Os holofotes do tênis mundial estão voltados para Thiago Wild nesta terça-feira (30). Foi dele o feito de despachar Daniil Medvedev logo na estreia do russo em Roland Garros para avançar à segunda rodada do Grand Slam no saibro francês.
O paranaense, n°172 do ranking da ATP, furou o quali para participar de uma chave principal de major pela 2ª vez na carreira.
Wild é apenas o segundo brasileiro na história a eliminar um tenista top-2 do mundo em torneios Grand Slam, igualando um feito de Gustavo Kuerten em 2004, contra Roger Federer.
A estreia do brasileiro de 23 anos em uma chave principal de um Grand Slam foi no US Open de 2020, quando acabou eliminado na primeira rodada por Daniel Evans.
Campeão juvenil do US Open de 2018, Thiago Wild teve a missão de enfrentar logo de cara no Aberto da França um rival do peso de Medvedev, que chegou ao saibro francês como o 2° cabeça-de-chave e brigando pelo 1° lugar no ranking da ATP.
“Sempre quis jogar contra ele”, afirmou Thiago sobre Medvedev após o fim da partida mágica em Roland Garros. “Sempre sonhei em jogar grandes jogos e jogar nessas quadras centrais. É um sonho que se torna realidade. Entrei na quadra tentando angular bem as bolas e usar meu forehand contra o dele e eu acho que funcionou bem”.
“Foi muito difícil. Senti câimbras no 2° set e não consegui sacar bem, mas eu fiz o meu melhor e usei meu mental para jogar tênis. Funcionou bem. Fiz o meu melhor”.
“Certamente voltarei à quadra amanhã, não sei se o meu treinador vai me deixar descansar o dia todo. Ele é muito exigente (risos). Ele gosta de estar na quadra o tempo todo. É assim que funciona o tênis, você fica em quadra, trabalha duro, você leva o prêmio”
Após a vitória histórica, Thiago Wild terá pela frente na segunda rodada o vencedor da partida entre o francês Quentin Halys e o argentino Guido Pella. A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
Histórico de violência doméstica
Thiago Wild, investigado desde 2021, foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em junho de 2022 por violência doméstica contra a ex-mulher, a biomédica e influencer Thayane Lima.
O processo, que corre em segredo de Justiça, teve partes divulgadas pelo portal UOL em 2022.
“No dia 08 de maio de 2020, [...] o denunciado Thiago consciente e voluntariamente, praticou vias de fato em face de sua ex-companheira/vítima: Thayane Lima da Silva, ao apertar abruptamente o dedo desta”.
“Em seu agir, o denunciado valendo-se do fato da vítima ser sua dependente financeira, humilhava e ridicularizava sua companheira perante familiares e amigos, chamando-a de incapaz, louca, lixo, piranha, puta barata, fiscalizava as redes sociais de sua companheira, determinando as postagens que poderiam ser mantidas, ressaltava com seus amigos que traía constantemente a vítima, bem como detalhava atos íntimos do casal afirmando que o sexo com sua companheira era insuficiente”.
Em meados de 2021, Thayane Lima da Silva alegou ter descoberto traições de Thiago Wild enquanto eram casados, alegando ainda ter um relacionamento abusivo com o tenista.
“Sem que eu percebesse, ele fez com que eu mudasse tudo na minha vida. Passei a não poder usar decote, nem à praia eu podia ir pra não usar biquíni. Sempre usei unha grande, mas ele gostava de curta porque afirmava que unha grande era 'de puta'. Se a minha opinião política não fosse igual a dele —e de fato não é—, ele me chamava de burra e dizia que eu tinha que ficar com os 'pretos fod... que eu andava'. Thiago também mandou eu tirar meu piercing do nariz e reclamava do meu sotaque, dizendo que carioca fala 'igual favelado'”, disse Thayane, em entrevista ao portal UOL.
Em nota, Thiago Wild negou as acusações feitas pela ex-companheira.
“Quanto às matérias e postagens veiculadas ao longo desta semana a meu respeito, quero esclarecer que os processos em andamento no Brasil, bem como um procedimento criminal em que apareço como vítima, tramitam sob segredo de Justiça. Isso significa que não posso fazer declarações, comentários ou exposição de conversas, o que também deveria valer para a outra parte, de acordo com liminar expedida em 16/09/2021 pelo Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro.
Mas acima de tudo quero lembrar e reforçar que não houve julgamento, então não posso ser considerado culpado.
Não recebi ainda o mandado de citação expedido pela Justiça do Rio de Janeiro pois já não possuo residência fixa no Brasil. Passei os últimos meses treinando na Argentina ou competindo em outros países. O mesmo acontece com a outra parte, que também não foi citada por não residir no Brasil. De qualquer forma, meus advogados já notificaram à Justiça o endereço de meus pais no Paraná.
Neste momento estou totalmente focado em minha carreira, de volta ao melhor nível de jogo, e confiante de que minha inocência será comprovada no devido tempo”.
Thiago Wild
Onde assistir ao torneio de Roland Garros?
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