Isaquias Queiroz é ouro na canoagem. Depois de muito esforço, o brasileiro conseguiu sua conquista após o recorde de medalhas para um brasileiro em uma edição de Olimpíadas no Rio de Janeiro. Um dos grandes colaboradores para a conquista deste sonho, porém, não pode presenciá-la.
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Homenageado pelo brasileiro após sua conquista, Jesus ‘Suso’ Morlán comandou o canoísta na preparação para os Jogos de 2016 e estava pronto para ajudá-lo a quebrar mais marcas em Tóquio e em Paris. Aos 50 anos, porém, recebeu a notícia de que tinha um tumor no cérebro e só lhe restavam 14 meses de vida.
O espanhol era um fanático pela canoagem. Apesar de nunca ter tido o talento necessário para praticar o esporte, decifrou a modalidade como poucos, com inúmeras planilhas que o ajudaram, além de Isaquias, a criar fenômenos em seu país natal.
Em entrevista ao site UOL em suas últimas semanas de vida, o treinador revelou brincadeiras que fazia com os amigos que tiravam sarro de seu pouco talento no esporte: “Eu chegava em último, mas eu fui aos Jogos Olímpicos, não vocês”.
Suas planilhas se baseavam em diversas estatísticas, que iam desde aos tempos dos atletas até os batimentos necessários que eram necessários dentro de um treinamento para atingir a perfeição.
“No caso do Isaquias, por exemplo, tem que fazer 15 km no mínimo. Não pode vir mais rápido nem mais devagar do que isso. Depois, tem que fazer 350 abdominais e correr 30 minutos. À tarde, tem que fazer 3 séries de força máxima, depois 3 tiros de 100 metro em ritmo 6. É fechar a semana com 17 horas, 40 minutos e 125 km. No cálculo final, mensal, do ano, para 46 semanas, são 4.400 km e 750 horas de trabalho no total”, revelou.
E não havia atleta que desdobrasse sua rigidez. Em sua chegada ao Brasil, ao ouvir que um atleta estava cansado, chegou a obrigá-lo a refazer o exercício completo em outro turno. Isso, porém, não lhe afastava de seus comandados.
"Tenho muito carinho por eles. São meus atletas. São meus meninos, mas não me sinto o pai deles. Isaquias sente como se eu um fosse um paizinho dele, de algum jeito o Erlon também. Mas não aceito essa figura. Não sou o pai deles porque é impossível substituir um pai", apontou.
No Rio de Janeiro, sua frustração pela não conquista do ouro na prova da dupla Isaquias e Erlon era grande. O treinador via que, se não fosse o vento, teriam terminado a prova em 3min30s. Mas ele via na dupla a possibilidade de muito mais medalhas em Tóquio e Paris.
“Eu sei que, se vão pra Tóquio e meto duas medalhas neles, já vão para cinco medalhas. Se a saúde me acompanhar, eu sei que vamos ganhar mais duas medalhas em Paris-2024. Porque em 500m não há quem ganhe desses filhos da p*. Em 1.000m, você ainda briga com eles. Em 500m, não briga ninguém com esses caras. Impossível. Daria uma garantia de vida para a minha família e para as famílias dos meus meninos. Não penso mais em nada”, apontava.
Em novembro de 2018, Morán faleceu aos 52 anos, sem poder ver a conquista do ouro de Isaquias no Japão. Sua memória, porém, foi lembrada na camisa de Lauro, novo treinador no canoísta, que escreveu seu nome como uma dedicatória. Um agradecimento por todo o empenho na formação desse campeão do Brasil.
