INFOGRÁFICO - Camisa, calção e meia: a história dos uniformes do Brasil na Copa do Mundo

* Pesquisa de Rafael Valente, com edição de Ricardo Zanei e Igor Resende, arte de Dalton Cara e Bárbara Resende e edição de vídeo de Robson Romeiro

  • Há várias maneiras de se contar a história do Brasil nas Copas do Mundo. Pelos títulos, vitórias, derrotas, vexames. Pelos gols e pelos artilheiros. Pelos heróis e vilões. E pelas camisas. Os mantos sagrados permeiam todo o caminho brasileiros nos Mundiais. Uniformes malditos, aqueles de derrotas marcantes, se unem aos eternas, de conquistas ímpares. Combinações que não existiam, mas acabaram surgindo pela necessidade. Outras que entraram em campo apenas uma vez, para nunca mais aparecerem de novo. Veja, abaixo, a trajetória do Brasil nas Copas por meio dos uniformes, uma história que une cores, combinações e, claro, muita superstição : 

  • A estreia
  • Copas: 1930 e 1934
  • Camisa branca

  • Calção azul 

  • Meias pretas

  • Retrospecto
  • Vitórias: 1

  • Empates: 0

  • Derrotas: 2

  • Foi em 14 de julho de 1930 que o Brasil estreou na história das Copas do Mundo. O resultado não foi dos melhores, derrota por 2 a 1 para a Iugoslávia. Foi com essa roupa que Preguinho, filho do escritor Coelho Netto e um dos grandes nomes do Fluminense, marcou o primeiro gol brasileiro em Mundiais. Mas o traje, usado também na primeira vitória, 4 a 0 sobre Bolívia, também em 1930, acabou aposentado depois da derrota por 3 a 1 para a Espanha, placar que eliminou o Brasil na Copa do 1934. A roupa da estreia durou apenas 4 anos e três jogos.

  • 100% azul
  • Copas: 1938 e 1994
  • Camisa azul

  • Calção azul 

  • Meias azuis

  • Retrospecto
  • Vitórias: 2

  • Empates: 0

  • Derrotas: 0

  • Duas vitórias em 56 anos. E pensar que o uniforme inteiro azul surgiu de uma derrota na moedinha. No sorteio, o Brasil perdeu para a Polônia e foi obrigado a usar uma cor alternativa e sem distintivo. Leônidas fez um gol de meia – diz a lenda –, e Ernest Willimowski se tornou o recordista de gols contra a seleção brasileira, com três. Em 1994, a camisa voltou contra a Suécia. Quem são se lembra do dancinha do goleiro Thomas Ravelli? E do gol de cabeça do baixinho Romário em meio aos gigantes suecos? Um uniforme para a história.

  • Uma única copa
  • Copa: 1938
  • Camisa branca

  • Calção azul 

  • Meias azuis

  • Retrospecto
  • Vitórias: 2

  • Empates: 1

  • Derrotas: 1

  • Foi em 1938 que camisa azul, calção e mais brancas entrou em campo. Foi em 1938 que a indumentária se aposentou. Com o empate na estreia com a Tchecoslováquia, houve um replay para definir quem avançaria. O repeteco foi disputado apenas 48h depois, com vitória brasileira por 2 a 1. Derrota para a Itália na semifinal, vitória sobre a Suécia na disputa do bronze, e o Brasil, pela primeira vez, aparecia no pódio da Copa. E Leônidas se tornaria o 1º brasileiro artilheiro de um Mundial, com 7 gols em 5 jogos.

  • Roupa maldita?
  • Copa: 1950
  • Camisa branca

  • Calção branco 

  • Meias brancas

  • Retrospecto
  • Vitórias: 4

  • Empates: 0

  • Derrotas: 1

  • Foram 4 vitórias, 19 gols a favor, 2 contra. Uma campanha irretocável. Aí veio o 16 de julho de 1950, veio o Uruguai, a derrota, a história. O Maracanazo foi, por 64 anos, o momento mais doloroso do futebol brasileiro. No jogo marcante e eterno, o Brasil entrou em campo inteiro de branco, como fizera em outras 4 partidas do Mundial. Muito provavelmente pelo resultado, o uniforme nunca mais foi usado em Copas e se tornou uma espécie de “roupa maldita” na história da seleção. O Maracanazo doeu tanto que mudou até a camisa do Brasil.

