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Daniel Alves abre o jogo sobre Copa América: obrigação de ganhar, 'cutucada' na Argentina e mais

Daniel Alves, capitão da seleção brasileira, atendeu a ESPN e explicou como superar a pressão que os anfitriões deverão ter por ganhar o campeonato que jogarão em casa antes da estreia na Copa América na próxima sexta-feira contra a Bolívia.

Consciente do que represente o futebol para o Brasil, Alves, de 36 anos, encara uma disputa que não quer que seja a última com a seleção. O lateral-direito explica que representa muita gente que tem o futebol como meio de vida, mas que sua verdadeira obrigação é se dedicar ao máximo em cada treinamento e cada partida.

“Estamos obrigado a ganhar, porque representamos uma nação dona do futebol. Temos 200 e poucos milhões de treinadores em suas casas. Por isso temos a obrigação de ganhar”, afirmou, contundente, o ainda jogador do PSG, que segue sem firmar a oferta de renovação que tem sobre a mesa há alguns meses.

Veterano e com um discurso didático, Alves tratou de explicar a verdadeira obrigação brasileira. “Nosso trabalho é dar 100% em cada jogo, em cada treinamento, cada dia. Essa é nossa obrigação. E que o resultado se dê como se der. Podem acontecer muitas coisas, mas não podemos jogar acreditando que vamos ganhar. Trabalharemos para isso, mas não dizendo que vamos ganhar, que se você sobe a expectativa e não alcança, gera muitas decepções.”

A seleção brasileira, sempre candidata ao título, não teve muita sorte nos últimos grandes torneios. Não ganha a Copa América desde 2007, ainda que o maior peso recaia, apesar de ser cinco vezes campeã, nas Copas do Mundo.

O futebol não esquecerá nunca a queda de forma grotesca nas semifinais de 2014, no Brasil. Aquele 7 a 1 contra a Alemanha deixou uma ferida que ainda não cicatrizou por completo. Na Rússia, em 2018, foi a Bélgica que, nas quartas de final, eliminou a seleção antes do esperado.

Diante dos fracassos recentes, Alves, sempre sorridente, é otimista e também muito prático: “Se você não consegue virar páginas em sua vida, sempre vai estar no mesmo capítulo. A equipe virou a página e vai para o próximo capítulo. O que serve, serve e o que não, deixa ali, porque não vai poder corrigir. Sabe o que aconteceu. Por exemplo, agora, se quer entrar na melancolia de que o Brasil perdeu a Copa mais uma vez vai perder tanto tempo sofrendo que o bonde vai passar e você vai estar ali, chorando”.

Uma das pessoas que deu ares diferentes ao time brasileiro é Tite. Alves só tem elogios para o treinador, que entrou como um remédio de emergência e, com uma ideia firme, espera agora devolver o sorriso aos brasileiros.

“O grande desafio da seleção brasileira é manter uma base, já que vão sair jogadores, mas manter uma base que vai dar solidez para poder mirar na próxima Copa e poder ganhá-la. Porque se você vai mudando, nunca vai ter uma estabilidade, porque não dá, não tem muito tempo para trabalhar na seleção”, pina Alves, que dá forma às ideias de Tite.

“Desde que Tite assumiu até a Copa só perdemos um jogo, o que não podíamos, tudo bem, dá no mesmo, perdemos um jogo, mas os resultados estão aí. E a Copa do Mundo não é tão fácil para ganhar, não é tão fácil para ganhar, há muitíssimas seleções e muitíssimos grandes jogadores de nível mundial que não ganham. A final foi França x Croácia. Não é fácil.”

A ameaça

Alves reconhece que o grande rival do Brasil em todas as competições, seja qual for, é a Argentina. Até o momento, e sempre considerando partidas oficiais, as duas seleções se encontraram em 105 partidas: 26 empataram, 38 vitórias argentinas e 41 brasileiras. Nessas partidas, foram 313 gols, sendo 160 da Argentina e 163 do Brasil.

Mas, para o lateral, o time alviceleste tem um fator determinante, Lionel Messi, um jogador que conhece muito bem e com que compartilhou momentos inesquecíveis com a camisa do Barcelona. Para Alves, só sua presença faz com que o grande rival seja a Argentina: “Sempre digo o mesmo, eles têm Messi”.

E, pronto como é, Alves aproveitou a conversa com a ESPN para esquentar um pouco a rivalidade entre brasileiros e argentinos. Sem esquecer as piadas argentinas com a eliminação do Brasil em 2014 (que depois da final contra a Alemanha se inverteram), o capitão brasileiro se atreveu a opinar e comparar a situação social do país de Messi com o momento futebolístico do grande rival brasileiro.

“A Argentina é uma consequência do que vive seu país agora mesmo. Têm que se reestruturar para poder crescer”, indicou o atleta do PSG, para depois suavizar um pouco o tema. “Não se pode descartar a Argentina, é mais ou menos como nós, competitivos e duros.”

A unificação e os gente boa

Alves é dos que considera que a Copa América deveria ser jogada por todos os países do continente. Assim, Conmebol e Concacaf deveriam sentar para falar do assunto. A competição seria maior, e a exigência, mais elevada. México, Estados Unidos ou Canadá, por exemplo, seriam rivais que levantariam um pouco mais o nível da competição.

“Seria bom e melhor que houvesse uma unificação. No final, todos estamos no continente”, afirmou. No caso dos mexicanos, por exemplo, estiveram presentes nas últimas dez edições do torneio, de 1993 a 2016; EUA, em quatro (1993, 95, 2007 e 2016), enquanto o Canadá nunca jogou.

Para a edição de 2019, os convidados são Catar e Japão. Para Alves, as duas seleções deverão ser competitivas porque “se não fazem bem seu trabalho, voltarão logo para casa”. O lateral também tem posição firma para explicar os convites: “O Catar convidaram pela Copa do Mundo (de 2022) e o Japão porque são boa gente”.

* Traduzido por Thiago Cara