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Inspirado por Bíblia, deputado do PSL protocola projeto rebatizado de 'Lei Neymar da Penha', e Neymar Pai rejeita 'homenagem'

O deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) protocolou nesta sexta-feira (7), na Câmara dos Deputados, um projeto de Lei que agrava a pena de falsa denúncia de crimes contra a dignidade sexual.

No texto de seu projeto, Jordy chega a citar uma passagem bíblica para embasar a lei.

"Um dos exemplos mais tradicionais deste tema é a “síndrome da mulher de Potifar”, pertencente a um texto bíblico no livro de Gênesis. A teoria dessa síndrome gira em torno da história do escravo José, Potifar (general do exército do rei) e sua esposa que, ao tentar seduzir José e ser rejeitada por este, imputou-lhe falsamente conduta criminosa relacionada à dignidade sexual, culminando na pena de cárcere a José ", escreveu Jordy.

Se o projeto for aprovado, pessoas que fizerem acusações falsas sobre crime de estupro, por exemplo, poderão ter a pena aumentada em até um terço.

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Agradecemos imensamente o apoio de todos e compreendemos a boa intenção da iniciativa de projeto de lei. Mas, a única coisa que queremos nesse momento é justiça. Ver uma lei ser feita em nome do meu filho, por conta desse lamentável episódio, não me deixa nada feliz. Ao contrário: meu filho quer apenas a verdade e a paz de volta. As mulheres conseguiram prosperar muito até agora e consideramos a defesa dos direitos das mulheres e as leis que as protegem como fundamentais, a exemplo da Lei Maria da Penha. Assim como também entendemos como importantes as leis que protegem as pessoas de acusações indevidas. Mas, isso não pode ser confundido com o caso do meu filho. A única coisa que queremos, no momento, é provar a verdade desse caso, a inocência dele. Se um dia for feita uma lei em seu nome, que seja pela valorização do esporte, pois o futebol é o que move sua vida e a razão pela qual ele é conhecido.

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O projeto está sendo proposto dentro do contexto da agressão sexual de que Neymar foi acusado pela modelo Najila Trindade Mendes Souza.

Também por meio da internet, o pai do jogador rejeitou a "homenagem":

"Ver uma lei ser feita em nome do meu filho, por conta desse lamentável episódio, não me deixa nada feliz. Se um dia for feita uma lei em seu nome, que seja pela valorização do esporte, pois o futebol é o que move sua vida e a razão pela qual ele é conhecido", postou ele.

Na quarta-feira (5), um vídeo que mostra a modelo agredindo o jogador fez com que parte da opinião pública nas redes sociais tomassem o partido do jogador.

Em entrevista ao Broadcast Político, do jornal O Estado de S. Paulo, Jordy informou que o projeto seria protocolado depois das pautas econômicas.

Mas, com o caso envolvendo Neymar , o projeto ganhou importância.

"Denunciações caluniosas já são graves e absurdas por si só, mas quando envolvem estupro, isso destrói a vida do acusado porque não existe crime mais abjeto do que esse. Isso deixa todo mundo indignado", disse o parlamentar ao jornal. "Sem dúvida alguma, o momento atual foi determinante para que apresentássemos o projeto", emendou.

A proposta de Jordy provocou reação nas redes sociais e foi rebatizado de "lei Neymar da Penha", em referência à Lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.