A entrada do Masters 1.000 da Arábia Saudita no calendário do tênis a partir de 2028 mexeu bastante com as estruturas do calendário. E, ao que tudo indica, vai afetar a gira de torneios na América do Sul, como Buenos Aires e Rio de Janeiro.
Por justamente concorrer próximo da data dos torneios por aqui, o futuro Masters faria com que os torneios na Argentina e no Brasil concorressem com Doha e Dubai no calendário, colocando problemas que vão desde a mudança de data até a troca de piso, desejo antigo do Rio Open para atrair os grandes nomes.
O tema virou assunto entre os jogadores no Rio Open, com alguns defendendo a gira sul-americana no saibro e outros entendendo que é uma mudança necessária. João Fonseca, antes de começar o torneio, deu sua opinião favorável.
"Muitos gostariam de visitar o Brasil, mas é difícil, porque o circuito atualmente está predominante na quadra rápida. Acho que, se futuramente o torneio tiver a possibilidade de trocar de piso, seria muito benéfico".
O chileno Alejandro Tabilo destacou a importância de se manter a data do torneio, independente do tipo de piso que se jogue.
"O calendário já está organizado, espero que possam deixar assim. O mais importante é manter (a temporada da América do Sul). Necessitamos de uma gira aqui, porque nunca vão tirar um torneio da Europa ou dos Estados Unidos. O mais provável é que sigam os mesmos jogadores aqui, mas talvez os resultados mudem um pouco".
Juan Manuel Cerúndolo, argentino mais que acostumado a jogar no saibro, defendeu o piso atual. "Para o público seria muito bom, mas eu prefiro que seja no saibro. Foi neste piso que joguei a vida inteira e quero continuar a jogar. Com certeza o público iria gostar de atrair estrelas".
Os argentinos Thiago Tirante e Sebastian Báez foram outros que saíram em defesa dos torneios aqui na América do Sul.
"É inesquecível ver crianças de dez, oito ou cinco anos na quadra. Seria uma pena se cancelassem este circuito. Merecemos ter torneios como este, no saibro ou em quadras duras", ressaltou Tirante.
"Este circuito sempre foi sobre o saibro. O fato de quererem mudar para quadra dura é uma questão comercial. Teremos que ver se, quando chegar a hora, eles virão para a América do Sul, quando já tiverem Acapulco e o Catar", disse o bicampeão Báez, eliminado na primeira rodada do torneio.
Matteo Berrettini foi outro que destacou a importância de torneios na América do Sul, que segundo ele trazem uma atmosfera diferente para o circuito.
"A experiência e a atmosfera que temos aqui no Rio e em Buenos Aires são muito legais, os fãs comparecem mesmo no qualificatório. A América do Sul merece esses torneios e precisamos ter o máximo possível de torneios aqui", comentou.
