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Há 55 anos, time universitário de basquete mudava rumo dos negros no esporte; de novo, fizeram história

O jogo era só mais um. Dois times. Cinco jogadores de cada lado. Jerry Harkness parado. Joe Dan Gold, idem. Se olham. Esticam suas mãos. O cumprimento que marcou a história. Mudou a história. Há 55 anos, Loyola de Chicago e Mississippi State se enfrentaram no jogo que alterou os rumos de um esporte, de um país e quebrou barreiras do preconceito e da diversidade.

15 de março de 1963. Semifinais da região meio-oeste do March Madness, as finais do basquete universitário. O clima era de tensão, por conta da luta dos negros em busca dos direitos civis e no combate contra o preconceito, até então, evidente em todo os Estados Unidos. Tanto que, apenas um mês após o acontecimento, Martin Luther King escreveu a famosa Carta de uma Prisão de Birmingham.

O governador de Mississippi, Ross Barnett, havia proibido times do Estado de jogarem contra equipes com atletas americanos de origem africana. Então Mississippi State, carregando consigo o nome do Estado de Barnett, marcou época. Como um bom troublemaker, deu de ombros à proibição e enfrentou os Ramblers de Loyola, equipe de uma universidade predominantemente branca formada por atletas negros, sendo 4 titulares. Mississippi perdeu de 61 a 51. Foram punidos e suspensos pelo restante do ano. Loyola venceu duas vezes. Em quadra e rasgando uma daquelas regras não escritas. Posteriormente, Loyola acabou campeã nacional, vencendo Cincinnati na final.

O time de Loyola abriu caminho para que, 3 anos depois, a equipe de Texas Western iniciasse a final do campeonato universitário com 5 negros em quadra. E que terminasse com uma vitória e um carimbo para a eternidade no passaporte; o primeiro time 100% negro a entrar em quadra. Loyola se fez notar e mudou o que era para ser mudado.

55 anos se passaram

15 de março de 2018. Dallas, Texas. Por ironia do destino, Loyola jogou em um dos Estados mais racistas do país. É a primeira rodada do March Madness, fase final do torneio universitário de basquete; cenário o qual a faculdade de Chicago não presenciava desde 1985.

Como azarão, enfrentou a equipe de Miami. Jogo equilibrado, trocas de liderança e um bom nível de disputa. 9,3 segundos no cronômetro. Miami tem 62 pontos, Loyola 61. Lonnie Walker, de Miami, está na linha do lance livre. Arremessa e erra. Aflição. Rebote para Loyola. 8 segundos. Em um último suspiro, correm para o ataque. 7 segundos. O tempo é pequeno. 6. 5. 4. 3. A bola chega na mão de Donte Ingram. 2 segundos. De canhota, de 3. 1 segundo. Para a eternidade. Cesta. Fim de jogo.

Ingram, negro, dá a primeira vitória no torneio final para Loyola após 33 anos. Na exata mesma data em que seus veteranos, negros, entraram em quadra e venceram Mississippi.

A história é escrita e reescrita. Donte Ingram reforçou o poder do esporte e dos negros.