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Brasil campeão: o sobe e desce de como saem da Copa América os 23 jogadores da seleção

Exatos 51 dias se passaram desde que Tite anunciou os 23 convocados para a Copa América até o último domingo, dia em que o Brasil venceu o Peru por 3 a 1 no Maracanã e conquistou seu nono título sul-americano. Se, no período, todos escreveram seus nomes na história da seleção, com um troféu, alguns souberam aproveitar a chance melhor do que outros.

Veja o sobe e desce da seleção brasileira:

ALISSON

Foram 889 minutos sem sofrer gols, em jogos por Liverpool e seleção brasileira. Só foi vazado na final da Copa América, depois de torneio praticamente impecável – sempre que precisou aparecer, o fez muito bem. Difícil achar alguém que ainda o conteste depois do desempenho.

Análise Gustavo Hofman: “Melhor goleiro da Copa América, unanimidade no gol da seleção brasileira. Não há como contestar a gigante qualidade de Alisson, que sofreu apenas um gol, foi muito bem protegido pela defesa brasileira e quando exigido teve seguras intervenções.”

ÉDERSON

Sai exatamente como entrou na Copa América. É muito elogiado pelo trabalho com os pés, tem o reconhecimento de que é um grande goleiro, mas, diante do momento de Alisson, é difícil pensar em ser titular. Foi apenas um dos três jogadores que não entraram em campo.

Análise: “Não jogou, mas ninguém contesta a condição de peça obrigatória em listas de convocados para a seleção brasileira. Na prática, pelo nível demonstrado por Alisson com o uniforme do Brasil, não briga pela titularidade para esta comissão técnica.”

CÁSSIO

Sempre mostrou bom nível nos treinamentos, mas certamente não será presença constantes nas próximas convocações. Tite quer observar outros nomes, e sua vaga deverá ser ocupada.

Análise: “Convocado por Tite para a Copa do Mundo e para a Copa América, tem a confiança do treinador, mas é uma peça que pode ser facilmente trocada por outras em convocações futuras. Está com 32 anos e mais velho que os outros dois (Alisson, 26, e Ederson, 25).”

DANIEL ALVES

Não por acaso foi eleito o melhor jogador da Copa América. Com 535 minutos em campo, fez até gol, contra o Peru na primeira fase, mas deixou na memória de muitos mesmo a atuação contra a Argentina, com direito a jogada magistral no primeiro gol. Se alguém ainda o questionava, depois de agora, será mais difícil...

Análise: “Antes da Copa América, a discussão na lateral direita era sobre o sucessor de Daniel Alves. O torneio do jogador foi tão bom que agora discutimos se aos 39 anos em 2022 ele estará com o Brasil na Copa. Melhor jogador da competição, mas apenas os próximos anos vão definir se ele estará no próximo Mundial. Qualquer análise final, agora, seria precoce.”

FAGNER

Foi o único jogador de linha que não foi utilizado pela comissão técnica. Para o futuro, deve ver outros nomes serem testados em sua posição, com Danilo, do Manchester City, como ameaça mais certa. Para a Copa do Mundo de 2022, no Catar, já estará com 32 anos.

Análise: “Junto com os dois goleiros reservas, foi o único que não entrou em campo. É o melhor lateral-direito em atividade no futebol brasileiro e acaba favorecido, também, pela pouca disputa que há na posição na seleção brasileira. Segue na disputa com Danilo, sendo mais veterano (30 x 27). Nada impede que surja um jovem nos próximos três anos.”

FILIPE LUÍS

Apesar de ter ficado a semifinal e a decisão no banco de reservas, não se desprestigiou na Copa América. Não fosse o problema de lesão na coxa direita, seguiria no time, já que teve boas atuações para justificar a condição. Tite confia no jogador, que agora busca um clube para a próxima temporada.

Análise: “Boa Copa América do lateral-esquerdo que começou titular e terminou no banco, graças às dores na coxa direita. Se não fosse por isso, não teria perdido a posição. Mais uma vez demonstrou solidez defensiva, mas também muita qualidade no apoio por dentro, deixando o lado para Everton.”

ALEX SANDRO

Foram apenas 258 minutos em campo, mas, nos mais importantes da competição, era Alex Sandro quem estava lá. Contra Argentina e na final contra o Peru, o lateral mostrou que pode ser um substituo à altura para o “rival” mais veterano. Sai prestigiado da Copa América.

Análise: “Começou no banco e terminou jogando. Sim, por causa da lesão de Filipe Luís, mas o lateral da Juventus entrou muito bem. É mais novo do que o companheiro (28 x 33) e tem tudo para fazer parte de todo ciclo para a próxima Copa do Mundo. Lembrando que Marcelo tem somente 31 anos.”

