A seleção brasileira deverá ter seus principais jogadores em campo na Copa América e sob o comando do técnico Tite. Um cenário que poderia ser diferente se não fosse o afastamento de Rogério Caboclo da presidência da CBF no domingo.
Como noticiou o ESPN.com.br, o dirigente tinha a intenção de trocar o treinador da seleção em resposta à falta de apoio diante das acusações de assédio moral e sexual contra ele. Entre os jogadores, Caboclo também era o principal ponto de insatisfação.
A perspectiva de os jogadores da seleção não disputarem a Copa América foi real, mas nunca evoluiu nas conversas entre os atletas. Incomodados, eles queriam expor de maneira firme a contrariedade com o torneio, mas, desde a última quarta-feira até o momento, o possível boicote foi perdendo força.
Na véspera da vitória sobre o Equador, em Porto Alegre, o retrato era um pouco diferente. Insatisfeitos com Caboclo, o grupo viveu seu momento de maior revolta com a situação, que foi em parte externada pelo técnico Tite em entrevista coletiva.
Na sexta, dia do jogo e também quando veio à tona a denúncia de assédio contra Caboclo, revelada pelo “GE”, a postura seguia firme, como Casemiro também deixou nas entrelinhas ao afirmar que o “posicionamento era claro” entre os jogadores. Ainda que não se tratasse necessariamente de um boicote.
O principal problema da seleção brasileira sempre foi Caboclo, e a forma como ele conduziu a Copa América no Brasil. Com seu afastamento, por 30 dias, determinado pelo Comitê de Ética da CBF, a ideia de não disputar o torneio perdeu força.
O manifesto para se posicionar, que deve ser divulgado nesta terça-feira, após a partida contra o Paraguai pelas eliminatórias sul-americanas, continua, porém, sendo discutido.
Embora não devam anunciar qualquer boicote, respeitando a “hierarquia”, como também sublinhou Casemiro em sua entrevista, os atletas seguem buscando uma comunicação firme. Mas ainda estudam o melhor caminho a ser seguido no posicionamento.
Em suas conversas, tentam definir se atacarão a Copa América, a forma como ela foi articulada e conduzida nos bastidores, o fato de acontecer em meio à pandemia de COVID-19, seu uso político. É certo que vão se afastar de qualquer posicionamento que possa ser usado político-partidariamente ou citar nominalmente Caboclo ou o presidente da República, Jair Bolsonaro.
