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No Bola da Vez, Daniel Dias critica mudanças nas regras da natação paralímpica e faz apelo

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No Bola da Vez, Daniel Dias critica mudanças nas regras da natação paralímpica e faz apelo (2:05)

Maior medalhista da modalidade em Jogos, com 24, brasileiro é o convidado do programa especial, ao lado de Daniel Martins, do atletismo, que vai ao ar neste sábado (26), às 21h55, em ESPN Brasil e ESPN App (2:05)

Daniel Dias é o maior medalhista homem da natação paralímpica, com 24 ganhas em três edições dos Jogos. E é o dono deste currículo absurdo quem criticou e lamentou as mudanças nas regras da modalidade e ainda fez um apelo, tudo isto no Bola da Vez que vai ao ar neste sábado (26), às 21h55 (horário de Brasília), em ESPN Brasil e ESPN App. E que foi gravado neste mês de dezembro, no qual celebra-se, no dia 3, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

No programa, no qual foi entrevistado ao lado de Daniel Martins, outro atleta paralímpico brasileiro, este do atletismo, o nadador de 32 anos que nasceu com uma má formação congênita fez várias ponderações à reclassificação imposta pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês).

“É uma pena acontecer muito perto dos Jogos Paralímpicos. A gente sabe a importância dos Jogos. Por incrível que pareça, eu estava competindo na Austrália [quando anunciaram as mudanças] e ali fiquei sabendo que tinha feito o melhor tempo da minha vida. Era para ser recorde mundial, mas com todas as mudanças que aconteceram, não era mais recorde mundial, virou recorde das Américas. Mas eu, sinceramente, acreditava que era recorde mundial porque sei da minha classe, sei o tempo que estou no esporte e não me desmotivou”, disse o paulista de Campinas.

As novas regras estão valendo desde janeiro de 2018. A classificação funcional é dividida em três partes: teste clínico, observação durante as competições e teste na água (no qual o atleta faz vários exercícios dentro da piscina). Neste último, os testes passaram a ser pontuados de 0 a 300, o que não se dava antes. Para o lPC, a análise ficou mais objetiva assim.

Daniel Dias discorda, vê mais subjetividade. E também fez um apelo para que os atletas sejam ouvidos em casos e situações como este.

“Sempre nadei para fazer o meu melhor, sempre treinei e me dediquei para evoluir, aumentar minhas marcas e isso só me motiva. A gente espera que as coisas parem de ser subjetivas, principalmente quando se fala em classificação, que define a carreira do atleta, e que o esporte paralímpico supere isso. Que quem organiza possa ouvir mais os atletas, somos nós quem fazemos parte do esporte. Temos muito o que contribuir.”

“Fico triste com o que está acontecendo, porque a gente estava vindo de uma sessão muito bacana, com o movimento paralímpico, do para-desporto. 2016 foi espetacular, a gente começou a ganhar uma credibilidade com o esporte paralímpico, as pessoas começaram a conhecer mais, e como o Daniel vai explicar que não é mais recordista, que não é mais o melhor atleta da categoria dele? São coisas difíceis para a gente explicar, mas não me desmotiva”, encerrou o nadador.

Daniel Dias tem nove medalhas ganhas nos Jogos de Pequim, em 2008, seis nos de Londres, em 2012, e outras nove no Rio, em 2016. São 14 de ouro, sete de prata e três de bronze.