João Fonseca está prestes a dar mais um passo importante em sua carreira, que está apenas começando. O tenista brasileiro de 18 anos vai disputar pela primeira vez a chave principal do Masters 1000 de Indian Wells, torneio disputado na Califórnia, nos Estados Unidos, e que tem transmissão de todas as quadras no Disney+ Premium.
A estreia acontece nesta quinta-feira (6), contra o inglês Jacob Fearnley, número 81 no ranking mundial. O duelo abre a programação da quadra principal do torneio às 16h (de Brasília).
Apesar de ter apenas uma temporada completa no profissional, João já conseguiu feitos importantes, como o primeiro título de ATP em Buenos Aires em fevereiro. Porém, o que mais impressiona na ascensão do carioca não dá para ser exposto em prateleiras, como troféus, ou computado em estatísticas.
João Fonseca criou uma comoção no tênis brasileiro e foi a principal atração do Rio Open. Mesmo perdendo na 1ª rodada, o garoto movimentou multidões no Jockey Clube Brasileiro, seja para assistir aos treinos ou mesmo vê-lo na arquibancada torcendo para Marcelo Melo e Rafael Matos, campeões nas duplas. O Furacão Fonseca era uma realidade.
Além do “Fonsequismo” empolgar torcedores, João também está inspirando compatriotas, sejam eles mais novos ou mais velhos. João Eduardo Schiessl, brasileiro de 20 anos, treinou com o xará durante o confronto da Copa Davis contra a França no mês passado e descreveu a experiência em entrevista exclusiva para a ESPN.
“O João (Fonseca) é uma pessoa sensacional. Todas as minhas interações com ele foram positivas. Tudo o que ele joga bem, ele consegue ser ainda mais gente boa. Ele é muito focado e pé no chão".
Dois anos mais velho, Schiessl conheceu a sensação do tênis quando seu xará tinha 16 anos e ambos disputavam torneios juvenis no Brasil.
“É muito fácil você se impressionar com a velocidade e potência nos golpes do João. É o que mais chama atenção quando você abre o olho e o vê jogar. Convivendo com ele, o que mais impressiona é como ele é pé no chão. Todo mundo compara ele com o Guga ou Alcaraz, e o que mais me impressiona é como ele leva isso".
Para Schiessl, o sucesso de João Fonseca também representa um grande ganho para o tênis brasileiro como um todo.
“Para nós, jogadores, quando você vê ele chegando lá, já te motiva bastante. Saber que é possível e faz você acreditar ainda mais. Traz uma crença de que isso é possível e que é esse o caminho. Isso é o maior bem, não só para mim, mas para os outros jogadores e para aqueles que ainda estão começando, para os mais novos de 8, 9 anos. É algo que você precisa ter para continuar e querer ser profissional".
Quem concorda que João Fonseca já está fazendo bem para o tênis brasileiro é Paulo Saraiva, de 24 anos, que acaba de fazer quartas de final no Challenger de Brazzaville, seu melhor resultado da carreira. Paulo treinou com o garoto de 18 anos quando o carioca disputou seu primeiro Challenger, no Rio de Janeiro, em 2022.
“Ele tinha 15 anos na época e já dava para ver que ele era totalmente diferente. Eu só não esperava que ele evoluiria tão rápido. Ele é uma joia e com certeza vai dar muita alegria para o nosso país”, contou Paulo em entrevista exclusiva.
O tenista brasiliense espera, porém, que o bom momento de João Fonseca seja aproveitado para desenvolver ainda mais o esporte no país.
“Uma das coisas que eu escutei da época do Guga, é que a galera fomentou bem o tênis, mas depois não seguiram investindo. Eu espero que usem isso de exemplo para fomentar cada vez mais o tênis, desde a base, o pessoal que está no meio e até quem é um pouco mais velho, mas que estão lutando também".
Paulo ainda espera que João Fonseca desenvolva o tênis brasileiro masculino assim como Beatriz Haddad Maia colaborou para o crescimento do feminino.
“O tênis em si começou a ter mais visibilidade também. Agora com o João, você vê todo mundo atrás para ver ele jogar. Como se fosse um jogo de futebol. Espero que cada vez mais ele possa atrair um público para o tênis".
Mesmo o brasileiro mais experiente em atividade no circuito, Marcelo Melo, aos 41 anos, afirmou no Rio Open que o “Fonsequismo” está ajudando a todos.
“Um menino de 18 anos com quadra lotada, isso é bom pra ele, para o tênis, para nós. Quanto mais brasileiro lá em cima, melhor para todo mundo e para imprensa também".
Os relatos dos mais velhos apontam que Fonseca já está trazendo muitos ganhos para o tênis brasileiro, e os mais novos assinam embaixo.
“Eu treinava com o João até ele completar 12 anos, aqui na Etchecoin Tennis. Ele é muito bacana e sempre foi uma inspiração. Com ele conquistando esses resultados, o Fonseca traz uma aura para o tênis brasileiro e faz a gente acreditar, ainda mais, que podemos ir longe nos grandes torneios”, contou Juan Pedro Etchecoin, de 17 anos, à ESPN no Rio de Janeiro.
Outra grande promessa do tênis brasileiro é Luis Guto Miguel, campeão da última edição do Roland Garros Junior Series. O tenista de 16 anos que treina na Rede Tênis Brasil (RTB) já ocupa o top 50 do ranking mundial juvenil e espera seguir os passos de Fonseca.
"O João me inspira muito pelo caminho dele. Ele também jogou no juvenil, então, eu tiro ele como base nos resultados e em tudo o que ele fez. Ele não é meu alvo, mas é uma inspiração para um dia eu chegar onde ele está. O João está brilhando e eu desejo tudo de bom para ele.", disse Guto à ESPN.
Carregando a energia de todos esses tenistas e de milhares de torcedores, João Fonseca espera dar alegria para o Brasil nas quadras duras da Califórnia.
