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Qual o futuro do vôlei masculino do Brasil? De Bernardinho a promessas, quem deve sair e surgir na seleção

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NÃO DEU! Brasil perde para Estados Unidos por 3 sets a 1 no vôlei e está eliminado das Olimpíadas (1:12)

Os norte-americanos venceram o jogo com parciais de 26/24, 28/30, 25/19 e 25/19 (1:12)

O Brasil deu adeus às Olimpíadas no vôlei masculino ainda nas quartas de final, a eliminação mais precoce da seleção desde 2000. Aquela derrota deu início a era mais vitoriosa da modalidade. Mas e agora? Qual é a perspectiva? Quem fica, quem sai e quem deve aparecer no time nos próximos anos?

Nem todas as perguntas têm uma resposta exata. Mas já há bons indícios de quase tudo.

A começar pelo comando técnico. Bernardinho não confirmou, mas deu fortes pistas que vai continuar na seleção brasileira. Há uma possibilidade de ele seguir como coordenador e não como treinador. Mas ele teve palavras que leva a crer que toda essa renovação vai passar totalmente pelas mãos dele.

“O novo ciclo começa amanhã. Pode ter certeza que, se eu não estiver como protagonista liderando, eu vou estar próximo. Uma coisa é certa: eu não vou deixar de contribuir de maneira nenhuma com essa rapaziada e com o novo ciclo que se inicia e a gente precisa realmente trabalhar. Nem sei se sou a pessoa ideal para ser o treinador, posso contribuir e vou”, disse o treinador.

Se ele fica, o mesmo não se pode dizer de todas as peças da seleção. Dois jogadores já praticamente se despediram depois da eliminação nas Olimpíadas: o levantador Bruninho e o central Lucão.

São 19 anos sem férias, oito anos sem participar de um aniversário do meu filho, sem estar presente em casa. Tem uma geração nova chegando com força e que vai ter ralar bastante”, disse Lucão.

Outros que não falaram, mas podem se despedir são o ponteiro Leal, que completa 36 anos nesse mês, e o líbero Thales, já com 35.

O time olímpico, porém, já trouxe ideias de quem pode comandar a seleção no futuro. Em especial Darlan, de 22 anos, que surgiu como um furacão nos últimos tempos e já foi titular da equipe. Já Adriano, também de 22 anos, talvez tenha sido a grande surpresa dos Jogos. Ele saiu do banco muito bem nas vezes que foi chamado e foi um dos grandes destaques da campanha.

“Olha os jogos que o Adriano fez. E o Darlan. São jogadores jovens e faz parte do processo. Lá em 2000 o Dante não era o Dante ainda. A gente perdeu as quartas de final com ele em quadra. E depois ele se tornou o Dante. É difícil, mas tem que dar tempo”, disse Bruninho.

Outra peça que tem tudo para ser fundamental para o futuro é Lukas Bergmann, que já foi convocado para as Olimpíadas com apenas 20 anos de idade e tem toda pinta de craque do futuro.

Fernando Cachopa, de 28 anos, tem tudo para assumir o posto de titular como levantador. Ele teve uma temporada de crescimento jogando na Itália e já vinha sendo bem importante na seleção.

O ponteiro Honorato (27) também já mostrou ter a confiança de Bernardinho. Ele chegou a ser improvisado de líbero, foi convocado como substituto para as Olimpíadas e chegou até a entrar em quadra – e jogar bem, principalmente na parte defensiva.

E quem não estava nas Olimpíadas?

Há nomes que devem aparecer já nas próximas convocações da seleção. O levantador Matheus Brasília (27) já foi chamado para a última Liga das Nações quando Bruninho se machucou e deve fazer parte do elenco. O central Judson (25) esteve cotado para os Jogos até o fim, chegou a ser levado a Paris para ter a experiência dos treinamentos com a seleção e pode pintar até como titular em breve.

O oposto Felipe Roque (27) é outro que já apareceu bastante no time principal e pode ganhar mais espaço.

Além deles, o Brasil tem outros talentos que já começaram a tentar trabalhar nos últimos meses na chamada Seleção de Novos, um projeto feito para dar rodagem e experiência internacional a eles.

A última convocação teve os levantadores Juan e Mateus Bender; os opostos Chizoba, Felipe Roque e Guilherme Sabino; os ponteiros Daniel Muniz, Maicon, Matheus Celestino, Paulo e Robert; os centrais Juninho, Lucas Barreto, Thiery e Witallo; e os líberos Alê Elias e Maique.

São com essas peças – e outras que podem surgir a qualquer momento – que o Brasil terá que enfrentar uma das eras mais equilibradas do vôlei, com muitas seleções em um nível muito parecido. Polônia, Itália, França, Estados Unidos, Eslovênia, Japão, Alemanha, Argentina, Cuba, Canadá, Sérvia...

Mas Bernardinho fez uma promessa:

“Pode escrever o que eu vou dizer aqui: o voleibol masculino vai voltar a brigar mais contra esses principais times”.