Guia de Wimbledon 2023: Bia Haddad protagonista, Djokovic favoritaço e tudo sobre o Grand Slam na grama

O torneio de Wimbledon de 2023 começa nesta segunda, dia 3 de julho, em Londres, na Inglaterra, e promete reunir os melhores tenistas do mundo nas quadras de grama mais charmosas do circuito.

Todas as partidas do Grand Slam mais antigo do planeta terão transmissão no Star+, que também terá uma janela exclusiva com narração em português das 7 horas da manhã, horário de Brasília, até, pelo menos, às 16h na primeira semana do evento.

Na ESPN 2, Fernando Nardini, Fernando Meligeni e toda a equipe de tênis do grupo Disney também transmitem, em português, os melhores jogos do dia a partir das 07h. Quer mais? O programa Pela Quadras de Wimbledon será diário durante todo o major, sempre ao final de cada dia, para analisar e projetar os principais confrontos.

Os comentaristas que devem acompanhar Meligeni na cobertura do Grand Slam são: Teliana Pereira, André Ghem, Sylvio Bastos, Dadá Vieira e Fernando Roese. Além disso, o correspondente João Castelo-Branco está em Londres para a cobertura in loco do evento.

The Championships, Wimbledon será o palco de mais uma briga pela liderança do ranking da ATP, entre o atual campeão Novak Djokovic e o número 1 Carlos Alcaraz, que vem embalado após o 1º título na grama da carreira. O tenista russo Daniil Medvedev também pode alcançar o topo do mundo caso levante o troféu e seus rivais sejam eliminados precocemente.

No feminino, a brasileira Beatriz Haddad Maia entra na chave principal com muita expectativa após a campanha histórica em Roland Garros e é a cabeça de chave nº 14. A disputa está muito aberta, apesar da presença da atual campeã Elena Rybakina e da número 1 do mundo Iga Swiatek.

Além de Bia Haddad, o Brasil também será representado por Thiago Monteiro na chave masculina de simples. Nas duplas, o tênis brasileiro também vai contar com Luisa Stefani, Marcelo Melo, Marcelo Demoliner e Rafael Matos.

Quer saber mais de Wimbledon 2023? O ESPN.com.br preparou um guia completo abaixo:

Beatriz Haddad Maia nos holofotes

Beatriz Haddad Maia vive, sem dúvidas, o melhor momento da carreira até aqui. A tenista brasileira de 27 anos alcançou a semifinal de Roland Garros no mês passado e entrou, pela primeira vez, no top 10 do ranking da WTA. Bia Haddad chega na chave principal de simples de Wimbledon como cabeça de chave número 13 em sua 4ª participação no Grand Slam britânico.

A brasileira, no entanto, não conseguiu um bom desempenho nos torneios preparatórios para o major disputado na grama. Depois do Aberto da França, Bia acabou eliminada na estreia do WTA 250 de Nottingham, não disputou Birmingham por conta de uma lesão e precisou abandonar a 2ª rodada do WTA 500 de Eastbourne também por conta de dores na parte de trás do joelho.

O momento de Bia Haddad é bem diferente do ano passado, quando na gira de grama, a tenista brasileira foi campeã em Nottingham e Birmingham. No entanto, quando chegou em Wimbledon embalada pelos títulos na Inglaterra, a paulista foi eliminada logo na estreia para a eslovena Kaja Juvan.

O melhor desempenho de Beatriz Haddad Maia no The Championships foi em 2019 e 2017, quando avançou até a segunda rodada. Bia Haddad estreia contra a cazaque Yulia Putintseva e está do lado da chave da atual campeã, Rybakina (em um possível encontro nas quartas de final) e da número 2 do mundo Aryna Sabalenka (em um possível encontro na semifinal).

Apesar da brasileira poder encontrar a líder do ranking Iga Swiatek apenas na final, a paulista pode ter um duelo difícil logo na 3ª rodada contra Jelena Ostapenko.

Djokovic favoritaço e buscando 'empate' com Federer

Novak Djokovic não é o cabeça de chave número 1 de Wimbledon, mas o sérvio é, de longe, o maior favorito da chave de simples masculina. O número 2 do mundo é o atual campeão do Grand Slam e já levantou o troféu 7 vezes em Londres.

