Na noite dessa quinta-feira (20), Beatriz Haddad Maia saiu de quadra muito abalada após a derrota para Linda Fruhvirtova na estreia do Miami Open, torneio que tem transmissão de todas as quadras no Disney+ Premium.
A tenista brasileira de 28 anos levou um 'pneu' e foi superada pela rival da República Tcheca de apenas 19 anos na 2ª rodada do WTA 1000 disputado na Flórida. Essa foi a 6ª derrota seguida de Bia, que não vence uma partida de simples desde o Australian Open, em janeiro.
Depois de algumas horas da dolorosa eliminação, Nº 1 do Brasil e 18º do mundo concedeu uma entrevista exclusiva para a ESPN e comentou sobre a queda precoce para Fruhvirtova, que ocupa a 215ª posição do ranking da WTA.
"A análise do jogo é que foi ruim. Eu errei muita bola. Se olhar a matemática, eu dei muitos pontos de graça, de novo, e mais um jogo com muito erro não forçado e com pouca conexão."
"Não consegui, mais uma vez, ter volume em alguns momentos do jogo. Tentei fazer isso e tentei mexer comigo também de outras formas ali no começo do segundo set, mas não consegui reverter. Tive bons pontos, mas também cometi muito erro, então a matemática não fecha desse jeito.", lamentou a brasileira.
Bia reforçou mais uma vez que as dificuldades que ela está enfrentando não são físicas ou técnicas.
"É uma questão minha, comigo, de condução de emoção. Estou consciente do que eu venho fazendo bem e estou consciente do que não estou fazendo bem."
"Sempre tive momentos muito bons e momentos não tão bons durante a minha carreira e acho que sempre tentei ter um equilíbrio e postura quando esses momentos apareceram. Tanto em grandes vitórias e conquistas quanto em momentos não tão bons."
Sobre a fase não ser tão boa, com 9 derrotas em 11 jogos na temporada, Bia sabe que está rendendo abaixo do esperado, por ela mesmo.
"Eu nem gosto de ficar repetindo isso. Os últimos 10 dias que eu estava treinando aqui, os 9 sets que eu joguei, eu perdi um set. Foi o último dia, que eu fiquei um pouquinho mais ansiosa e um pouco mais emotiva."
"Então, sendo muito sincera, joguei com a Paula Badosa e eu ganhei um set, ganhei set da Emma Navarro e da Kostyuk. Eu venho treinando e jogando com várias top 30, mas é uma questão minha mesmo, de emoção e uma questão pessoal."
A brasileira mostrou personalidade ao não se esconder das críticas e enfrentar o problema de frente.
"Não tenho nada para dar como desculpa e não tô culpando ninguém. Não é exterior isso. Eu poderia estar me escondendo, ficando fora do circuito, mas estou me enfrentando e me expondo."
"Eu tô aqui com coragem, e tem muita gente que às vezes fala tô sentindo aqui ou sentindo ali (culpando uma questão física). Eu não, eu estou disposta a melhorar e estou me expondo da forma que eu posso com o que estou lidando."
"Estou muito consciente das coisas que eu preciso melhorar. Sou muito grato ao meu time, que está aqui comigo do meu lado, a gente sabe que nesses momentos, quem realmente tá do nosso lado e quem torce pela gente."
"Então, mais uma vez agradeço muito ao meu time, a minha família e às pessoas que que torcem por mim, que mandam energia. Isso pra mim é muito importante, muita gratidão. Eu sou 18 do mundo, minha vida é muito boa e jogo torneis pelo mundo, estou saudável. Vamos a enxergar as coisas como elas são realmente. Então é uma questão minha comigo e eu vou buscar essa solução"
Sobre os próximos passos, Bia Haddad segue no Miami Open para a disputa da chave de duplas femininas com alemã Laura Siegemund e, depois, a gira de saibro, que culmina em Roland Garros.
"Agora, é o momento de aprender e ter postura, de seguir caminhando e sabendo que o tênis é é uma maratona, não é um tiro de 100 m. Eu vou buscar soluções para melhorar. A minha essência vem do trabalho e isso eu não vou perder."