  • Vaias em São Paulo
  • Copa: 1950
  • Camisa branca

  • Calção azul 

  • Meias brancas

  • Retrospecto
  • Vitórias: 0

  • Empates: 1

  • Derrotas: 0

  • A primeira Copa do Mundo no Brasil, em 1950, reservou o Pacaembu para um único jogo da seleção em São Paulo, contra a Suíça. Não, não foi uma boa experiência. O meio-campo de jogadores cariocas, formado por Eli, Danilo e Bigode, foi trocado pelo técnico Flávio Costa por um trio paulista, Bauer, Rui e Noronha. Desentrosamento à parte, a retranca do rival deu resultado. O Brasil chegou a abrir 2 a 1, mas os rivais empataram no fim. Assim, a seleção deixava o Pacaembu sob vaias, em sua única aparição paulista no Mundial.

  • Um clássico
  • Copas: 1954, 58, 62, 66, 70, 74, 78, 82, 86, 90, 94, 98, 02, 06, 10 e 14
  • Camisa amarela

  • Calção azul 

  • Meias brancas

  • Retrospecto
  • Vitórias: 42

  • Empates: 11

  • Derrotas: 7

  • O Maracanazo criou um trauma tão grande que até a roupa precisava ser esquecida. Nascia, na estreia na Copa do Mundo de 1954, contra o México, a combinação que virou um verdadeiro manto para a seleção: camisa amarela, calção azul, meia branca. Dos cinco títulos, três vieram com essas cores, usadas nas decisões de 1962, 1970 e 1994. No total, essa roupa foi usada em 60 dos 104 jogos do Brasil em Mundiais, 57,69%. A seleção soma 70 vitórias em Copas, sendo 42 com esse uniforme, 60%. Uma herança bela e eterna do Maracanazo.

  • Invicto
  • Copas: 1958, 1974 e 1978
  • Camisa azul

  • Calção branco 

  • Meias brancas

  • Retrospecto
  • Vitórias: 3

  • Empates: 0

  • Derrotas: 0

  • Uma vitória na final, contra a Suécia, em 1958, eternizando a combinação camisa azul, calção branco e meias brancas como aquela que levantou o primeiro título brasileiro na história das Copas . Foram mais duas vitórias: outra sobre o principal rival, a Argentina, em 1974, e quatro anos depois, sobre a Polônia, em jogo que levou a seleção à disputa de terceiro lugar. Três jogos, 100% de aproveitamento. Não dá para reclamar. Curiosamente, o uniforme não é usado pelo Brasil em Copas há 40 anos, uma espécie de descanso para o manto da primeira taça.

  • A roupa de 2014
  • Copas: 1962, 1974, 1978, 1986, 2006 e 2014
  • Camisa amarela

  • Calção branco 

  • Meias brancas

  • Retrospecto
  • Vitórias: 5

  • Empates: 3

  • Derrotas: 2

  • Foram 10 jogos na história com essa combinação, 4 deles na Copa de 2014. Não, não é a roupa do 7 a 1, mas, das 7 partidas do Brasil em “seu” Mundial, 4 foram de camisa amarela, calção branco e meias brancas. Dá para dizer, sem erro, que essa se tornou a roupa da seleção na Copa em sua casa. As emoções foram distintas: da goleada sobre Camarões à vitória sofrida sobre o Chile nos pênaltis, do aperto diante da Colômbia à saideira desanimada na disputa do terceiro lugar contra a Holanda. Um uniforme para ser esquecido?

