Aos 41 anos, tenista anunciou aposentadoria nas suas redes sociais nesta quinta-feira
Dia difícil para dizer isso, mas, na opinião deste que vos escreve, Roger Federer não é o maior tenista da história.
Que fique bem claro, não possuo qualquer tipo de ódio ao suíço. Pelo contrário, sempre foi meu tenista favorito de assistir. Seu talento, legado, classe e maestria com a qual dominou o esporte, são inegáveis.
Se perguntassem a mim, um praticante do esporte de Federer, que inclusive em determinado momento da adolescência o disputou de forma competitiva em torneios estaduais e nacionais, "qual tenista você gostaria de ser?", eu provavelmente responderia "Roger Federer".
Houve um determinado período da história que Federer era quase unanimidade como o maior da história do tênis, mesmo com a freguesia que sempre ostentou diante de Rafael Nadal. Mas, após o suíço se aposentar, já dá pra afirmar que, infelizmente, essa opinião dele como maior de todos (válida para quem quiser achar, por sinal) já não se sustenta. Ao menos com tanta facilidade.
Federer, desde 2009, se tornou o homem com mais títulos de Grand Slam na história, deixando Pete Sampras (14) para trás. Naquela época, o suíço tinha quase 28 anos, enquanto Nadal (23 anos) e Djokovic (22), tinham 6 e 1 títulos de Major, respectivamente.
Mas a idade veio para o suíço, que foi obrigado a conviver com o ápice do espanhol e do sérvio e viu ambos sepultarem seus recordes. Nadal já tem 22 títulos de Slam, Djokovic tem 21. Com 36 e 35 anos, ambos ainda estão em plena atividade e só praticamente dão chance ao resto do circuito quando estão de fora dos Majors, seja por lesão (no caso de Rafa), ou falta de vacina (no caso de Djoko).
Federer "estacionou" nos 20 Grand Slams e pode ver ambos abrirem ainda mais. Em taças de Masters 1000, o suíço se aposenta com 28, enquanto Nadal soma 36 e Djokovic tem 38.
O sérvio também passou o suíço no recorde de mais semanas como número 1 do ranking da ATP: 373 a 310.
E, o mais importante, os duelos diretos. Federer sempre foi freguês de Nadal, naquela que pode ser considerada a maior rivalidade dos últimos 20 anos no esporte. O suíço conseguiu ainda diminuir o déficit, que parou em 24 a 16 a favor do espanhol, no fim de carreira, tendo vencido 7 dos últimos 8 confrontos entre eles. Mas até 2015 o placar era 23 a 9 para Rafa.
Já com Djokovic aconteceu o inverso. O sérvio venceu 6 dos 7 confrontos finais e ficou com o placar dos duelos diretos contra Federer a seu favor: 27 a 23.
Claro, é preciso considerar a idade. Federer é seis anos mais velho que Djokovic e cinco a mais que Nadal. O próprio suíço admitiu que demorou a "explodir", tendo vencido seu primeiro Grand Slam aos 21 anos, porque só ali começou a colocar a cabeça no lugar. Nadal e Djokovic ganharam seus primeiros Majors antes dos 20 anos. Mas também, obviamente, foi mérito deles ter atingido esse ápice cedo e conseguir mantê-lo até os dias de hoje.
Enfim, sem deter os recordes mais importantes e freguês de seus maiores rivais contemporâneos, fica difícil defender Federer como maior tenista de todos os tempos. Porém, claro, todos têm seus favoritos.
Só me considero um sortudo de ter acompanhado literalmente a carreira de Federer desde o início, ter coberto eventos in loco onde ele estava e ter prestigiado a sua maestria e elegância exemplar dentro e fora das quadras. Obrigado!
