Desbancadas por Rebeca Andrade, a lendária ginasta americana Simone Biles e Jordan Chiles, também dos Estados Unidos, se ajoelharam aos pés da brasileira, medalha de ouro no solo das Olimpíadas de Paris.
Em entrevista após a cerimônia de premiação, as norte-americanas, que foram, respectivamente, prata e bronze, explicaram por que decidiram reverenciar à campeã olímpica e aproveitaram ainda para exaltar a importância de ter um pódio formado apenas por mulheres negras.
''A Rebeca é tão incrível, ela é uma rainha. Primeiro de tudo, é um pódio só com mulheres negras, o que é muito empolgante para nós. Aí a Jordan disse: deveríamos reverenciar ela? E eu fiquei tipo: com certeza. Aí ela disse: Vamos fazer isso agora? E é por isso que nós fizemos. Mas é tão emocionante ver ela (a Rebeca), e também tinha todos os fãs na multidão sempre torcendo por ela. Então só era a coisa certa a se fazer. Ela é uma rainha'', disse Simone Biles.
''Continuando o que ela (Biles) estava falando, ela (Rebeca) também é um ícone, uma lenda. Ela é reconhecida por tudo que faz, é alguém que trabalhou muito, que se dedicou. Então, no momento, eu falei: quer saber? Primeiro de tudo, novamente, era um pódio só com mulheres negras, e segundamente, por que não damos a ela o reconhecimento dela? Ela deu o reconhecimento não só à Simone, mas a muitas de nós nos Estados Unidos. Então retribuir é o que faz isso ser tão bonito. Então eu acho que era necessário'', declarou Jordan Chiles.
Nesta segunda-feira (5), Rebeca Andrade desafiou o impossível e conquistou o ouro no solo. A campeã olímpica fez uma belíssima apresentação, levantou o público na Bercy Arena e tirou 14.166, sua segunda melhor nota no aparelho em Paris, atrás apenas do 14.200 da final por equipes.
Já Biles fez todos os seus movimentos espetaculares, mas pisou fora duas vezes e teve uma punição de -0.6, o que lhe deixou com a nota 14.133 e atrás de Rebeca com duas concorrentes para entrarem no tablado.
Sabrina Maneca-Voinea, da Romênia, e Jordan Chiles, dos Estados Unidos, fizeram suas apresentações, mas não foram suficientes para tirar o ouro do Brasil.
A conquista de Rebeca Andrade a coloca em um patamar exclusivo no esporte brasileiro. Agora com seis medalhas, ela supera os velejadores Torben Grael e Robert Scheidt, empatados com cinco, e se isola como a atleta mais premiada na história do país nos Jogos Olímpicos.
O ouro também garante o melhor desempenho da ginástica brasileira nas Olimpíadas. Além das medalhas de Rebeca, o Brasil levou o bronze na competição por equipes, e assim volta para casa com quatro medalhas.