Djokovic foi campeão em 2011, 2014, 2015, 2018, 2019, 2021 e 2022 e venceu todas as partidas que disputou na grama sagrada do All England Club desde quando foi eliminado nas quartas de final por Tomas Berdych na edição de 2017 após desistir da partida no 2º set com dores no cotovelo. Como essa desistência não conta como uma derrota para a ATP, o último revés 'oficial' do sérvio em Wimbledon foi en 2016 na 3ª rodada para o americano Sam Querrey. Djokovic, portanto, venceu os últimos quatro torneios de forma consecutiva, uma vez que o Grand Slam não foi realizado em 2020 por conta da pandemia da Covid-19.

Djoko, que com os títulos do Australian Open no início do ano e de Roland Garros no mês passado, se tornou o homen que mais vezes foi campeão de majors na história do tênis, com 23 conquistas, também está de olho em outro recorde. O tenista de 36 anos está a um troféu de empatar com Roger Federer como maior campeão de Wimbledon no masculino e, também, igualar uma sequência de 5 títulos. O suíço é o único homem na história que venceu oito vezes o Grand Slam britânico e conquistou o "penta" consecutivo de 2003 a 2007.

Se for campeão, Djokovic também vai retomar a liderança do ranking da ATP e dar mais um passo importante para o sonhado calendar slam, quando o mesmo tenista vence os quatro majors da temporada. Entre os homens, apenas dois tenistas alcançaram esse feito nas simples: Don Budge em 1938 e Rod Laver em 1962 e 1969.

Quem pode atrapalhar os planos do sérvio é o número 1 do mundo Carlos Alcaraz, que busca o 2º Grand Slam da carreira e foi campeão do ATP 500 de Londres nessa gira de grama, Daniil Medvedev e, quem sabe, os jovens Jannick Sinner e Holger Rune, que buscam o 1º título de major da carreira.

Djokovic estreia nesta segunda, dia 02, contra o argentino Pedro Cachin e se deu muito bem no sorteio. O número 2 do mundo está no mesmo lado da chave de Andrey Rublev (possível encontro nas quartas) e Casper Ruud (possivelmente na semifinal). Kyrgios pode estar no caminho do sérvio caso os dois avancem até as quartas.

Chave feminina sem favorita

Se no masculino Djokovic é o favoritaço, a chave feminina está totalmente aberta. Iga Swiatek, que geralmente é a favorita, tem desafiantes perigosas justamente na superfície que mais tem dificuldades.

A número 1 do mundo foi campeã de Roland Garros, mas nunca passou das oitavas de final de Wimbledon. A grama é, de longe, o tipo de quadra que a polonesa menos obteve sucesso. Iga, até a edição da última semana do WTA 250 de Bad Homburg, nunca tinha passado das quartas de final da competição. Na atual gira, seu melhor resultado foi justamente a semifinal do torneio na Alemanha, quando acabou desistindo da partida em função de uma intoxicação alimentar.

As principais candidatas que podem impedir o 5º título de Slam da número 1 do mundo são Rybakina e Sabalenka. A número 3 do ranking é a atual campeã, mas não conseguiu fazer uma boa gira nesta temporada e está convivendo com alguns problemas da saúde que a obrigaram a abandonar Roland Garros na 3ª rodada. Já a bielorussa chegou na semifinal de Wimbledon em 2021, mas também não foi bem na atual gira de grama.

Quem está embalada é a experiente Petra Kvitova, que já venceu duas vezes Wimbledon, e foi campeã do WTA 500 de Berlim. A tenista de 33 anos, no entanto, declarou que não se sente uma das candidatas ao título. Ons Jabeur, finalista do ano passado, também é um dos nomes que corre por fora da disputa.

Swiatek, apesar de encarar uma estreia difícil, contou com muita sorte no sorteio porque 'caiu' de um lado mais 'tranquilo' da chave. Na 1ª rodada, a polonesa enfrenta a chinesa Zhu Lin, nº 33 do mundo, mas depois só vai enfrentar um nome mais pesado nas quartas (possivelmente Coco Gauff) e na semi pode encarar, provavelmente, Veronika Kudermetova, Caroline Garcia ou Jessica Pegula.

