Primeiro medalhista paraolímpico de inverno da história do Brasil, Cristian Ribera é o convidado do ‘Bola da Vez’ deste sábado (4), às 22h (de Brasília). Prata em Milão-Cortina 2026, no esqui cross-country sprint, o atleta de 23 anos contou como a família dita os rumos de sua vida.
“Eles sempre se esforçaram tanto para fazer o melhor por mim, e por que não eu fazer por eles. Através do esporte, das competições, isso foi minha maior força, querer ver eles ganhando na vida tanto quanto eu, a gente ganhar como uma família”, disse.
Natural de Rondônia, Cristian e sua família se mudaram para Jundiaí, no interior de São Paulo, para tratar sua artogripose múltipla congênita, uma condição que restringe o movimento das articulações.
“Minha família sempre me deu muita força. Eles mostraram para mim que tudo era possível, mesmo eu tendo a dificuldade de estar em uma cadeira de rodas, não significa que eu não conseguiria fazer o que eu queria. Eles sempre me ensinaram isso, de ser independente, de correr atrás dos meus sonhos”, disse.
Foi correndo atrás dos sonhos que Cristian também inspirou sua irmã Duda, que já tem duas Olimpíadas na bagagem competindo no ski cross country. Os irmãos conseguiram levar pai e mãe para a Itália, este ano.
“Levar eles para lá foi uma grande realização para nós, acompanhar a Olimpíada da Duda. Foi muito especial. Eu e meu irmão planejamos estar na Europa, lá perto, neste período para acompanhar nem que fosse uma prova só da Duda. Já seria muito especial.”
Ao falar sobre essa realização, Cristian traz mais memórias de sua criação e explica como quer, através do esporte, ajudar sua família financeiramente. O atleta diz que já conseguiu “aposentar” sua mãe da profissão de diarista.
“Minha família vem de origem humilde, nunca tivemos tanto dinheiro assim. Estar nesse patamar de estar viajando, aproveitando a vida. Esportivamente, (minha meta) era ganhar essa medalha. Agora, é ganhar a próxima, mas principalmente ajudar minha família financeiramente. Essa vontade, determinação, acho que veio da dificuldade financeira que a gente tinha antes”, disse.
“Somos uma família grande, cinco irmãos. Tem toda a 'sobrinhada', então não era fácil. Meus irmãos sempre ajudaram muito em casa, eles, minha mãe, meu pai. Então, essa dificuldade me mostrou que eu tinha que ganhar por eles também, não daquele buraco, mas com muito amor que a gente tinha, tirar eles dessa dificuldade toda e dar uma vida melhor”, completou.
