Ex-lateral-esquerdo, Gilberto falou em entrevista ao Charla Podcast e contou bastidores da seleção em 2006
Pela seleção brasileira, Gilberto disputou duas vezes a Copa do Mundo, em 2006 e 2010. E a primeira vez que foi ao Mundial, o ex-lateral-esquerdo e meia se deparou com um 'oba-oba'.
Em entrevista ao Charla Podcast, o ex-jogador contou os bastidores da preparaçao da seleção brasileira para o Mundial da Alemanha e afirmou que o foco não foi o ideal.
"Parreira até deu algumas declarações sobre a preparação para a Copa, que tinha sido toda feita. Eu via muito isso, o divisor de águas. Entrou a questão do patrocínio forte com a Nike, a questão do 'Joga Bonito', era comercial atrás de comercial. E foi até o slogan utilizado na Copa. Eu ficava às vezes apavorado, porque o Ronaldinho fazia isso nos treinos da seleção e quem ficava observando era o Roberto (Carlos), o Robinho, o Kaká. Às vezes você está no grupo com uma estrela e os outros mais abaixo. Mas na seleção tinha Kaká, Roberto Carlos, Cafu, Adriano, e os caras paravam para ver o malabarismo do Ronaldinho", começou por afirmar.
"Acho que o foco na competição não tenha sido o ideal. A gente tinha jogadores que já tinham sido campeões em 2002, conseguiram vivenciar aquela competição e conquistar. A minha geração foi muito mais concentrada para ganhar em 2006. Pelo fato de eles terem sido campeões em 2002, houve um relaxamento em relação à segunda. Montou-se um oba-oba, era o quadrado mágico, vai ganhar com um pé nas costas. Mas se você não treinar e não correr atrás, acontece o que aconteceu em 2006. Tanto é que 2010 a gente não tinha um grupo tão forte, mas fez uma boa Copa, num lance no segundo tempo contra a Holanda. Em 2006 eu tinha uma expectativa muito maior de ser campeão do mundo do que em 2010."
"Eu particularmente nunca tinha visto coisa igual. A gente foi para Weggis, e o campo que a gente treinava tinha um espaço no escanteio, que o SporTV transmitia quase 24 horas por dia. Na de 2006 foi uma coisa aberta, todo mundo assistia ao treino. Com experiência, você pensa: como o Parreira vai chamar atenção dos caras, com uma câmera pegando todas as reações o tempo inteiro? Era uma situação complicada para o treinador também. Era samba o tempo inteiro, aquela situação da torcida. Eu, na minha primeira Copa, só pensava: poxa, se a Copa for só isso aqui, fica complicado (risos)", completou.
Em cinco jogos do Brasil naquela Copa do Mundo, Gilberto atuou apenas em um. Contra o Japão, jogou os 90 minutos e marcou um gol. E a bola na rede teve dedo do técnico Levir Culpi.
"O Dida começa a jogada, eu domino, passo para o Robinho, que toca no meio para o Gaúcho, que dribla o japonês e ele lança. Eu me projeto e ele lança. Quando eu recebo e dou o tapa na frente, eu vejo o Ronaldo entrando na marca do pênalti. Ele finge que vai e dá uma recuada, e o japonês automaticamente acompanha. Pensei comigo: vou chutar. E eu me lembro do Levir Culpi no Cruzeiro falando: chuta no pé da trave que o goleiro não pega. E eu treinava muitas vezes com o Dida, chutava e ele às vezes não conseguia pegar. E pensava: não é que o velho tem razão? Foi aí que bati e fiz o gol", finalizou.
No Brasil, Gilberto teve passagens de sucesso por Cruzeiro, Flamengo, Vasco e Grêmio. Fora do país, atuou por Inter de Milão, Hertha Berlin e Tottenham. Pela seleção, além das duas Copas do Mundo, disputou duas vezes a Copa das Confederações, em 2003 e 2005, além da Copa América, em 2007.