No outro lado da chave, estão Sabalenka, Rybakina, Kvitova, e Ons Jabeur, além de Bia Haddad e Ostapenko. A número 2 do mundo estreia contra Panna Udvardy e a atual campeã de Wimbledon encara Shelby Rogers.

A briga pelo topo do ranking

Além da glória do título do Grand Slam mais charmoso do circuito, Wimbledon também promete entregar uma bela briga pela liderança do ranking, tanto da ATP quanto da WTA.

Como na edição do ano passado o torneio inglês não valeu pontos em função da proibição de participação de tenistas russos e bielorrussos, todos os jogadores entram na disputa sem pontos para defender, possibilitando gigantes saltos na corrida.

No masculino, Carlos Alcaraz está no topo, mas menos de 100 pontos acima do vice-líder Djokovic. Ou seja, caso o sérvio avance até, pelo menos, a 3ª rodada (o que é muito provável), o espanhol precisa ter um desempenho melhor ou igual ao heptacampeão de Wimbledon para manter a liderança. Além dos dois, Medvedev, campeão do US Open de 2021, também corre por fora nesta briga, já que precisa vencer o torneio e torcer para que os dois adversários não passem das oitavas de final.

Alcaraz estreia contra o francês Jeremy Chardy, enquanto o tenista russo, número 3 do mundo, encara o jovem britânico Arthur Fery, que recebeu um wild card.

No feminino, a briga está somente entre Swiatek e Sabalenka, e a polonesa tem uma vantagem confortável. Para a Iga perder o 'trono', que a pertece desde que Ashleign Barty se aposentou no início do ano passado, a número 2 do mundo precisa chegar à final e torcer para que a atual líder do ranking da WTA caia antes das quartas de final. Se Sabalenka conseguir o título, Iga precisa avançar até, pelo menos, a semifinal para se manter no topo.

Thiago Monteiro pressionado para se manter no top 100

Thiago Monteiro conseguiu entrar, por pouco, direto na chave principal de simples de Wimbledon 2023. O tenista cearense de 29 anos ocupa a 96ª posição da ATP e ficou com uma das sete últimas vagas pelo ranking do torneio que tem 128 participantes na disputa de simples.

O brasileiro disputa o Grand Slam britânico pela 5ª vez na carreira e tem nas simples apenas uma vitória nas quadras de grama mais charmosas do mundo. O único triunfo foi logo em sua estreia na chave principal do torneio, em 2017, quando venceu o australiano Andrew Whittington. Nas outras três ocasiões (2019, 2021 e 2022), Monteiro foi superado na 1ª rodada.

O melhor desempenho do canhoto em um major foi em Roland Garros de 2020, quando chegou até a terceira rodada. Thiago optou por não disputar nenhum torneio da gira de grama, e, depois de participar do Aberto da França, jogou alguns Challengers no saibro para defender alguns pontos conquistados no ano passado.

O número 1 do Brasil no tênis masculino precisa vencer e pontuar em Wimbledon para tentar se manter no top 100, uma vez que ninguém defende pontos da edição do ano passado e muitos tenistas que estão atrás do brasileiro podem ultrapassá-lo se avançarem uma ou duas rodadas.

Thiago Monteiro estreia contra o americano Christopher Eubanks, que foi campeão do ATP 250 de Mallorca na última semana, torneio espanhol disputado na grama. O confronto é muito difícil para o brasileiro e, quem avançar desse duelo encara o britânico Cameron Norrie, cabeça de chave númeor 12, ou Tomas Machac.

Murray embalado

Além de Djokovic, apenas um tenista da chave de simples masculina já foi campeão de Wimbledon: Andy Murray. O tenista britânico, ex-número 1 do mundo, já levantou o troféu em casa duas vezes, em 2013 e 2016. Inclusive, a última vez que o grande vencedor do Grand Slam disputado em Londres não foi um membro do Big Four (Federer, Nadal, Djokovic e Murray) foi em 2002, quando o australiano Lleyton Hewitt foi campeão.

