Neste domingo, o Chelsea recebe o Manchester United, no estádio Stamford Bridge, às 14h30 (de Brasília, com transmissão na ESPN Brasil e WatchESPN), pela 11ª rodada da Premier League. A vitória é essencial para o United continuar perseguindo o Manchester City na briga pela liderança. É também uma partida muito importante para o Chelsea, que busca subir algumas posições na tabela e se aproximar da ponta.
Mas, apesar do peso da disputa, a rivalidade não se limita apenas ao campo. Isso porque os técnicos se tornaram mais protagonistas que as próprias equipes. Mesmo sem conviverem nas mesmas ligas por muito tempo, Antonio Conte e José Mourinho desenvolveram, nos últimos anos, uma relação de hostilidade extra campo.
Mais recentemente, os comandantes trocaram farpas em coletivas de imprensa que nada tinham a ver com a Premier League. Mas, como, em tão pouco tempo de convivência, a relação entre os dois chegou a esse ponto?
Troca de técnico
Em dezembro de 2015, após vencer a temporada anterior, o Chelsea estava apenas a um ponto da zona de rebaixamento da Premier League. Diante desse cenário, a diretoria resolveu encarar uma indenização de 40 milhões de libras (mais de 170 milhões de reais) e demitir José Mourinho. Bicampeão inglês em sua primeira passagem pelo Chelsea e campeão novamente em sua segunda passagem, o técnico tinha um contrato até o final de 2019, mas deixou a equipe naquele momento.
Após um período com o holandês Guus Hiddink trabalhando interinamente, o Chelsea anunciou a contratação do italiano Antonio Conte, em abril de 2016, que assumiu seu primeiro desafio fora de sua terra natal.
Um mês depois, em maio, o Manchester United anunciou a contratação de Mourinho.
Outubro de 2016
Bastaram cinco meses e o primeiro confronto entre os dois técnicos para que as desavenças tivessem começo.
Em seu primeiro retorno ao Stamford Bridge, Mourinho já sentiu o peso encarar a torcida de seu ex-time. Em partida válida pela Premier League, o Chelsea goleou o Manchester United por 4 a 0, com o primeiro gol aos 30 segundos do primeiro tempo.
Com o jogo quase finalizado e o placar já em 4 a 0, Conte se manifestou pedindo apoio da torcida. A atitude irritou Mourinho, que, após o apito final, puxou o italiano e falou no pé de ouvido: “Você não comemora assim quando já está 4 a 0. Você pode fazer isso quando está 1 a 0. Além disso, é humilhante”.
A atitude gerou interesse da imprensa internacional. Diante de questionamentos, Conte se posicionou: “Eu já fui jogador de futebol, então sei como me comportar no gramado”, disse sobre a cobrança do rival. “Havia torcedores do United cantando quando o placar estava 4 a 0, enquanto nossa torcida ficou em silêncio. Queria chamar nosso público para aplaudir os jogadores, o que, para mim, parece ser algo totalmente normal”, justificou.
Na época, Conte ainda afirmou ter muito respeito por Mourinho. Esse seria o primeiro estranhamento entre os dois.
Março de 2017
O mês de março trouxe mais de uma polêmica entre os dois comandantes. Quando questionado sobre o desempenho do United, Mourinho cutucou alguns rivais da Premier League, entre eles, o Chelsea, melhor colocado no campeonato nacional: “A realidade é que ele [Conte] tem tempo para trabalhar, tempo para descansar, para relaxar, para se desconectar, tempo para viajar. Eles têm tempo para todas essas coisas, então estão em posição de privilégio”.
No mesmo mês, as duas equipes se enfrentaram pelas quartas de final da Copa da Inglaterra. A partida terminou 1 a 0 para o Chelsea, com o Manchester United eliminado. Apesar do placar magro, foi uma partida cheia de polêmicas.
O United teve Ander Herrera expulso ainda no primeiro tempo, após levar dois cartões amarelos. Conte e Mourinho se estranharam e discutiram na beira do gramado, sendo separados pelo árbitro. Na coletiva após a partida, o italiano reclamou da atitude dos jogadores do time rival: "Qual foi a tática do United [no jogo]? Eu não sei. Mas essa tática, de jogar chutando seu oponente, não existe. Isso não é futebol para mim".
Abril de 2017
Apenas um mês depois, Conte aproveitou a liderança do Chelsea no Inglês para provocar Mourinho e Guardiola de forma indireta. “Essa época é muito importante para perceber que nem sempre ganha quem gasta mais dinheiro. Caso contrário, os primeiros lugares não seriam ocupados por Chelsea e Tottenham, ou por Arsenal e Liverpool.”
Julho de 2017
Em julho, Conte provocou novamente Mourinho. Mas, diferentemente do que aconteceu em abril, dessa vez o italiano foi direto ao atacar o português.
Ao falar da dificuldade da Premier League, mesmo sendo atual campeão, Conte usou o exemplo da última passagem de Mourinho pelo time, na qual foi campeão e, na temporada seguinte, foi demitido, deixando o time a um ponto da zona de rebaixamento. O Chelsea terminou em décimo, não se classificando para nenhum campeonato internacional pela primeira vez desde 1997.
“Nós sabemos da dificuldade da próxima temporada e certamente queremos evitar a ‘temporada de Mourinho’ com o Chelsea. Dois anos atrás, o time terminou o campeonato em décimo lugar e nós queremos evitar isso”, declarou.
Ao saber da declaração de Conte, Mourinho rebateu: “Eu poderia responder de várias maneiras diferentes, mas não vou perder meus cabelos para falar de Antonio Conte.”
Outubro de 2017
O episódio mais recente dessa saga aconteceu em outubro, após partidas das equipes na Champions League.
Depois da vitória do Manchester United sobre o Benfica, partida na qual o time inglês perdeu Rashford, lesionado, o técnico português deu início a mais uma discussão. “Se eu quisesse reclamar, poderia ficar chorando como fazem os outros [técnicos] por cinco minutos, já que perdi Ibrahimovic, Fellaini, Pogba, Roja…”, afirmou. "Eu nunca falo sobre lesões. Outros técnicos choram, choram e choram quando um atleta se machuca".
Já na coletiva de Conte, após empate em 3 a 3 contra a Roma na Champions, o italiano foi questionado sobre as declarações do português. Ao saber do que se tratavam, disparou: “Muitas vezes Mourinho fica de olho no que acontece no Chelsea. Eu acho que ele precisa pensar no seu time e parar… Deve olhar para si mesmo, não para os outros”.
