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Olimpíadas: Jogada rara no tiro com arco homenageia Robin Hood, um dos arqueiros mais famosos do mundo

A cada quatros anos, as Olimpíadas apresentam ao mundo novos heróis que, com seus feitos esportivos, geralmente acompanhados por uma medalha, entram para a história.

Como toda regra, existem as exceções. É o caso, por exemplo, da suíça Gabriele Andersen-Scheiss, que ficou longe de vencer a maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos, em 1984, mas emocionou o mundo ao recusar ajuda médica e cruzar a linha de chegada cambaleando, na 37ª posição. Sem desistir, subiu ao pódio do espírito olímpico e foi eternizada como a imagem que ninguém esquece.

Mas existe outro herói que pode dar as caras em Tóquio, mais precisamente na disputa do tiro com arco, que começa nesta quinta-feira (22) com as provas femininas. Trata-se de Robin Hood, um dos arqueiros mais famosos da literatura e do cinema.

Imortalizado como 'príncipe dos ladrões', o mítico herói que teria vivido na Inglaterra por volta do Século XIII empresta o nome à jogada mais rara da modalidade: quando uma flecha consegue acertar a parte de trás de uma outra já fincada no alvo partindo-a ao meio.

A façanha é retratada no conto “Robin Hood e a Flecha de Ouro”, no qual o arqueiro mostra toda habilidade ao dividir ao meio a flecha do oponente que já havia acertado o centro do alvo, vencendo a disputa e levando para casa a flecha dourada como prêmio. A proeza também aparece em uma das cenas clássicas do filme de 1991 que tem o ator Kevin Costner no papel principal.

Nas Olimpíadas, o nível de dificuldade fica evidente se considerarmos que o alvo está posicionado a 70 metros de distância, tem 1,22 metro de diâmetro total e sua área central, também chamada de 'mosca', não passa dos 4cm de diâmetro.

O lance é tão raro que numa projeção que considera 'otimista', o site especializado archerypassion.com avalia que cada tiro tem uma chance em 4 mil de ser um Robin Hood.

Por isso mesmo, quem consegue a façanha pode levar a flecha como prêmio para casa. Mesmo que não conquiste uma medalha olímpica, o arqueiro que conseguir ‘invocar Robin Hood’ já teria sua 'flecha de ouro' como troféu.

Como funciona

Inspirado em uma das atividades de caça mais antigas da humanidade, o tiro com arco é um dos esportes mais longevos das Olimpíadas. Sua estreia aconteceu há mais de 100 anos, nos Jogos de Paris, na França, em 1900.

A modalidade ficou fora do programa olímpico de 1924 a 1968, mas retornou em Munique, na Alemanha, em 1972, e desde então faz parte do cronograma.

São três modalidades para homens e mulheres: individual, por equipes e por equipes mista. Na primeira fase, os arqueiros disparam 72 flechas para marcarem de 10 a 1 ponto de acordo com a proximidade do centro. A pontuação é usada para formar os confrontos eliminatórios (maior pontuador contra o último, segundo contra o penúltimo e assim por diante).

Na história olímpica, nenhum atleta conseguiu chegar à marca máxima de 720 pontos. O recorde é do sul-coreano Kim Woo-Jin, que registrou 700 na disputa individual na Rio-2016 e superou a marca anterior, de 699, anotada nos Jogos de Londres-2012, na Inglaterra, pelo compatriota Im Dong-Hyun.

Brasil em Tóquio

O Brasil será representado em Tóquio por dois atletas: Ane Marcelle dos Santos e Marcus Vinícius D’Almeida. Eles competirão nas provas feminina e masculina e também nas duplas mistas, novidade nesta edição.