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Bayern de Munique: Ribery e Robben atuam pela última vez com a camisa dos bávaros

O último ato de Batman e Robin, ou melhor: Ribéry e Robben

Aos fãs do futebol, àqueles que se aproximam do futebol alemão, ou apenas simpatizam com o europeu, até aquela que a única paixão é o Bayern de Munique , coube se acostumar com algo: Franck Ribéry pela esquerda e Arjen Robben pela direita. Um francês habilidoso e um holandês velocista, cujo legado encantou e fez refém uma torcida alemã.

Desde 2009, quando começaram a atuar juntos, foram dez longos anos de revolução na Bavária. Dois jogadores que se tornaram icônicos, reviveram uma posição que estava prestes a se extinguir e vão, com pesar daqueles que os amam, atuar pela última vez neste sábado. Pela final da Copa da Alemanha, contra o RB Leipzig, as camisas 7 e 10 serão colocadas no corpo por esses ídolos por uma derradeira oportunidade.

A decisão do torneio, que ocorre no Estádio Olímpico de Berlim, às 15h (de Brasília) deste sábado, terá transmissão da ESPN 2 e WatchESPN.

Jogar aberto, de pé trocado e abusar da velocidade e habilidade para criação de jogadas: funções de ponteiros, como eram chamados, ou pontas, como passaram a ser conhecidos os jogadores mais modernos que conseguiam desempenhar tais exigências. Aí que o papel de Robben e Ribéry transpõe os – DEZOITO – títulos conquistados juntos com a camisa do Bayern e ocupam o cenário histórico mundial.

A ação dos jogadores pelos lados com tamanha eficiência e chances criadas de maneira consecutiva fez com que treinadores passassem a enxergar essas alas com outros olhos, e jogadores desse estilo voltaram a ser formados aos montes. A representatividade da dupla foi tão grande ao ponto da torcida do Bayern eternizá-la comparando-os a Batman e Robin, figuras icônicas em conjunto da história cinematográfica.

E como precursores desse ressurgimento, nenhum dos dois decepcionou em relação ao futebol. Franck Ribéry chegou ao seu 424° jogo, com 124 gols e 182 assistências. Sua dupla, Arjen Robben, caminha ao último jogo com 308 atuações, 144 tentos e 101 passes para gol. Ambos figuraram em seleções da Fifa por anos consecutivos, tendo o francês sido eleito o terceiro melhor jogador do mundo em 2013 e o holandês vice-campeão da Copa em 2010. O alto nível se manteve por quase todos os dez anos, com exceção dos últimos dois, quando a idade bateu à porta da dupla, e jogadores mais jovens do Bayern de Munique passaram a assumir a posição.

Os “primeiros dos últimos pontas” viveram algo como um casamento. Uma união quase matrimonial, e como em qualquer relacionamento, não se consolidou só de glórias. Ambos estavam em campo quando o Bayern de Munique perdeu a Champions League em casa para o Chelsea, nos pênaltis, um momento amargo na história do clube. Em 2012, na semifinal, a dupla disputou para ver quem cobraria uma falta em campo, após muita discussão e Toni Kroos na bola, o assunto não se encerrou. Ribéry levou a rusga para o vestiário e acertou um soco no rosto de Robben, deixando o olho do holandês roxo e causando repercussão no mundo do futebol. Muitos se perguntaram se ali seria o fim da dupla.

Não foi o fim, muito longe disso. Um ano depois do atrito, o Bayern de Munique levantou a taça da Champions League e consagrou dois de seus melhores jogadores. Afinal, quem não lembra do gol de Robben na final contra o Borussia Dortmund, quando tudo indicava mais uma dolorosa disputa de penais?

Dezoito títulos depois, a dupla se despediu da torcida na Allianz Arena no último final de semana, pela Bundesliga. Fizeram chorar até os mais céticos com suas despedidas e olhos marejados o estádio bávaro. Ao lado estava outro jogador marcante do clube – o brasileiro Rafinha. Como se a temporada reservasse algo que a vida não costuma oferecer, os fãs terão uma segunda chance de se despedirem de Robben e Ribéry. Na final da Copa Alemanha, vemos uma parte da história vivendo um capítulo final.