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Brasileiro do taekwondo superou arritmia para ir às Olimpíadas: 'Meu coração batia errado 33 mil vezes ao dia'

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Promessa brasileira do taekwondo lembra de drama que viveu antes das Olimpíadas: 'Meu coração batia errado' (2:27)

Em entrevista à ESPN, Henrique Marques contou que quase teve que se aposentar aos 19 anos por causa de uma arritmia (2:27)

Henrique Marques é, mesmo aos 20 anos, uma das esperanças do Brasil na categoria até 80kg no taekwondo. Realidade que ele jamais imaginaria em meados de 2023, quando descobriu uma arritmia cardíaca que quase o obrigou a abandonar o esporte.

O jovem atleta teve que superar o momento mais difícil de sua vida para realizar um sonho de criança: disputar as Olimpíadas.

Nascido em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Henrique viveu no bairro onde cresceu, em Porto das Caixas. Foi lá que, aos oito anos, foi convidado pela atleta olímpica Iris Sting para participar de um projeto social mudaria o seu destino.

''Eu achava o taekwondo legal...Via muita gente chutar, gritar, até achava que o povo era um pouco doido. Chegava antes para assistir ao treino de taekwondo e sempre ficava vendo medalhas, troféus que ficavam pendurados nas paredes. A Iris notou esse meu interesse e me convidou para treinar. Ela conversou com minha mãe e me deu uma bolsa de 25% para começar. Eu pagava R$ 25'', contou Henrique em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

Foi ali que o garoto resolveu trocar o futebol pelas artes marciais. E foi graças ao taekwondo que ele conseguiu superar as adversidades de uma infância para lá de complicada para dar uma condição de vida melhor para sua maior incentivadora: a mãe.

''No futebol, eu passei por Botafogo e Grêmio. Só que como moro no interior, não tinha condições de ir para o Rio de Janeiro. Foi quanto eu iniciei o taekwondo mais focado, porque antes levava só como hobby. Vivi momentos de dificuldades desde novinho, e o taekwondo me proporcionou crescer bastante na vida. Hoje moro em uma casa melhor'', completou Marques.

''Já tive momentos de ter só arroz e feijão para comer, muita gente às vezes não tinha nem isso. Minha cama era toda quebrada, o sofá lá de casa era quebrado. A geladeira era quebrada, tinha um negócio que travava a geladeira'', disse o atleta que chegou até mesmo a compartilhar os ''perrengues'' que passava no bairro em que cresceu nas redes sociais.

''Eu queria mostrar essa realidade, tudo o que eu estava passando no momento, para todos verem que é possível superar isso tudo'', contou.

'Meu coração batia errado 33 mil vezes ao dia'

Henrique Marques acumulou medalhas e deslanchou no taekwondo. Até que em 2023, quando estava prestes a atingir o ápice de sua carreira, teve que superar o maior baque de sua vida.

O atleta estava pronto para viajar para Santiago, no Chile, onde seria um dos representantes brasileiros nos Jogos Pan-Americanos. Até que, em um exame antes de embarcar, foi diagnosticado com arritmia cardíaca, que só seria corrigida se ele passasse por uma arriscada cirurgia.

''Foi um momento muito delicado. Depois que eu operei, fiquei sabendo que eu poderia me aposentar bem novinho, aos 19 anos. Não poder praticar nenhum esporte porque meu coração batia errado 33 mil vezes ao dia não assustava só a mim, mas todos os médicos que trabalharam no meu caso. Foi algo muito preocupante'', lembrou.

Acompanhado pelos médicos do Comitê Olímpico do Brasil (COB), o taekwondista ficou cinco meses afastado do tatame para realizar tratamento. Em janeiro, voltou a treinar para participar do camping olímpico, e em abril, Henrique conseguiu a tão sonhada vaga para Paris ao superar o dominicano Moises Hernandez no Pré-Olímpico.

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Brasileiro do taekwondo superou arritmia para realizar sonho nas Olimpíadas: 'Eu não acreditava'

Em entrevista à ESPN, Henrique Marques contou drama que viveu aos 19 anos

O sonho de criança, enfim, realizado

A promessa do taekwondo vai disputar agora a sua primeira Olimpíada, algo que sempre sonhou desde que era bem pequeno, mas que jamais imaginava conseguir depois de todos os problemas que teve que superar.

''Eu lembro que na creche, bem pequenininho, uma professora pediu para todo mundo escrever qual era o nosso sonho em um papelzinho. Eu lembro de ter escrito que era ir para as Olimpíadas'', contou emocionado.

''É uma realização muito grande. É algo que eu não acreditava, até porque desse processo de ter passado por esse processo da arritmia. É uma realização muito grande e um sonho muito grande. Ter conseguido isso aos 20 anos é algo muito grande também'', completou.

Henrique Marques estreia nos Jogos Olímpicos de Paris na manhã de sexta-feira (9), às 4h46 (de Brasília), contra Saleh Elsharabaty, da Jordânia, na categoria até 80 kg. O vencedor avança às quartas de final e segue o sonho por medalha.