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'Me sinto em casa no Brasil': único pentacampeão olímpico da mesma prova fala sobre relação com o país

Mijain López é o único atleta a se consagrar pentacampeão olímpico no mesmo evento Getty Images

Dizem que um é pouco, dois é bom e três é demais. Cinco então... aí é só Mijain López. Nem Michael Phelps, nem Carl Lewis, nem Simone Biles. O cubano de 43 anos é o único atleta a se consagrar pentacampeão olímpico no mesmo evento. Ele subiu ao lugar mais alto do pódio em Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016, Tóquio 2020 e Paris 2024 no wrestling, categoria grego-romana até 130 kg.

Mijain se despediu da luta em plena Olimpíada, logo após vencer a final contra o chileno Yasmani Costa por 6 a 0. Ele tirou as sapatilhas e deixou em cima do tatame, visivelmente emocionado.

Agora aposentado, o cubano está no Brasil e participou da COB Expo, feira organizada pelo Comitê Olímpico do Brasil, nesta quinta-feira (25), e conversou com a ESPN sobre, entre outras coisas, o wrestling brasileiro. Em Paris 2024, o país teve uma única representante: Giullia Penalber. Mesmo sozinha, ela conquistou a melhor campanha de um atleta nacional na história da modalidade ao terminar em 5° lugar. Penalber se tornou a primeira brasileira a disputar uma medalha em Jogos Olímpicos.

Confira a entrevista com Mijain López:

O que está achando da COB Expo?

“Feliz por estar aqui. Primeiro, quero agradecer aos organizadores por um convite tão especial que me fizeram e por poder participar de um programa tão importante como esse do COB aqui no Brasil, em que estão muitos jovens inspirados pelo esporte graças à possibilidade de muitos virem e verem os esportes que existem nas Olimpíadas. Como um atleta que conquistou cinco medalhas de ouro em Jogos Olímpicos, me sinto muito agradecido por estar aqui com eles e apoiá-los em cada uma das suas modalidades.”

Em Paris, o Brasil teve a sua melhor participação com Giullia Penalber. Como você enxerga o wrestling brasileiro?

“Os lutadores brasileiros são lutadores ferozes, mas também muito amáveis. Tivemos a oportunidade de trocar ideias em vários Jogos Olímpicos. Eles já foram a Cuba, e nós estivemos aqui no Brasil. Giullia já treinou junto com a nossa delegação em Cuba, e acho que isso foi algo em que demos, acho que contribuímos com um grão de areia. É por isso que nós, em Cuba, dizemos que nossas medalhas também serão dedicadas a todos os países das Américas, já que sempre há um grupo de treinamento no qual trocamos [conhecimento] com a maioria das equipes das Américas. Com o Brasil, acho que tem sido uma experiência muito boa, pois tivemos trocas em muitas ocasiões antes de enfrentar os Jogos Olímpicos e Mundiais. Acho que a importância disso é destacada pela qualidade que também temos aqui nas Américas.”

Falando em Américas, qual a representatividade de que o maior medalhista seja um cubano?

“A luta livre é um esporte europeu que se originou na Rússia, e acho que hoje o fato de ser dominado aqui nas Américas mostra o desenvolvimento que nós, como atletas, conseguimos adquirir aqui na América e a competição que já existe entre a Rússia e a América.”

Você se aposentou recentemente, vai aproveitar o tempo no Brasil para ir à praia?

“Não acho que terei a chance de ir para a praia agora, mas já estive aqui no Brasil, no Rio, duas ou três vezes, tive a chance de ir para Copacabana, agora acho que não terei a chance porque tenho muito pouco tempo. Agora sou um embaixador do esporte, estou aqui por causa desse convite, que acho uma coisa muito bonita, e depois tenho que ir para o México, continuar passando experiência em outros lugares e acho que só de poder estar aqui, poder compartilhar com esses jovens e passar para eles tudo o que fiz na minha carreira esportiva, acho que é uma coisa muito bonita.”

Quão grande o espaço da Rio 2016 no seu coração?

“As Olimpíadas do Rio, para mim, foi algo muito grande. Me sinto grato por toda a torcida aqui no Rio, foi minha terceira medalha em 2016, uma medalha em que eu ia igualar um recorde com um dos melhores lutadores da história, Alexsander Karelin, e poder conseguir isso aqui no Rio, junto com todos que me apoiaram, acho que para mim foi uma honra. Ouvir os gritos de todos os brasileiros, de todos os cubanos, o apoio para aquela última luta, acho que para mim foi um sonho. Sinto-me em casa no Brasil. E quero felicitar a todos por tudo o que fizeram por mim, por me assistirem regularmente em cada uma das minhas lutas. Estou muito feliz por estar aqui hoje.”