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Marcus D'Almeida supera 'frustração' olímpica e conquista prata no Mundial de Tiro com Arco com ajuda de técnico sul-coreano

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Vice-campeão do Mundial de Tiro com Arco, Marcus D'Almeida conta com a maior dificuldade de ser atleta olímpico (2:04)

Arqueiro concedeu entrevista exclusiva para a ESPN Brasil antes da competição disputada na Coreia do Sul (2:04)

Enquanto o Brasil dormia, na madrugada de quarta para quinta-feira, um brasileiro subiu ao pódio da elite do tiro com arco.

Marcus D'Almeida se consagrou vice-campeão mundial ao chegar à final do principal campeonato da modalidade, disputado em Gwangju, na Coreia do Sul. Na decisão, ele acabou superado pelo espanhol Andrés Temiño.

Com a medalha de prata, o carioca de 27 anos teve uma campanha espetacular no país asiático, considerado a maior potência do esporte, incluindo uma vitória sobre o “dono da casa”, Kim Woojin, atual campeão olímpico e dono de 10 medalhas de ouro em Mundiais. O triunfo nas oitavas de final teve um significado especial, já que foi o próprio sul-coreano quem eliminou Marcus nas Olimpíadas de Paris.

Desde a frustração na capital da França, em julho do ano passado, Marcus D'Almeida não baixou a cabeça: continuou treinando forte e encarou de frente seu desempenho olímpico.

“Foi sentir esse momento. Tentar se esconder dele e fingir que não aconteceu, para mim só vai piorar as coisas. Foi um resultado que enfim, ninguém esperava. Quem decidiu apoiar só pelos meus resultados passados e achava que eu era atleta só de Paris, e não quiser mais acreditar também, não tenho problema dessa pessoa. Quem quiser ficar do meu lado me apoiando é muito bem-vindo. Eu sinto que tem muita mais gente me apoiando do que querendo falar que ah, foi ruim e eu não mereço isso. Então, eu continuo fazendo o meu trabalho, como eu sempre fiz.”

Principal nome do país na modalidade há quase 10 anos, Marcus já mostrou no final de 2024 que segue trabalhando forte.

“Depois de Paris, eu já fui bronze na final da Copa do Mundo, então, são só os oito melhores do mundo e estou dois anos seguidos no pódio, o que é raríssimo, são poucos atletas. Depois, quando acabou a Copa do Mundo, realmente pra mim encerrava o ciclo olímpico. Aí, eu pensei e estou digerindo isso. Não é fácil chegar. É saber, tudo o que eu já fiz, está aqui dentro e vai aparecer na hora certa. Não é fácil, ainda mais na estrutura do nosso país, que é essa montanha russa. Agora, é aguentar. É o que a gente diz. Quem fez o cobertor para frio, vai aguentar, e eu espero muito que tenha feito cobertor.”

Marcus não só fez um cobertor, como está investindo ainda mais na carreira e buscando reforços na equipe. No início deste ano, ele contratou um treinador renomado justamente da Coreia do Sul, principal potência do tiro com arco.

“É um treinador coreano, eu já fui diversas vezes para a Coreia, só que é muito longe, muito cansativo, e a gente conseguiu achar um treinador coreano que quisesse vir para cá e me treinar. Então, agora, juntei os dois mundos. Estou por aqui e com treinador coreano, que é uma linha de raciocínio que eu gosto.”

O brasileiro treina em Maricá (RJ), onde fica a base da seleção brasileira de tiro com arco. Os dois se conheceram durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

“Ele foi o primeiro treinador que me chamou para a seleção brasileira. Então, basicamente ele me descobriu. Ele que me levou para seleção, só que eu treinei pouco tempo com ele, ele saiu uns seis e sete meses depois. Eu não tive essa oportunidade de trabalhar tão a fundo igual espero até agora. Então, agora, então realmente desfrutar esse ciclo.”

Os frutos da parceria já aparecem em 2025: a prata em Gwangju foi a terceira medalha do ano. Marcus também foi campeão do Campeonato Sul-Americano, em Medellín (Colômbia), em maio, e da etapa da Copa do Mundo em Antalya (Turquia), em junho.

Apesar dos resultados expressivos e da dedicação intensa, Marcus ainda sofre com a falta de patrocinadores.

“O principal desafio é que todo mundo quer tudo imediato e quer tudo que agora. Então, as marcas e os patrocínios só querem patrocinar seis meses antes das Olimpíadas. Enquanto, a gente tem valores, tem imagem e tem tudo isso para agregar as marcas, não é?

A gente tem milhões de contratos que a gente não pode vacilar, antidoping e bilhões de coisas aí. Então, assim você saber que você tem um cara super profissional e que se dedica ao esporte o tempo inteiro, representando a sua marca. Eu não vejo nada mais de valor do que isso. Enfim, as pessoas e as marcas só querem patrocinar, o que é do momento.”

Marcus disse que antes dos Jogos Olímpicos de Paris tinha de quatro a cinco patrocinadores, já que era um dos favoritos a medalha no tiro com arco, uma vez que liderava o ranking mundial. Depois da França, esse número zerou. Todos eram contratos curtos e que não foram renovados.

Mesmo assim, Marcus se desdobra para investir na carreira e conta com ajuda para pagar o técnico.

“A Confederação junto com COB, que paga o salário dele e que paga toda essa estrutura. Assim, eu acredito que a decisão tem a ver também com meus resultados e com coisas que eu fiz no passado.”

As flechas no alvo fizeram com que o Comitê Olímpico do Brasil acreditasse no potencial do carioca, que com precisão o que o futuro pode reservar com esse novo técnico.

“Ele também tem um sonho. Ele atirou nas Olimpíadas de 92 como atleta pela Coreia e, desde então, passou por vários países, mas não ganhou uma medalha olímpica. Então, quando a gente se aproximou, eu fui muito claro com ele sobre o que eu queria. Eu também sei muito bem o que ele quer. Então, além do dinheiro, além disso tudo, tem a vontade dos dois dias de conquistar essa medalha, que vai ser tanto para ele como treinador inédita e, se Deus quiser, para mim e para o Brasil.”

Até as Olimpíadas de Los Angeles em 2028 há muito caminho pela frente, mas as flechas atiradas no alvo mostram que Marcus está focado e na direção certa. Seu próximo compromisso, após o Mundial na Coreia do Sul, será o Campeonato Brasileiro em Maricá, entre os dias 23 e 27 de setembro.