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UFC: As superações do brasileiro que virou lutador por causa de briga no carnaval

Alex Cowboy é um dos sete lutadores brasileiros que vai estar presente amanhã no UFC Fight Night 150, que acontecerá na Flórida (Estados Unidos). Escalado para o card principal, ele enfrenta o americano Mike Perry. Estabelecido no mundo das lutas, o brasileiro nascido em Três Rios, no Rio de Janeiro, carrega consigo o apelido que revela muito de seu passado, inclusive seu sonho de infância, que em nada tinha a ver com o octógono.

Desde pequeno, Alex Oliveira sonhava em ser peão de rodeio. Só que o destino tinha outras ideias. Mais precisamente, uma briga durante uma festa de carnaval fez tudo mudar na vida do carioca.

“Vou te contar um caso. Sempre fui peão de rodeio em curral, e a maior parte da molecada também queria ser peão. Eu queria conhecer Barretos. Fiquei um ano lá, mas não consegui nada, só trabalhei de servente”, contou Cowboy. “Aí aconteceu um carnaval na minha cidade, rolou uma briga e me viram brigando na rua. Um amigo meu, o Alexandre, viu que eu tinha um potencial grande para ser lutador. Mas eu fiquei pensando: ‘Eu vou botar a luva, entrar lá no octógono para o cara me agarrar e me quebrar todo?’”

“Fiquei evitando, fiquei um tempo correndo dele, e ele me chamando para ir na academia, e eu falando ‘não, não, não’. Depois, fui trabalhar na mesma barragem que ele também estava trabalhando, e não teve jeito, ele me levou lá para conhecer a academia que até hoje sou cria. Eu tenho orgulho de falar que sou Tubarão. E aí foi meio que instantâneo, três meses depois daquele dia ele já estava me colocando para lutar. Aí engrenei no MMA e não parei mais”, contou o lutador ao ESPN.com.br

Mas essa não é a única história de Cowboy. No final do ano passado, ele acabou se envolvendo em uma briga e foi atingido por estilhaços de uma granada. O peso meio-médio do UFC estava indo abastecer o carro da sua mãe, quando se deparou com uma confusão envolvendo sua tia.

“Coisas da minha família lá, uma briga. Rolou uma granada que pegou umas coisas na minha perna. O moleque jogou uma granada e bateu na minha perna. Mas aí, operei, tirei o projétil de dentro da perna, e já está tranquilo, beleza. ”

Com 14 lutas no UFC, sendo nove vitórias, quatro derrotas, e uma sem resultado, Cowboy é muito grato a tudo que o mundo das lutas lhe proporcionou, inclusive superar problemas com drogas e violência.

“Minha família não tinha uma base legal. Mudou muita coisa, Deus colocou as artes marciais na minha vida. Eu não era aquele tipo de cara certinho, eu tinha meus problemas”, disse Cowboy. “Quando eu entrei para a academia eu estava jurado de morte, que eu era muito brigão, usava muita droga. Hoje eu tenho orgulho de falar que sou atleta Tubarão contratado pelo UFC, orgulho de falar que eu moro em Três Rios. Minha cidade me vê com outros olhos, a cidade para quando eu vou lutar. ”

Vindo de derrota para o islandês Gunnar Nelson na última luta, Cowboy sabe do desafio que tem pela frente, especialmente por enfrentar um lutador da casa, mas nada que intimide o brasileiro, que está consciente do que precisa fazer.

“Dá um estímulo a mais lutar lá na casa do adversário. Ele acha que eu estou acuado, com medo. Mas eu estou tranquilo, sei o que eu tenho que fazer. Coloco meu jogo em prática, vou para cima dele e vou ganhar dele. ”