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Veja como São Paulo quer inovar no uso da tecnologia para lapidar talentos

Uma das referências no Brasil quando o assunto é trabalho nas categorias base, o São Paulo tenta ser pioneiro em um novo sistema para aperfeiçoar os garotos que treinam em Cotia. Tem focado no uso da tecnologia e trabalha em aplicativo próprio para os atletas.

A ideia é fornecer aos jogadores das categorias sub-15, sub-17 e sub-20 informações completas dos treinos que vão fazer, dos treinos que fizeram, dados para aprimoramento e detalhes pessoais. Tudo pelo celular, aproveitando algo que já está inserido na rotina deles.

"É o que estamos tentando fazer, usando tecnologia a nosso favor e não contra. Como? Por meio de aplicativos que mandam informações ao garoto de como ele treinou, quanto ele correu durante o treino. Eles recebem pelo WhatsApp informações pessoais, têm acesso a isso, e a gente tenta fomentar eles a usar a ferramente a seu favor", explicou Pedro Smania, coordenador da base tricolor.

De acordo com ele, o clube está ainda na fase de customização de aplicativos para esse fim, criando um banco de dados inédito para alimentar o sistemas e compartilhá-lo com todos os envolvidos. No entanto, algumas experiências já são práticas.

"Ainda estamos customizando o que queremos e avaliando. Até porque são vários projetos, vários protótipos, sendo aplicados. Hoje, a gente trabalha o envio da análise de dados por WhatsApp pelo sistema de planilhas prontas. Os jogadores só tem o trabalho de fazer o download da planilha. Enviamos no Grupo dos Atletas. Tem sido assim. Os protótipos estão sendo executados por terceiros para avaliar o que vamos usar".

O clube tricolor entende que o trabalho pode ajudar a lapidar cada vez mais os garotos até que eles cheguem ao profissional. O trabalho de base já tem rendido bons frutos, mas o entendimento é que podem melhorar. Nesta terça, o time sub-20 tricolor enfrentará o Palmeiras pela semifinal da Copa do Brasil da categoria, às 19h30. A partida terá transmissão da ESPN Brasil.

Além de buscar aumentar o foco e o aprimoramento dos atletas, um dos motivos que levaram ao São Paulo a trabalhar em um aplicativo próprio é a dificuldade de "blindar" os jogadores que estão no CT de Cotia. Algo que é visto como calcanhar de Aquiles.

"Pergunta difícil de responder. O que acontece hoje: é difícil o clube blindar o atleta 100%. A tecnologia entrou de uma forma que a gente não consegue mais blindar. A gente pode cortar o Wi-Fi do CT, mas eles vão ter o serviço 4G. Eles vão ter contato com o mundo externo 24h e no momento em que quiserem. Isso tira um pouco o foco dos meninos e atrapalha. É inegável", disse Smania.

Coordenador da base do São Paulo desde março de 2017, quando substituiu Diego Cabrera, Smania trabalhou antes no Figueirense, onde exercia o mesmo cargo, e no Criciúma, clube em que foi treinador de goleiros e cuidava da preparação física, técnica e psicológica. Formando em Educação Física, tem a licença técnica da CBF e já fez curso de gestão esportiva pela Universidade do Futebol.