THIAGO SILVA

Manteve o bom nível costumeiro de atuações. Esteve em campo nos 540 minutos da campanha e ajudou a seleção a chegar até a decisão sem ser vazada. O pênalti cometido contra o Peru, que originou o gol, pouco muda na análise do zagueiro, que pode ser um dos veteranos em 2022.

Análise: “Aos 34 anos, ainda é um dos melhores zagueiros do mundo e foi muito bem durante toda Copa América. É um dos pilares defensivos desse time, mas ainda existem dúvidas se chegará em boas condições para estar no grupo do Mundial em 2022.”

MARQUINHOS

Assim como o companheiro de zaga, ótima Copa América. Sai ainda mais valorizado, depois de ter encarado Lionel Messi mesmo sofrendo com sintomas de virose. Mais jovem do que Thiago Silva, é aposta certa para o futuro da seleção brasileira.

Análise: “Apenas uma virose o tirou de campo. Jovem e rápido, entrosado com os companheiros de Paris Saint-Germain na seleção, boas atuações na Copa América. Competição jogada em alto nível pelo ex-zagueiro de Corinthias e Roma, nome certo para o ciclo de longo prazo da seleção.”

MIRANDA

Depois de uma grande Copa do Mundo, teve apenas 26 minutos na Copa América. Tendência é que perca cada vez mais espaço, com a idade e surgimento de nomes promissores como Militão.

Análise: “Diferentemente de Thiago, a idade parece ser um problema maior para Miranda, apesar de também ter 34 anos. Na Internazionale perdeu espaço e na seleção a vaga de titular após a Copa para Marquinhos. Dependerá bastante nos próximos meses de recuperar o tempo de jogo no clube.”

ÉDER MILITÃO

Só teve 13 minutos em campo na Copa América, estreando na final para segurar uma possível pressão do Peru. Deixa o torneio, no entanto, sendo visto exatamente como era antes: aposta para o futuro, em evolução que deve ser acelerada com a transferência ao Real Madrid.

Análise: “Chamado como zagueiro, estreou na Copa América no segundo tempo da final como lateral, função que ele também conhece muito bem. Tem apenas 21 anos e, caso não fique relegado apenas à reserva no Real Madrid, é outro nome certo no ciclo de longo prazo da seleção.”

CASEMIRO

Só perdeu as quartas de final por ter recebido dois cartões amarelos. Assim como não foi boa a temporada com o Real Madrid, não viveu a melhor Copa América. Segue fundamental na proteção à area, mas não demonstra a mesma competência com a bola no pé. Segue prestigiado, porém, com a comissão.

Análise: "Depois de uma temporada em que não rendeu tudo que pode junto com todo time do Real Madrid, Casemiro fez uma boa Copa América. Longe de espetacular, mas enquanto esteve em campo foi importante na marcação. Perdeu as quartas de final contra o Paraguai por estar suspenso."

FERNANDINHO

Estreou na Copa América como titular, mas pela falta de condições de Arthur. Um ajuste em seu posicionamento foi apontado por Tite como fundamental para a vitória, mas um problema no joelho direito afetou sem desempenho. Difícil avaliar seu desempenho geral...

Análise: "Nome mais contestado pelos torcedores, teve a Copa América prejudicada por dores no joelho direito. Quando foi utilizado por Tite, correspondeu positivamente e chegou a ser superior a Casemiro. Fernandinho é mais um jogador deste grupo com 34 anos."

ARTHUR

Grande Copa América. Em condições, foi dono do meio-campo e, nos 450 minutos em campo, talvez tenha vivido os melhores deles na final contra o Peru, quando consagrou uma boa jogada com assistência - antes também participara de um belo tento de Daniel Alves contra o mesmo Peru na primeira fase.

Análise: "Ele é um dos principais motivos de mudanças táticas de Tite na seleção brasileira. Com talento absurdo nos passes e jogo bem diferente de Paulinho e Renato Augusto, Arthur parece cada vez mais dono do meio-campo no time e quem define o ritmo do jogo. Foi assim nesta Copa América."

PHILIPPE COUTINHO

Ao convocá-lo, Tite fez questão de demonstrar confiança em seu futebol com a seleção, e não na temporada ruim com o Barcelona. A estreia não poderia ter sido melhor, com dois gols. mas depois, Coutinho caiu em desempenho. A ideia da comissão é que o meia tenha muita liberdade, mas nem isso tem conseguindo ajudá-lo. Além das bolas nas redes, armador deu só uma assistência.

