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Bilionário odiado por torcidas da Alemanha encabeça luta por vacina contra coronavirus e visa ajudar o mundo

Apesar de ser odiado no futebol alemão, Dietmar Hopp pode dar uma reviravolta em sua imagem e ganhar status de herói.

Além de dono do Hoffenheim, ele é o maior investidor da empresa biofarmacêutica CureVac, especializada em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos e vacinas inovadoras - e no momento, o foco é a vacina contra o coronavírus. No mais, Hopp é um dos fundadores e proprietário da empresa alemã de produtos de informática SAP.

“Ajudar as pessoas não apenas regionalmente, mas em solidariedade em todo o mundo. Eu ficaria feliz se isso pudesse ser alcançado através de meus investimentos", disse Hopp à Reuters.

Enquanto seus laboratórios correm atrás da vacina, Donald Trump quer comprar os direitos sobre ela para levá-la aos EUA.

Segundo o jornal alemão Welt am Sonntag, o presidente ofereceu "altos subsídios financeiros", mas a resposta foi negativa. "Queremos desenvolver uma vacina para proteger e ajudar pacientes em todo o mundo e não para países individuais. Rejeitamos as alegações de ofertas públicas de aquisição da empresa ou de sua tecnologia. Temos muita confiança de que seremos capazes de desenvolver uma vacina poderosa nos próximos meses ", afirmou a empresa em comunicado.

Mas por que Hopp é tão odiado?

Toda a revolta contra Hopp tem a ver com sua influência no Hoffenheim. O alemão, confundador da empresa SAP, é um dos homens mais ricos da Alemanha, com fortuna estimada em 14,7 bilhões de dólares (R$ 65,7 bilhões na cotação atual), e nunca poupou dinheiro para auxiliar o clube de seu coração.

Ele mesmo chegou até a atuar pelo Hoffenheim na juventude, mas se tornou investidor da equipe em 1990. Em 2015, depois de mais de 350 milhões de euros (R$ 1,7 bilhão) investidos para ajudar o time a alcançar a elite na Alemanha, ele virou formalmente dono do clube.

E é aí que está a fonte do ódio: os torcedores defendem a tradicional regra “50+1” alemã, que veta que investidores possam ter mais de 49% das ações de um clube. O Hoffenheim, contudo, conseguiu se tornar uma exceção com Hopp, assim como Bayer Leverkusen ou Wolfsburg.

A brecha de que Hopp se aproveitou foi a decisão da Federação Alemã de permitir investidores se tornarem majoritários caso tenham 20 anos de apoio financeiro ininterrupto e significativo no time.

A postura, contudo, nunca foi bem aceita nas arquibancadas, como deixam claro os recentes protestos de fãs de Bayern, Dortmund ou Gladbach. O RB Leipzig é outro alvo constante de manifestações do tipo desde as divisões inferiores do futebol alemão.

E quem é Dietmar Hopp?

O empresário de 79 anos é conhecido, além da SAP e do Hoffenheim, por suas doações. Ele foi um dos nomes que figuraram na lista de 20 pessoas mais generosas do mundo do jornal Independent em 2015, época em que há tinha contabilizado mais de 1 bilhão de dólares em doações.

Hopp, por exemplo, investiu 800 milhões de euros em biotecnologia, buscando alternativas na luta contra o Ebola e o Alzheimer.

O magnata ainda tem sua própria fundação desde 1995 que trabalha com projetos de caridade.