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Alcaraz busca no Miami Open feito que nem Nadal conseguiu e quer aproveitar embalo de Indian Wells

Carlos Alcaraz posa para a foto com o troféu do Miami Open em 2022 após derrotar Casper Ruud na final. Matthew Stockman/Getty Images

Quem vai a Miami procura o conforto das praias ou o luxo dos outlets, os centros de compras tão tradicionais nos Estados Unidos. Só que a turística cidade na Flórida é mais que isso, sobretudo para quem está atrás de um objetivo muito maior.

É assim que Carlos Alcaraz trata a volta à cidade norte-americana. Visto por muitos como aquele que vai assumir o trono de Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic, o espanhol aposta no piso do Miami Open, e não nas areias, para retomar o caminho rumo ao topo do ranking mundial e também alcançar um feito que nem seu compatriota Nadal conseguiu.

Alcaraz se credencia, mais uma vez, a lutar pelo Sunshine Double (ou "brilho do sol duplo", em tradução livre), que é um "título" simbólico dado ao tenista que consegue ser campeão de Indian Wells e Miami no mesmo ano. Essa expressão foi criada devido ao forte calor que os jogadores enfrentam nos torneios na Califórnia e na Flórida, que são disputados de forma consecutiva.

Após levantar o troféu no último domingo (17) com vitória sobre Daniil Medvedev na decisão, Carlitos agora cruza os Estados Unidos em busca desse feito que apenas 8 tenistas conseguiram na história do circuito da ATP: Jim Courier (1991), Michael Chang (1992), Pete Sampras (1994), Marcelo Rios (1998), Andre Agassi (2001), Roger Federer (2005, 2006 e 2017) e Novak Djokovic (2011, 2014, 2015 e 2016). Nadal venceu Indian Wells três vezes (2007, 2009 e 2013), mas nunca foi campeão em Miami.

O jovem talento, por ser o cabeça de chave número 1, estreia na segunda rodada contra o também espanhol Roberto Carballés Baena, em partida que terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ no sábado (23), a partir das 13h (de Brasília).

É fato dizer que Alcaraz é, sim, um dos favoritos ao título em Miami, embora o páreo seja duro pela presença de outras grandes estrelas do tênis, como Jannik Sinner e Daniil Medvededv. Mas a grande campanha que culminou no título na Califórnia, o credencia a lutar pelo troféu, que já lhe serviu de impulso no passado.

O espanhol nascido em El Palmar, vila com pouco mais de 20 mil habitantes da cidade de Múrcia, ganhou seu primeiro Masters 1000 justamente em Miami, ao derrotar Casper Ruud na final de 2022. À época, Alcaraz era um garoto de 18 anos, disputava o torneio pela segunda vez e ocupava a 16ª posição do ranking mundial da ATP.

Desde então, o fenômeno explodiu. O título em Miami – que só não virou bi porque Sinner impediu o Sunshine Double de Alcaraz em 2023 – o catapultou ao posto de número 1 do mundo, alcançado após a conquista do US Open. Alcaraz ainda faturaria o tradicional torneio de Wimbledon, seu segundo Grand Slam, em julho do ano passado.

De lá para cá, até o título em Indian Wells, as coisas não caminharam como o esperado.

O mais jovem número 1 da história perdeu torneios importantes por uma série de lesões. Nos últimos meses, Alcaraz foi ausência no ATP Finals em 2022, no Australian Open de 2023 e chegou a abandonar o Rio Open deste ano logo na estreia, por uma torção no tornozelo.

Essa última lesão, inclusive, preocupou Carlitos até mesmo no início da caminhada pelo título de Indian Wells. Durante a entrevista após a final contra Medvedev no último domingo (17), Alcaraz revelou que nos primeiros treinos na Califórnia e até em sua estreia no torneio, ele não sabia se conseguiria competir em alto nível pelo problema no tornozelo que o tirou do circuito por quase três semanas.

Os problemas com o corpo ainda despertam insegurança, mas Alcaraz confia em uma recuperação de terreno na temporada para chegar bem a uma competição que desperta fascínio em qualquer esportista: os Jogos Olímpicos.

Até as Olimpíadas, que vão de 26 de julho a 11 de agosto, em Paris, o calendário do tênis ficará bem apertado. Alcaraz e as demais estrelas do esporte tem uma série de disputas importantes após Miami.

Os Masters 1000 de Monte Carlo, Madri e Roma iniciam a gira do saibro, que culmina no icônico Roland Garros, segundo Grand Slam da temporada. A partir daí, a superfície muda para a grama até chegar a Wimbledon, em Londres, último grande torneio antes do embarque para os Jogos Olímpicos.

Se o corpo permitir, Alcaraz vai estrear nas Olimpíadas e com uma expectativa grande de, quem sabe, formar uma dupla com o compatriota Rafael Nadal na busca por uma medalha para a Espanha.

O calendário promete ser bem desgastante, mas merece um passo por vez. Antes de já pensar no saibro francês, Carlitos precisa focar (ainda) nas quadras duras americanas e chegar bem ao Miami Open. Alcaraz vai se manter 100% fisicamente? Apenas o tempo e os duelos no Hard Rock Stadium dirão.