  • Único e histórico
  • Copa: 1970
  • Camisa amarela

  • Calção azul 

  • Meias cinzas

  • Retrospecto
  • Vitórias: 1

  • Empates: 0

  • Derrotas: 0

  • O Brasil usou meias cinzas apenas uma vez na história das Copas, fazendo que a combinação com camisa amarela e calção azul se tornasse única. Afinal, foi no icônico jogo contra a Inglaterra, em 1970, que esse uniforme foi utilizado. E nunca mais. Assim, foi com essa roupa que Pelé cabeceou firme e viu Gordon Banks realizar aquela que é considerada a defesa mais difícil e bonita de todos os Mundiais. Foi com as meias cinzas que Tostão fez uma jogada absurda e cruzou para Pelé, que ajeitou para Jairzinho fazer um gol inesquecível.

  • Para esquecer?
  • Copa: 1974
  • Camisa azul

  • Calção azul 

  • Meias brancas

  • Retrospecto
  • Vitórias: 0

  • Empates: 0

  • Derrotas: 1

  • Outra combinação que foi usada apenas uma vez, bastando para ser aposentada em Copas. “A Holanda não me preocupa” foi uma das frases do técnico Zagallo antes do duelo contra a Holanda. O futebol total implementado por Rinus Mitchels, simbolizado pela genialidade de Johan Cruijff, deu a resposta em campo: 2 a 0 e a eliminação do Brasil no Mundial de 1974. “Perdemos para uma grande equipe” foi uma das frases de Zagallo após a derrota. Era o fim do sonho do tetra, e também o fim da linha para a roupa azul e branca.

  • O penta e duas dores
  • Copas: 1990, 1998, 2002, 2006 e 2010
  • Camisa amarela

  • Calção azul 

  • Meias azuis

  • Retrospecto
  • Vitórias: 7

  • Empates: 0

  • Derrotas: 2

  • O uniforme “quase” clássico – com meias azuis ao invés de brancas – tem 7 vitórias em Copas, 1 título, mas dá citar que as 2 derrotas foram das mais marcantes. Começamos pelas más notícias: foi essa combinação que viu Maradona entortar a defesa inteira e dar o gol para Caniggia eliminar o Brasil em 1990, assim como Henry repetiu em 2006. Entre as dores, a glória máxima: a vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha, com shows de Rivaldo, Ronaldo e cia, e a conquista do penta em 2002, o último título mundial brasileiro. Um uniforme histórico.

  • Quatro jogos e muita história
  • Copas: 1994, 2002 e 2010
  • Camisa azul

  • Calção branco 

  • Meias azuis

  • Retrospecto
  • Vitórias: 2

  • Empates: 1

  • Derrotas: 1

  • A combinação estreou na primeira fase de 1994, no empate com a Suécia. Depois, só jogos que se tornaram inesquecíveis, começando pelo espetacular 3 a 2 sobre a Holanda, nas quartas de final no caminho para o tetra. Foi com essa roupa que Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho (que gols!) viraram sobre a Inglaterra rumo ao penta em 2002. E veio a Holanda de novo, dessa vez sem alegria: Robinho marcou, Felipe Melo foi expulso, mas Sneijder resolveu dar show e virou, eliminando o Brasil em 2010. Uma roupa de festa, de boas memórias – e um tropeço.

  • 100%
  • Copa: 2002
  • Camisa amarela

  • Calção branco 

  • Meias azuis

  • Retrospecto
  • Vitórias: 1

  • Empates: 0

  • Derrotas: 0

  • Mais uma indumentária usada apenas uma vez, com 100% de aproveitamento. No caminho para a conquista do penta, o Brasil, classificado, pegou a Costa Rica, que ainda sonhava com a vaga. Felipão poupou os pendurados Roque Júnior e Ronaldinho, e o jogo virou uma maluquice. Sobrando, a seleção fez 3 a 0, com direito a golaço de Edmilson. A defesa cochilou, os rivais descontaram, 3 a 2. Rivaldo e Júnior marcaram e construíram a goleada, 5 a 2. E foi assim que a combinação entrou em campo apenas uma vez em Mundiais.

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