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Superávit de R$ 30,5 milhões: veja como é o balanço financeiro que Perrella não quis aprovar no Cruzeiro

Jogadores do Cruzeiro comemoram gol no Campeonato Mineiro LightPress

Na semana passada, os bastidores do Cruzeiro pegaram fogo depois que Zezé Perrella, atual presidente do Conselho Deliberativo do clube, não quis aprovar o balanço financeiro referente aos anos 2016/2017, os últimos da gestão Gilvan de Pinho Tavares.

Perrella alegou que os conselheiros do time não tiveram conhecimento dos números em tempo hábil para votarem a aprovação das contas.

"Os conselheiros têm de receber o balanço no mínimo com 15 dias de antecedência, e isso não foi feito. A diretoria não entregou esse balanço em tempo hábil em função da auditoria que contrataram. Não me senti confortável para colocar em votação correndo o risco de amanhã um conselheiro qualquer que não concordasse colocasse a questão na Justiça dizendo que não cumprimos o prazo legal. Esse prazo não foi cumprido porque a diretoria executiva infelizmente demorou a entregar os balanços. E os conselheiros não podem aprovar um balanço ao qual não tiveram acesso ainda", explicou o dirigente.

Gilvan, por sua vez, garantiu que os números foram publicados no dia 3 de abril, e que os conselheiros tiveram tempo hábil para analisar o demonstrativo.

O ex-presidente ainda disse que Zezé Perrella, que atualmente é senador em Brasília, nunca está na sede cruzeirense para tratar de assuntos de interesse do órgão fiscalizador celeste.

De toda forma, o clube atendeu a legislação brasileira e publicou na última segunda-feira, em seu site oficial, o balanço financeiro 2016/2017, mesmo com as contas não aprovadas pelo Conselho - se não tivesse feito isso, a equipe poderia ter seu presidente, Wagner Pires de Sá, afastado.

O BALANÇO POLÊMICO

No balanco financeiro publicado, o Cruzeiro apresenta um superávit de R$ 30.549.615,31 em 2017, valor ainda maior que o lucro da temporada anterior: R$ 29.317.742,96.

Nas contas celestes, houve grande aumento de receitas: de R$ 222.404.224,69 em 2016 para R$ 283.379.468,95 em 2017.

O principal fator que elevou tanto a arrecadação foi o aumento com publicidade e direitos de TV, com elevação de R$ 130.900.402,49 para 177.104.584,41.

As despesas, por sua vez, também aumentaram, mas não tanto: de R$ 193.087.018,67 em 2016 para R$ 219.811.945,70 em 2017.

O maior aumento foi nos gastos com futebol, que cresceram de R$ 10.220.011,32 para R$ 43.024.378,24.

Já os gastos com pessoal se mantiveram estáveis: de R$ 149.267.436,47 em 2016 para R$ 148.552.637,17 em 2017.

O relatório é assinado por Lúcio Antônio de Souza (presidente do Conselho Fiscal), Clémenceau Chiabi Saliba Junior (conselheiro fiscal) e Ronaldo de Assis Carvalho (conselheiro suplente), que disseram que tudo está regular.

"O Conselho Fiscal do Cruzeiro Esporte Clube é de opinião que as referidas peças estão apresentadas em conformidade com os aspectos relevantes das práticas contábeis adotadas no Brasil e refletem adequadamente a situação patrimonial e financeira do clube, opinando por sua aprovação", escreveram.

Já Dênio de Oliveira Lima e Frederico Yuri Abreu Mendes, auditores contratados para avaliar o balanço, também salientaram que tudo está regular.

"Em nossa opinião, as demonstrações contábeis acima referidas representam, adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Cruzeiro Esporte Clube, em 31 de dezembro de 2017, o desempenho de suas operações e os fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, de acordo com os princípios de contabilidade emanados da legislação societária", definiram.

NÚMEROS CONTRASTAM

O superávit de R$ 30.549.615,31 apresentado pela "Raposa" contrasta bastante com os problemas financeiros enfrentados pelo clube nos últimos meses.

Vale lembrar que na virada do ano, na mudança de gestão de Gilvan de Pinho Tavares para Wagner Pires de Sá, a nova diretoria precisou pegar R$ 50 milhões emprestados. A credora que liberou a verba foi o banco BMG, com garantias de patrimônio.

Na época, o montante foi dividido para duas finalidades: encerrar atrasos com os jogadores, como salários e premiações ainda pela conquista da Copa do Brasil e, também, contratações.

Foi com esse dinheiro que os mineiros trouxeram jogadores como Fred, Bruno Silva, David e Edílson, todos com salários altos, como o ala que recebe pouco mais de R$ 450 mil e o centroavante que fatura mais de R$ 800 mil.

O Cruzeiro ainda tem no grupo outros atletas com vencimentos bastante consideráveis para atual realidade brasileira. Thiago Neves e Rafael Sóbis, juntos, ficam próximos de R$ 1 milhão por mês.

Diante dos gastos, a diretoria perdeu, com menos de três meses, o vice-presidente financeiro Divino Alves de Lima. Na ocasião, ele deixou a equipe com a justificativa de “Não ter a habilidade necessária para conviver com o contraditório pelo seu excesso de transparência, contundência e retidão”.

Já no ano passado, o Cruzeiro chegou a ser intimado pela Fifa a pagar uma dívida de US$ 1,5 milhão (na época, quase R$ 5 milhões) com o Huracán, da Argentina, pela aquisição dos direitos econômicos do atacante Ramón Ábila, atualmente no Boca Juniors.