Murray, no entanto, não é um dos candidatos ao título porque está longe do nível que alcançou quando conquistou o major ou estava na liderança do ranking da ATP. O jogador de 36 anos sofreu com diversas lesões ao longo da carreira e chegou a anunciar sua aposentadoria em janeiro de 2019. O tenista, no entanto, operou o quadril, colocou um pino de metal e retornou, superando muitas dificuldades, ao circuito em agosto daquele mesmo ano.

Desde então, o Sir Andy Murray dava tudo de si nas quadras, mas raramente conseguia avançar nos torneios, com exceção do título do ATP 250 de Antuérpia, na Bélgica, também em 2019. Ele chegou a sair do top 500 do ranking em setembro desse mesmo ano, mas conseguiu retornar ao top 100 em fevereiro de 2022.

Se o único título nas simples do tenista no circuito principal da ATP após a cirurgia foi a conquista belga há quase quatro anos, o ex-número 1 do mundo fez uma excelente gira de grama nesse último mês e conquistou dois challengers: em Nottingham e Surbiton, ambos na Inglaterra.

Além disso, Murray foi finalsita do ATP 250 de Doha, no início deste ano, e ainda chegou até a 3ª rodada do último Australian Open. Com esses resultados, o atual número 39 do mundo chega em Wimbledon embalado pela torcida e com o melhor ranking desde que operou o quadril, o 39º lugar. O britânico espera ir além do que suas últimas campanhas, quando foi eliminado na 2ª e 3ª rodada nas edições de 2022 e 2021, respectivamente.

Sir Murray estreia contra o compatriota Ryan Peniston, que recebeu o wild card e está fora do top 200 do ranking da ATP. Se vencer, pode encarar Stefanos Tsitsipas, cabeça número 5, ou Dominic Thiem na 2ª rodada.

Mais brasileiros em Wimbledon

Além de Bia Haddad e Thiago Monteiro nas simples, o Brasil está muito bem representado na chave de duplas de Wimbledon. Cinco tenistas prometem levar a bandeira verde e amarela nas quadras de grama do All England Club.

No feminino, Luisa Stefani e a francesa Caroline Garcia querem manter o embalo após o título no WTA 500 de Berlim na semana passada e encaram as americanas Ashlyn Krueger e Caty McNally na estreia. Caso a dupla da brasileira medalhista olímpica avance, Stefani pode enfrentar a ex-parceira Gabriela Dabrowski em uma eventual oitavas de final. As duas tenistas romperam a parceria após Roland Garros.

Bia também disputa a chave com Victoria Azarenka. A dupla, que foi campeã do WTA 1000 de Madri, é a cabeça número 14 de Wimbledon e estreia contra Cristina Bucsa e Makoto Ninomiya.

No masculino, Marcelo Melo, que já foi campeão em 2017 nas duplas em Wimbledon, estreia com John Peers contra Robin Haase e Philipp Oswald. A dupla do brasileiro é a cabeça de chave número 16 do Grand Slam e na atual gira de grama conquistaram o ATP 500 de Halle.

Além do bicampeão de Grand Slam, Marcelo Demoliner e Rafael Matos também disputam as duplas masculinas. Demoliner joga junto com o holandês Matwe Middelkoop e estreia contra a dupla croata Nikola Mektic e Mate Pavic. Já Matos, campeão do Australian Open com Luisa Stefani nas mistas, disputa Wimbledon com o português Francisco Cabral e enfrenta os britânicos Liam Broady e Jonny O'Mara.

As duplas mistas serão confirmadas apenas na quarta-feira, dia 5.

Premiação do Grand Slam

Wimbledon 2023 vai premiar um total de 44,7 milhões de libras esterlinas (moeda do Reino Unido) ao longo dessas duas semanas de competição e diversas chaves. Esse valor representa em torno de 273 milhões de reais.

Nas simples, o campeão, seja no masculino ou feminino, vai levar para casa uma premiação de 2 milhões e 350 mil libras, algo em torno de 14 milhões e 300 mil reais. Isso representa um aumento de 17,5% em relação ao ano passado. No entanto, essa quantia ainda simboliza uma 'recuperação' dos prêmios, que passaram por uma drástica redução em 2021, por conta da pandemia da Covid-19.