sete: todos entre 14 e 17 anos, numa república do clube.", conta.

O curioso é que, ao mesmo tempo em que mora com adolescentes, como ele, joga e é apadrinhado por profissionais já experientes, como Gegê, de 27 anos.

"Ah, o Gegê me ajuda muito. Como usar o pick and roll, como marcar, a ser inteligente em quadra...", diz o garoto sobre o líder que joga na mesma posição.

E a ajuda e incentivo não chegam só dele, mas sim de todos do time.

Gui lembra como foi quando entrou na partida contra o Vasco da Gama, partida que terminou em vitória para os mineiros por 93 a 65.

A sensação, para ele, é indiscritível: "É muito única. O técnico olha para o banco, você sabe que vai ser chamado... Só quer sair correndo logo para a quadra."

No NBB, o garoto apenas entrou em duas partidas, contra o Vasco e Joinville. Pelo sub-21, a média de minutos é pouco superior a 20 minutos, marcando cerca de seis pontos, pegando quase seis rebotes e quase três assistências.

Na noite desta terça-feira, às 19h30, o Minas Tênis Clube de Guilherme recebe o time de Mogi das Cruzes pelo NBB, e você vê ao vivo na ESPN e no WatchESPN.