O Comitê Olímpico Brasileiro manifestou-se publicamente defendendo o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 em um ano. Por sua vez, o Comitê Olímpico Internacional admitiu tal possibilidade neste domingo e falou em tomar uma decisão dentro de um mês.
“Eu creio na possibilidade de definirem antes de terminar a quarta semana, esse é meu feeling. Com relação a postergar o evento, é viável sim, a sugestão do COB foi essa porque é a menos prejudicial a todos. Ao país que realiza, aos países que vão participar e principalmente aos atletas, porque já interferiu na preparação deles, no desempenho deles, se fosse esse ano. Mas pelo menos eles têm uma chance maior de se recuperar e estar no ápice, como é o ideal no período dos Jogos Olímpicos”, afirmou o presidente do COB, Paulo Wanderley, ao ESPN.com.br.
O dirigente apontou que, em caso de mudança para o próximo ano, Tóquio deixaria de ter o direito exclusivo de sediar o evento, mas uma mudança de sede não é defendida por ele.
“Nossa sugestão foi que os Jogos fossem transferidos a um outro ano, exatamente no mesmo período, no fim de julho e começo de agosto, e preferencialmente na nossa opinião, na opinião do COB, que seja em Tóquio.”
Paulo Wanderley ainda falou que o esporte olímpico brasileiro é “unânime” quanto ao adiamento para o meio de 2021. O dirigente mencionou que as modalidades já estão sendo impactadas por conta da suspensão/adiamento de competições classificatórias. “Não tenho receio de dizer que todos (os esportes) foram afetados com essa questão”.
Confiança moderada
A posição do COB é muito clara sobre o adiamento, mas ele tem confiança de que seu desejo seja correspondido?
“É uma confiança moderada, porque são muitas e muitas variáveis em jogo. Eles vão ter muitas dificuldades para atender a todas essas variáveis, e acredito que pode ser para 2021 e na mesma cidade. É menos impactante negativamente para todos os participantes, inclusive para os nossos atletas”, afirmou Paulo Wanderley.
“A decisão não vai ser unânime, a situação agora é o menor prejuízo. O prejuízo vamos ter. Acho que essas quatro semanas serão mais do que suficiente para eles tomarem uma decisão definitiva.”
O presidente da entidade brasileira ainda lembrou do fato de historicamente o COI já ter enfrentado dificuldades, como os cancelamentos dos Jogos de 1916, 1940 e 1944 por conta das guerras mundiais, assim como dos boicotes em 1980 e 1984.
“Experiência, vivência e história de situações difíceis eles tiveram e passaram por elas. Então acredito que o COI tem bagagem suficiente para chegar a um termo que dê um resultado positivo na expectativa da maioria dos países”, declarou Paulo Wanderley.
De qualquer forma, ele vê o cenário atual como “a situação mais dramática do esporte mundial de todos os tempos”.