Análise: "Por já ter demonstrado talento o suficiente para ser colocado apenas atrás de Neymar, como melhor brasileiro da atualidade no futebol, já demonstra o nível de exigência para o meia do Barcelona. Alternou muitos altos e baixos, com atuações boas e outras apagadas. Tudo isso como meia por dentro."

ALLAN

Havia impressionado positivamente a comissão técnica nas chances que teve e, não à toa, desbancou nomes importantes da convocação, como Renato Augusto ou mesmo Fabinho. Jogou pouco mais de 100 minutos, mas não brilhou no jogo que fez como titular, contra o Paraguai

Análise: "Manteve a conquista de espaço na seleção brasileira. Precisou ser titular contra o Paraguai e não decepcionou, por mais que não tenha sido brilhante. Faz mais de uma função no meio-campo e agrada Tite na boa chegada à grande área."

LUCAS PAQUETÁ

Somente cinco minutos em campo. Tite ainda não vê o meio-campista pronto, mas a tendência é que ele siga ganhando chances para evoluir.

Análise: "Foram poucos minutos, mas mostrou o tempo todo muita motivação para estar em campo. Nos treinamentos impressionou a todos com drible e golaços. Segundo o próprio Tite, ainda é um atleta em maturação pela idade, e dificilmente deixará a seleção nos próximos anos."

GABRIEL JESUS

Se há alguém que termina esta Copa América em alta é Gabriel Jesus. Depois de começar na reserva, em desvantagem em relação à Roberto Firmino, foi testado aberto na direita e não saiu mais. Quebrou um jejum de 724 horas sem marcar em jogos ofiiciais e, além dos dois tentos, ainda deu duas assistências.

Análise: "Começou no banco, entrou muito bem nos dois primeiros jogos, ganhou a posição, jogou bem contra o Peru, caiu de produção contra o Paraguai e se recuperou diante de Argentina e Peru novamente - que pese a exagerada expulsão. Termina em alta a Copa América."

WILLIAN

Último convocado, para substituir o cortado Neymar, Willian chegou questionado. Com a confiança de Tite e da comissão técnica, porém, foi uma espécie de 12º jogador e, de fato, atuou bem. Somou 83 minutos em campo, entrou em quatro jogos e fez até gol. Só ficou fora da final por lesão. Mantém o status após a Copa América.

Análise: "Willian mais uma vez entregou tudo que se espera dele. Jogo forte pelos lados do campo, muita habilidade e velocidade no 1x1, enfim, o mesmo atacante do Chelsea extremamente eficiente. Tem apenas 30 anos e está no páreo para 2022."

RICHARLISON

Análise: "Que Copa América alternativa para o Pombo! Foi titular no início, fez um ótimo primeiro jogo, mas depois sobrou para ele dar lugar a Gabriel Jesus. Para piorar, teve caxumba e todos imaginaram que não atuaria mais nesta competição. Conseguiu se recuperar e ainda fechou o 3 a 1 na decisão."

DAVID NERES

De titular à última opção de ataque no banco. Uma síntese da Copa América de David Neres, que perdeu a posição depois da segunda rodada e não entrou mais. Terminou a competição com apenas 153 minutos em campo, sem gol ou assistência. Era a esperança com o drible pelo lado esquerdo, mas acabou "atropelado" por Everton na função. Apesar de sair em baixa, é jovem e deverá seguir tendo chances.

Análise: "De todos atletas, é quem termina mais em baixa a Copa América. Foi titular nas duas primeiras partidas e depois não entrou mais. Extremamente jovem (22) e talentoso, características que o farão seguir constantemente convocado pela comissão técnica."

ROBERTO FIRMINO

Se não fez uma Copa América brilhante, também é difícil criticar o desempenho. Foram cinco participações diretas em gols, com dois marcados e três assistências, em 500 minutos em campo. Prestigiado com a comissão, deve seguir atuando ao lado de Gabriel Jesus no futuro.

Análise: "Seus números mostram a eficiência em campo, mesmo que discreta para a maioria dos torcedores. Firmino é, também, peça decisiva na movimentação tática do Brasi, por trabalhar como um homem a mais de meio-campo e abrir espaço para Gabriel Jesus aparecer como atacante central."

EVERTON

Mudou de patamar com a Copa América. Assumiu, até de maneira inesperada, papel de protagonista, ganhando a vaga de titular ainda na fase de grupos. Somou 342 minutos em campo, foi líder em dribles na competição, artilheiro com três gols e melhor jogador da decisão - na qual também marcou. Dá para terminar mais em alta que isso?

Análise: "Atleta mais valorizado da Copa América. Disputou com Daniel Alves a premiação de melhor da seleção e termina a competição com a real possibilidade de ser negociado com o futebol europeu. Principal driblador no ataque brasileiro e responsável por cativar o torcedor."