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Cavani fala sobre tudo no Bola da Vez: interesse do Brasil, Boca, futuro e a história que 'ficou no vestiário' com Neymar

Edinson Cavani, astro uruguaio do Manchester United, foi o convidado do Bola da Vez desta semana e abriu o jogo sobre carreira


Nos últimos meses de contrato com o Manchester United, Edinson Cavani se prepara para tomar uma decisão sobre o futuro. Sua atual situação, claro, foi um dos temas da entrevista exclusiva do uruguaio no Bola da Vez, que você assiste pela ESPN no Star+. Mas não foi só.

Das especulações envolvendo o futebol brasileiro e sul-americano ao momento em que pensou em deixar os Red Devils, passando até pelo desentendimento que teve com Neymar no PSG, o atacante falou um pouco sobre tudo – e com bastante sinceridade.

Jogar no Brasil, por exemplo, onde esteve ligado a Botafogo e Corinthians, principalmente, é mesmo uma possibilidade? "Meu irmão comentou um pouco sobre diferentes oportunidades e situações apresentadas atualmente. E entre elas, a possibilidade de jogar no Brasil. Não mencionaria especificamente um time, mas recebemos contatos do Brasil para o ano que vem estar aí, na próxima temporada", disse.

"São oportunidades, portas que se abrem. E como eu sempre digo, sou muito grato aos brasileiros porque sempre que jogo no Brasil, quando estive com a minha seleção sempre foram muito carinhosos. É algo que reconheço, porque se tem uma coisa que eu sou, é grato. Sobre o futuro, ainda não sei, vamos ver o que acontece, mas sou muito grato aos brasileiros."

Cavani só evitou dizer se ficou próximo de alguma equipe interessada brasileira, até por respeito ao United, com quem tem contrato até o final de junho. Ele, inclusive, quer dar prioridade ao time de Manchester, caso desejem renovar seu vínculo.

"Não diria próximo, porque são situações que surgem, falam com meu irmão. Mas, por respeito ao clube em que estou, o que eu sei é que aqui teriam preferência por terem me dado a oportunidade de ser parte desse time. Vai finalizar a temporada e depois veremos."

"Houve interesse do Brasil sim, não só agora, mas antes também. Mas vamos ver o que acontece, porque nem eu tenho claro, apenas que quero achar um lugar onde eu possa jogar e voltar ao ritmo, é o que eu mais quero para a minha seleção."

'Arrepios' com a Libertadores

Se Cavani jogará na América do Sul no futuro, só o tempo confirmará, mas o uruguaio não teve problema para detalhar o que sente ao ver, por exemplo, um jogo de Conmebol Libertadores. E que isso mexe com ele.

"Para mim, o futebol é tão lindo. E onde eu estiver, o vivo da mesma forma. Não sou aquele tipo de pessoa que diz que tal liga é melhor, que ganhar um título lá é diferente de ganhar aqui", iniciou. "Quando assisto pela televisão um jogo da Libertadores, quando vejo um clássico da América do Sul, fico arrepiado, adoro assistir, adoro sentir. Imagino se um dia sou eu ali, jogando. E tenho certeza de que vou sentir a mesma coisa que sinto no Manchester, no PSG, que senti no Napoli. É assim que vivo o futebol. Possibilidades sempre há."

Só que os brasileiros não estão sozinhos entre os times de olho em Cavani. O Boca Juniors, da Argentina, também está na parada, como o próprio atacante reconhece.

"Como eu comentei anteriormente, houve um contato com Román (Riquelme). Inclusive me escreveu, nos comunicamos. São coisas que no ambiente do futebol, entre colegas, acontece. E. como mencionei, é um grande clube da América do Sul. Como, como um jogador de futebol, eu poderia dizer que não gostaria de jogar em um time como o Boca um dia? É como comentei com vocês, como afirmar que não gostaria de jogar em clubes grandes, como alguns do Brasil?"

"São coisas que acontecem, é inevitável não ter contato. Vamos ver o que acontece mais adiante. Estou em uma situação em que, sinceramente não sei o que acontecerá o ano que vem. Quero terminar minha temporada aqui, quero terminar jogando, dando o meu máximo neste clube que me deu a oportunidade, e darei prioridade no momento de conversarmos. Quero jogar futebol, quero me divertir, quero competir. E vamos ver o que acontece."

Cristiano Ronaldo e o Manchester United

A história de Cavani no Manchester United, contudo, poderia ter sido encurtada. No momento em que o clube anunciou Cristiano Ronaldo, o uruguaio admite que pensou em ir embora.

"Falando a verdade, pois sempre digo a verdade, como deve ser. No momento que aconteceu achei bom que o Manchester contratasse o Cristiano. Conhecendo um pouco o mundo do futebol atualmente, a primeira coisa que fiz foi ligar para meu irmão e falei: ‘Fernando, se isso tivesse acontecido há uma semana, eu pediria para você fechar com outro clube’."

"Não há segredos no futebol, para mim já foi tudo inventado, e eu tenho uma visão do futebol que ninguém tira de mim. Então eu liguei para o meu irmão e falei isso. Porque ele falava: ‘Seja positivo, Edi, vocês farão um bom trabalho…’ Me disse várias coisas. Não tinha dúvidas de que poderia ser assim. ‘Mas vejamos o que acontece com o tempo’. E tudo aconteceu e é isso, aqui estamos, somando, como em todos os lugares onde estive, mas o meu modo de pensar e forma de ver o futebol me deu a razão nos primeiros meses e daí para adiante…"

Cavani também conviveu com lesões nesta temporada, que o atrapalharam. Mas, em ano de Copa do Mundo, ele tem na cabeça algo muito claro: precisa jogar mais, seja em Manchester ou em qualquer outro lugar.

"Se quiser que eu me venda aqui na televisão, vou dizer que estou fisicamente espetacular. É verdade o que disse, gostaria de jogar mais tempo. Tenho tido alguns problemas que me mantiveram afastado. Claro que meu principal objetivo é conseguir uma progressão para chegar na Copa do Mundo no auge do meu rendimento, e isso se consegue jogando. Não significa que tenho que jogar na Ingaterra, Itália ou Espanha, mas essa progressão é também individual, de acordo com a intensidade que cada um dedica ao jogo.”

Neymar

Antes do United, Cavani construiu uma história de sucesso no PSG, na França, mas que acabou marcada também por um episódio com Neymar, então recém-chegado ao clube. O brasileiro e o uruguaio discutiram em campo sobre quem bateria um pênalti. Hoje, porém, o atacante garante que o episódio está mais do que superado.

"Na vida e no futebol eu sempre lido da mesma forma. Há coisas que acontecem dentro do vestiário. Termina e fica lá. O que acontece em campo, se resolve no vestiário. Se é preciso dar uns tapas, é no vestiário e fim da história. Para mim é assim no futebol e também na vida. Não comentarei algumas situações porque para mim já passou", resumiu.

"Se para outras pessoas é de outra forma, é de cada um. É como cada um lida com as situações e com a vida. É isso o que tenho a dizer sobre isso que aconteceu naquela ocasião. Para mim ficou no vestiário e tudo que foi falado e aconteceu foi lá dentro e ali acabou."

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