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UFC: John Lineker conta sobre nome inspirado em jogador inglês e diz que já foi 'zoado' por largar emprego

Quem assistir à luta dos pesos-galos no card principal do UFC Fight Night deste sábado irá perceber um paranaense com nome nada brasileiro: John Lineker.

O atleta de 28 anos, que entra no octógono para enfrentar o americano Cory Sandhagen, ganhou sua graça por causa de um craque inglês que fez miséria nos gramados dos anos 80.

“Quem colocou meu nome foi meu pai, se inspirando no jogador Gary Lineker, da Inglaterra, na Copa de 80”, contou o lutador ao ESPN.com.br.

“Meu pai gostava bastante dele. E aí ele foi colocar meu nome no cartório, ia ser Gary Lineker, mas a mulher do cartório disse que não podia colocar dois nomes americanos. Aí ele perguntou se podia ser John e ela falou que sim”, explicou o brasileiro.

“Ele questionou sobre John Lineker também serem dois nomes americanos, mas aí ficou”, disse, rindo da situação inusitada.

Apesar da relação com o esporte preferido dos brasileiros, Lineker gosta mesmo é do octógono.

“Eu dei uma olhada, mas não sigo muito futebol até porque eu não sei jogar direito. Não sou tão leigo, mas não entendo muito”, declarou.

Foi 'zoado' e se provou

Lineker entrou no mundo das lutas com 12 anos de idade, quando começou a treinar boxe inspirado por Acelino “Popó” Freitas. Assim como seu ídolo, ele queria sair da realidade onde vivia e alcançar um lugar melhor para sua família.

Mas o dinheiro era curto, e só o esporte não foi suficiente para sustentá-lo. “Trabalhei como servente de pedreiro, em mercado, como auxiliar de mecânico”, contou Lineker. “Até que um dia larguei a mão de tudo, pedi a conta no emprego que eu tinha, falei que queria me dedicar à luta e os caras até tiraram sarro de mim achando que eu estava meio louco”, recordou.

Apesar da desconfiança de seus conterrâneos, John se dedicou para destacar-se no esporte. Com 18 anos, migrou para o MMA e usou todas as dificuldades como combustível para crescer na profissão.

“O último emprego que eu larguei foi auxiliar de mecânico, eu tinha apenas três meses lá, até por isso os caras tiraram um sarro. Mas depois, encontrava eles lá na minha cidade e eles me cumprimentavam, me parabenizavam pelo esforço e pela dedicação na minha carreira no esporte”, disse o lutador.

Cinturão é possível?

A categoria até 61kg, que já foi do brasileiro Renan Barão, era dominada pelo americano T.J. Dillashaw desde novembro de 2017. Em março deste ano, porém, ele foi pego no exame antidoping e deixou o cinturão sem dono.

Conhecido como “mãos-de-pedra”, Lineker só tem uma derrota lutando no peso-galo, justamente para Dillashaw. Apesar disso, ele é apenas o oitavo nos rankings da categoria no UFC, algo que não o incomoda.

“Até entendo o fato de eu estar em oitavo no ranking pelo tempo que fiquei parado. E os caras estavam lutando, acho que é normal isso acontecer. Mas não acredito que isso tenha apagado o que eu já fiz no UFC e espero que eu possa estar nas cabeças para lutar pelo título novamente”, afirmou.

O brasileiro crê que isso pode acontecer também pela suspensão de dois anos ao ex-campeão.

“Vejo esse afastamento como uma parte boa para categoria dos 61 kg, porque estava bem travada para os novos desafiantes ao título. Com essa retirada dele por causa do doping, ajudou bastante a destravar a categoria. Então agora, com certeza, a gente vai ter oportunidade de estar lutando pelo título”, declarou.