Para a tristeza dos torcedores brasileiros e dos fãs de surfe pelo mundo, o primeiro campeão olímpico do esporte, Italo Ferreira, não participará dos Jogos de Paris. Apesar disso, o surfista avaliou os três representantes do país e elegeu o “favorito” para conquistar o mesmo feito que alcançou em Tóquio.
“Creio que o Gabriel (Medina) tem grandes chances. Tem bons resultados no Taiti e isso de alguma forma passa confiança e deixa ele preparado para esse grande desafio”, opinou o potiguar em entrevista exclusiva à ESPN.
Apenas dois surfistas de cada país se classificam para Paris 24 via ranking da World Surf League (WSL) de 2023. No caso do Brasil, Filipe Toledo, que conquistou o bicampeonato mundial no ano passado, e João Chianca, o Chumbinho, que ficou com a 3ª colocação, serão os representantes.
O tricampeão mundial Gabriel Medina também garantiu uma vaga nas Olimpíadas após vencer o título individual e por equipes do Isa Games, ocorrido em março deste ano em Porto Rico.
Italo, por sua vez, sofreu uma entorse no joelho direito durante a etapa de Jeffrey’s Bay da WSL, em julho do ano passado, e ficou de fora da corrida pela classificação.
Os Jogos de Paris serão realizados de 24 de julho a 11 de agosto. Apesar das competições estarem concentradas na capital da França, o surfe será disputado em Teahupo‘o, no Taiti, Ilha na Polinésia Francesa. O local é famoso por suas ondas gigantes e tubulares, consideradas uma das melhores esquerdas junto com Pipeline, no Havaí, para a prática de surfe no mundo.
E foi exatamente no Taiti, no último dia 1º, que Italo Ferreira venceu a mais recente etapa disputada do Circuito Mundial de Surfe, da WSL. “Sempre performei muito bem. Se for o meu momento estou preparado para isso porque venho treinando bastante”, disse dias antes da prova em exclusiva à ESPN.
Para Italo, os compatriotas têm grande chance de trazer medalhas ao Brasil. Além disso, o potiguar afirmou que os fãs do esporte terão um grande espetáculo e poderão “conhecer” um pouco mais o surfe em relação às Olimpíadas de Tóquio.
“A gente não comenta tanto sobre competição, mas os meninos, principalmente o Gabriel (Medina), que tem bons resultados no Taiti, pode trazer medalha. Tanto ele quanto o Chumbinho, que são os caras que estão ali e sabem surfar muito bem aquela onda. Vai depender muito do mar e não tem como prever. Dependendo das condições, porque no Taiti tem de oito a dez caras que podem vencer. É um bom desafio. Nas Olimpíadas a galera vai ver o potencial do surfe, um pouco mais em outra escala devido as ondas do local”, avaliou.
Questionado sobre o que esperar da arbitragem em Paris, o surfista tratou como 'circunstâncias que saem do controle' dos atletas.
“Nós dependemos das condições do mar. Acaba que no minuto final o cara pode fazer uma coisa que ele nunca fez. O Igarashi, depois que deu aquele aéreo nas Olimpíadas (de Tóquio), nunca mais fez aquilo. Então ele tirou aquilo sei lá de onde e acabou vencendo aquela bateria, que estava nas mãos do Gabriel. Algo que de alguma forma, no final do dia, acaba afetando os atletas, principalmente mentalmente. Porque todos nós nos dedicamos muito e quando o resultado não vem como esperamos, acabamos desanimando”, explicou.
Nos últimos Jogos Olímpicos, a semifinal entre Gabriel Medina e Kanoa Igarashi causou polêmica. Na ocasião, os dois atletas tiveram performances semelhantes, com o brasileiro levando a melhor para muitos, mas foi o japonês que ficou com o triunfo na visão dos árbitros e avançou à final contra Italo Ferreira. Medina ficou com a quarta colocação após perder para o australiano Owen Wright na disputa pelo bronze.
