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Final da Champions: tire suas dúvidas sobre concussão de goleiro do Liverpool

A atuação do goleiro Karius na final da Champions League voltou aos noticiários após ser divulgado que o atleta sofreu uma concussão antes de tomar os três gols na partida - dois deles, por falhas grosseiras suas - e que isso poderia ter afetado seu desempenho em campo. A torcida do Liverpool, inclusive, pediu a anulação do jogo.

Para entender melhor o caso, o ESPN.com.br consultou um médico e um advogado para responder algumas questões: a partida pode ser cancelada? A lesão pode ter afetado a atuação do goleiro? Houve negligência? E Sergio Ramos, pode ser punido?

Para o especialista em Direito Desportivo do escritório CSMV, Américo Espallargas, não é possível qualquer alteração no resultado do jogo: “Não é cabível. Não há nenhuma previsão no Código Disciplinar nem da UEFA nem da FIFA”.

O que cabe ao Liverpool fazer, então? “Qualquer atitude que o clube tome nesse sentido vai ter um fim muito mais político do que jurídico”, explica.

Já Karius poderia, por exemplo, “dizer que as recomendações de concussão que a UEFA tem não são suficientes para salvaguardar a saúde dos jogadores e aí não seria uma acção do Liverpool” e, então, entrar com uma ação para conseguir uma possível indenização.

Voltemos então as atenções para Karius. Para Ibrahim Elias Nasseh, neurologista Hospital São Camilo, qualquer afirmação sobre o quadro do goleiro durante a partida é incerta.

“(As concussões) podem afetar temporariamente diversas funções do cérebro como o equilíbrio, coordenação, julgamento e humor”, explica, mas alerta que mesmo dentro da medicina há controvérsias sobre os efeitos de uma lesão deste tipo: “Alguns autores a consideram mais como sendo um espectro de dano psíquico que uma entidade neurológica propriamente dita”.

“Controvérsias à parte”, continua Ibrahim, “é possível justificar os erros que o goleiro possa ter cometido pelo trauma ocorrido, mas nunca de maneira inequívoca” e, portanto, “pode ser uma maneira de encobrir o que realmente aconteceu”, conclui.

E Sergio Ramos, pode ser punido pelo lance? “A não ser que o Tribunal (Disciplinar da UEFA) entenda que ele agiu de uma maneira negligente, imprudente ou que ele tem a mesma agido de maneira dolosa para causar concussão”, o lance não é passível de pena, diz Américo.

O procedimento seria semelhante ao que acontece na Justiça Desportiva brasileira.

A CONCUSSÃO NO FUTEBOL E NO ESPORTE

Finalmente, Américo lembra que, enquanto muitos esportes tem protocolos rigorosos para choques na região da cabeça, o futebol ainda desatualizado, há apenas “uma política de recomendação, não existe um protocolo obrigatório”.

Na NFL, por exemplo, “tem o médico do time, o médico do time adversário e um médico neutro para fazer a avaliação clínica. Se o atleta apresenta sinais de ter sofrido uma concussão, ele está fora do jogo automaticamente”, explica.

Ele ainda lembra o caso recente de Kevin Love, jogador do Cleveland Cavaliers que ficou de fora do Jogo 7 das finais de conferência da NBA por entrar no protocolo de concussão no Jogo 6.

No futebol, as discussões para a criação de um procedimento tem avançado, sobretudo após a lesão do volante Kramer, da Alemanha, que não se lembra da final da Copa do Mundo de 2014 (da qual foi campeão) por ter batido a cabeça durante a partida.

“No caso, o que diz a FIFA é que isso (tirar ou não o jogador de campo) seria uma decisão final do médico” e incontestável tanto por jogador ou árbitro, “é como se não tivesse com uniforme completo”, finaliza.