Se você acompanha o cenário de esports e lives do Brasil, muito provavelmente você já ouviu falar de Yayah. Segunda maior streamer feminina do país, ela tem feito sucesso transmitindo jogos de Counter-Strike e também reagindo a vídeos e assistindo filmes e séries com seus telespectadores.
Yayah, porém, é muito mais do que uma streamer. Fora das lives e dos jogos, ela é Ingrid Larissa Souza, nascida em Valparaíso, Goiânia, em 1999. Desde que tinha 3 anos de idade, dedica sua vida ao judô e tem como sonho disputar os Jogos Olímpicos na modalidade.
"Começou com meus pais, que são faixa preta do 4º Dan. Comecei a treinar com 3 anos de idade e com 10 para 11 comecei a competir em competições nacionais. Vão fazer 18 anos que eu faço Judô", disse Ingrid em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.
Em 2016, foi medalha de bronze por equipes nos Jogos Escolares. Um ano depois, venceu o distrital na categoria superligeiro. Sua última competição oficial veio em 2018, quando ficou com o terceiro lugar no Regional Sub-21 do Centro-Oeste. Desde 2019, porém, sua vida mudou completamente.
Por questões profissionais de seu pai, Ingrid se mudou para o Paraguai. Por conta da pandemia, teve que ficar um tempo afastada dos treinamentos, que foram retomados no começo deste ano, já no CT do Comitê Olímpico Paraguaio em Assunção. Agora, faz um trabalho para conseguir seu maior sonho e se transformar na primeira judoca a representar o Paraguai nas Olimpíadas.
"No começo do ano, comecei a treinar aqui no Paraguai com o Vicentini", comentou a judoca, se referindo a Gabriel Vicentini, treinador olímpico em 2016 com o capixaba Nacif Elias, que representou o Líbano na Rio-2016.
"Estamos fazendo um trabalho de peso. Atualmente, peso 45kg e preciso chegar aos 48kg que é o peso olímpico. Estamos fazendo esse trabalho para competir pelo Paraguai nas Olimpíadas de 2024".
Nos últimos meses, porém, Ingrid precisa conciliar sua rotina de treinos com a rotina de lives, em que teve uma ascensão meteórica. E, também, com os estudos.
"Ano passado eu comecei a fazer faculdade de medicina aqui no Paraguai, mas aí começou a pandemia e eu resolvi trancar. Esse ano eu comecei a fazer live e fez muito sucesso. Conheci outros streamers, como o Lindinho, e fui para o CS e comecei a fazer muito sucesso", explicou.
"Tudo aconteceu por causa da Tribo, que me acolheu e começaram a me acompanhar muito e, de repente, a minha vida mudou completamente. Eu sou uma pessoa muito tímida, mas a minha relação (com os espectadores) é muito mais de amizade do que de fã e ídolo".
A "Tribo" a qual se refere a streamer é uma comunidade criada por Gaules, o maior streamer do Brasil e um dos maiores do mundo. Atualmente, Yayah tem uma média de público de 3 mil pessoas por live que abre, o que lhe transforma na segunda streamer feminina mais assistida na língua portuguesa no mundo.
Agora, seu objetivo de curto prazo é aproveitar as Olimpíadas e a disputa pelas medalhas do Judô, que começam nesta sexta-feira (23) às 23h (Brasília), para espalhar o seu esporte favorito para a Tribo.
"Eu pretendo assistir as lutas durante as lives e comentar com o chat. explicar o qu eestá acontecendo. Eu aprendo muito com eles e eles comigo, então espero usar esse espaço para aumentar o alcance do esporte e fazer mais pessoas gostarem. E vai ser de madrugada, que é o horário que eu costumo fazer as lives, então ajudou".
Entre ser Yayah, a streamer, ou Ingrid, a judoca, a goiana não sabe qual escolheria, mas pende mais para o Judô.
"Eu acho que eu escolheria o Judô. É difícil de escolher porque eu tenho uma paixão pelos dois, mas o Judô eu faço desde que tinha 3 anos de idade, então é uma paixão de toda a minha vida. Judô é uma filosofia de vida, então eu não consigo parar. E tem uma vaga na Olimpíada para eu ir atrás, né?", finalizou.
