<
>

Último Brasil x Argentina no Maracanã teve frustração, protestos com 'olé' e 'tirou' Raí da Copa-1998

Neste sábado, Brasil e Argentina se enfrentam na grande final da Copa América, às 21h (de Brasília), no Maracanã. Será a 1ª vez que as equipes se enfrentam no famoso estádio carioca desde 1998, quando um amistoso que parecia não valer nada acabou mudando os rumos da seleção brasileira...

Brasil x Argentina terá transmissão AO VIVO da ESPN Brasil e do ESPN App

Em 29 de abril de 1998, o time comandado por Zagallo fazia sua preparação final para a Copa do Mundo da França, que começaria dali a dois meses. Por isso, o "Velho Lobo" montou um time fortíssimo para o duelo contra a Albiceleste, também aproveitando para fazer alguns testes.

Naquele dia, o Brasil formou com: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Zé Elias, César Sampaio, Raí e Denílson; Ronaldo "Fenômeno" e Romário. Ainda entraram no decorrer do duelo o zagueiro Clebão, o meia Leonardo e o atacante Edmundo.

No entanto, apesar da escalação fortíssima no papel, a seleção fez uma partida fraquíssima e foi derrotada no Maracanã lotado por 1 a 0, com um gol aos 39 minutos do 2º tempo que deixou expostas as muitas falhas no time de Zagallo.

Em lance de contra-ataque, o rápido Cláudio López recebeu pela esquerda, saiu da marcação de Júnior Baiano, invadiu a área e, aproveitando a demora de Clebão em dar o combate, encheu uma bomba no alto do gol para vencer Taffarel e ratificar o triunfo dos hermanos em solo brasileiro.

Nos cinco minutos finais, a torcida verde-e-amarela protestou muito. Enquanto os argentinos tocavam bola sem serem incomodados pela marcação, os fãs berraram "olé, olé, olé". Também houve gritos contra vários jogadores do Brasil, além de uma lista impublicável de xingamentos a Zagallo.

O resultado aumentou ainda mais a pressão em cima do treinador, que já vinha sendo contestado desde o título na Copa América de 1997. Não à toa, após vencer a Bolívia na final daquele torneio, o "Velho Lobo" soltou uma de suas mais famosas frases: "Vocês vão ter que me engolir!".

Jogo 'tirou' Raí da Copa do Mundo

O amistoso no Maracanã acabou mudando os rumos da seleção brasileira na reta final de preparação para o Mundial da França.

Em uma noite em que praticamente todo o time atuou muito mal, o meia Raí, que ganhou chance como meia no lugar do lesionado Juninho Paulista, acabou sendo um dos piores. Ele foi substituído por Leonardo no 2º tempo, aos gritos de "Raí, pede pra sair" da torcida.

Com isso, o então destaque do Paris Saint-Germain deixou de ser convocado por Zagallo nos amistosos seguintes, enquanto Giovanni, ex-Santos e então meia do Barcelona, assumiu a armação no meio-campo.

O jogo também acabou limando as chances de Zé Elias, que, contra a Argentina, foi titular no lugar de Dunga. Depois da derrota no Maracanã, Zagallo optou por levar Doriva para a Copa de 1998.

Por outro lado, vários outros atletas criticados naquela partida, como Cafu e Júnior Baiano, ainda conseguiram estar na lista final para o Mundial, enquanto Romário, que certamente iria à França, acabou cortado por lesão às vésperas do torneio da Fifa.

Na Copa, porém, Zagallo foi mudando de ideia durante a competição e fazendo modificações na equipe. A mais notável envolveu Giovanni, justamente o atleta que havia "tomado o lugar de Raí". Ele jogou só 45 minutos contra a Escócia, na estreia, e depois perdeu o lugar para Leonardo.

Depois disso, poucos jogos no Maracanã

Depois do Brasil 0 x 1 Argentina, em abril de 1998, a seleção pouco jogou no Maracanã desde então.

Veja a lista de partidas disputadas pela seleção no "Maior do Mundo" entre 1998 e hoje:

- Brasil 1 x 1 Uruguai, em 2000 (eliminatórias Copa de 2002)
- Brasil 5 x 0 Bolívia, em 2000 (eliminatórias Copa de 2002)
- Brasil 5 x 0 Equador, em 2007 (eliminatórias Copa de 2010)
- Brasil 0 x 0 Colômbia, em 2008 (eliminatórias Copa de 2010)
- Brasil 2 x 2 Inglaterra, em 2013 (amistoso)
- Brasil 3 x 0 Espanha, em 2013 (final da Copa das Confederações)
- Brasil 3 x 1 Peru, em 2019 (final da Copa América)

Ou seja, apenas sete jogos em 23 anos.

Isso contrasta bastante com o passado, entre 1950 e 2000, quando o Maracanã era a principal casa da seleção.